Como Pegar um Beija-Flor

artigo para revista webdesign

OK, isso não é coisa pra se perguntar assim do nada, mas a questão quase me acerta na testa mal eu abro a porta, e voilá a dita ave em pânico se debatendo contra o teto, paredes, um furacão azulado sem freios nem juí­zo.

Rapidamente notei que alguém já estava se dedicando a esse problema filosófico de maneira bastante atlética, e antes que ele literalmente matasse a charada, tirei meu gato de cena. O pobre passarinho não tinha sete vidas, enfim.

Como se pega um beija-flor?, pensava eu quebrando a cabeça enquanto o pobre bicho quase quebrava a própria. De sopetão? De tocaia? Com as mãos? Com uma rede? Perto de uma criatura tão delicada eu me senti um godzilla tosco. E pensar que ele descendia de dinossauros, e não eu.

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Gestão do Luxo

artigo publicado na revista Webdesign

Se você quiser entender o Brasil volte pra escola: escolas de samba.
Eu faltei nessa aula e até hoje sinto falta.

Um dos nossos gênios da raça, Joãozinho Trinta, cercado de corpos nus e alegorias, despiu nossa brasilidade em cadeia nacional: "Quem gosta de miséria é intelectual. Povo gosta de luxo". E dá-lhe apoteoses, purpurina, plumas e samba para o mundo inteiro babar.

O "renezinho quarenta" aqui não gosta de miséria, mas eu devo confessar que essa mania toda de luxo me desconcerta. Gestão do Luxo pra cá, shopping de luxo pra lá, revistas de luxo, cafés de luxo, bancos de luxo... Tem algo esquisito aí­, não? Ou sou eu que preciso ter mais jogo de cintura?

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Minha Teia 2.0

O Tarzan deve morrer de inveja do Homem-Aranha: o cara clica num botão e zás, sai um cipó automático limpinho para se baloiçar sobre abismos. Assim é fácil.

Para piorar a raiva, a selva de pedra tem mocinhas muuuito mais
interessantes do que a Jane e a Chita. Sem platéia feminina de que adianta desfilar saradão e seminu pela floresta, afinal? Uma banana pra esse mascarado, deve grunhir o homem-macaco.

É curioso que um dos super-heróis mais queridos seja... uma aranha. Imagine você convencendo um cliente ou chefe de que um homem-inseto que sobe pelas paredes e lança teias vai ser um estrondo comercial. Faça isso hoje e o cara ou te demite ou pede antes um focus-group, que vai optar fragorosamente pelo Iridiscente Homem-Borboleta. Só o Stan Lee mesmo para emplacar uma idéia improvável dessas.

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Design em revista

artigo para revista Webdesign

Revista é bom.

Meu pai me conta que na sua infância no interior de São Paulo a
Seleções do Reader's Digest era esperada com ansiedade. Tenho pilhas
de Wired que me recuso a jogar fora. E as Fast Company então? E a
Business 2.0? Pilhas.

Jornal ninguém guarda nem aguarda. Jornal simplesmente vem. Revista
não: ela surge, enfim, radiante e perfumada.

Não me pergunte por quê. Colorido o jornal é. Fotos jornal tem. O papel bom, será? O formato?

Pense nas revistas que você gosta. Esta aqui, por exemplo. Há algo nela que te agradou uma vez e você encontra de novo edição após edição: a profundidade dos artigos, o tone and manner, o mix de articulistas, os temas, e por aí­ vai. Se algum desses aspectos mudar, você vai estranhar: "o que aconteceu com esta revista? Ela não é mais a mesma".

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Dicas de dança por um peso-pesado

Você vai ficando mais velho e o que era elogio passa a te deixar com
um pé atrás. Por exemplo: ser um profissional "sênior" indica uma
trajetória profissional longa e rica ou quer dizer que... por decurso
de prazo você já virou um "ex-jovem"?

E ser um "peso-pesado"? Significa que você precisa retomar a dieta
a-go-ra ou que a sua atuação é poderosa e faz diferença no jogo de
forças?

Pelo sim, pelo não, essa semana eu me inscrevo numa academia. :)

Se você não for tão sênior assim talvez nunca tenha ouvido falar de um
peso-pesado magní­fico, o Cassius Clay. Já? Não? Mohammed Ali, então?

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