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Antes de mudar de estação

Eu me pergunto se em Marte passa Picapau. Ué... ondas de rádio fazem isso, não? Vão embora espaço afora, infinito adentro. Não estranhe se os marcianos que chegarem aqui se dirigirem primeiro... ao seu gato. Muito Tom e Jerry dá nisso :)

Ver o mundo pela TV pode ter outros efeitos colaterais, como achar que a reprodução de pássaros canoros está ligada à colisão entre bolas de boliche e cabeças distraí­das, ou que o máximo que pode acontecer se um piano de cauda despencar sobre você é um sorriso com sustenidos.

Curioso mesmo é que na vida real eu nunca tenha visto uma bigorna caindo, nem... um taxidermista. A julgar pelo número de desenhos em que o Picapau escapa de ser empalhado deveria ter um taxidermista em cada esquina, ao lado das barbearias com aqueles enfeites listrados girando.

O que você acha?

Onde: um belo restaurante. Quando: um belo domingo.

Fato: me acharam.

O celular tocou. Que hora, pensei. Conferi o identificador de
chamadas: um número qualquer. Pedi licença à minha companhia, me afastei e atendi.

"René?"
"Sim, quem fala?"
"Você faz trabalho?"

Fazer trabalho? A primeira idéia que me ocorreu foi macumba.

Well, não era isso. Era trabalho de faculdade, ou melhor, uma versão on-demand e outsourced de trabalho de faculdade, onde um grupo neo-picareta de estudantes apela para um equivalente estudantil da bruna surfistinha e paga por um trabalho de escola encomendado. Claaaaaaaro, o grupo "briefa" antes. Tudo muito profissional.

coletânea de artigos bem-conservados

desde os velhos tempos do HIPERATIVIDADE do Fernand Alphen sempre escrevi sobre nosso ofí­cio, seja pra revistas como ABOUT, MEIO DIGITAL, CARTA.COM... reuni esses artigos todos (mais de 50!) e os publiquei aqui. para minha surpresa ainda são bons de se ler... bom proveito :)

Manifesto Anti-Casa-da-Sogra

Uma sombra negra paira sobre nós, suga nossas energias, nos prende a grilhões de chumbo e nos envenena a vida: são os invasores de máquinas.Eu estou cansado, todos estamos cansados, seu computador está exausto de ser violentado por mil softwares predatórios. A Microsoft não pode expiar sozinha pelo inferno do digimundo e pelos pecados de seus concorrentes. Apple, Real, Adobe, e mais um sem-fim de software houses respeitáveis aproveitam que existe um bode expiatório chamado Windows e pintam e bordam com o meu, o teu, o nosso patrimônio digital.

Tente instalar o QuickTime: o iTunes vem junto forçosamente, completando 20M de download. Instale o Real Player: um descuido e ele se espalha por todo lado. Convença um leigo de que vale a pena baixar o pesadí­ssimo Adobe Acrobat para ler o documento que você enviou. Deixe seu filho colocar em casa o CD-ROM que ele ganhou na lanchonete e prepare-se para ter seu computador praticamente seqí¼estrado.

Pior do que eles só os Gator, spy-wares e ad-wares que silenciosamente se infiltram na vida dos incautos. Um PC tí­pico vive numa quase septicemia de invasões, arrastando-se como pode até sucumbir. PC´s vivem doentes mesmo sem ví­rus algum.

Meu PC é meu. O que tem nele é meu patrimônio, é meu território, é minha vida, e exijo o mí­nimo de urbanidade e ética de qualquer um que adentre esse mundo digital onde investi tanto do meu tempo e afeto.

Meu PC não é a casa da sogra.

Quero a sua colaboração para elaborarmos em conjunto o Manifesto Anti-Casa-da-Sogra".

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