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Lembre-se do leite

Eu esqueço. Esqueço mesmo. Assumo que esqueço.

Esqueço o dia de pagar contas, esqueço que tenho que mandar meu artigo aqui pra revista, esqueço de comprar o que a faxineira pede... Minha semana é um festival de esquecimentos.

É por isso que nunca me dei bem com agendinhas: ou eu me esqueço de anotar, ou me esqueço de conferir todo dia. Agenda boa, pra mim, tinha que ser uma que me cutucasse e dissesse: René, hoje é o dia do cartão. Ou então apitar na hora H. É por isso que ando com um PDA pra cima e pra baixo quase o tempo todo: ele apita.

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Uau sem culpa

Quantas vezes por semana alguma coisa na web te faz dizer em voz alta "uau, que legal!"? Convenhamos: poucas. O Google Street View? O Orkut com feed RSS? Os demos do Silverlight? Well, é o que eu consigo me lembrar assim de bate-pronto. Lembro desses e... do site da HBO Brasil.
Um aparte: eu sou um ex-HBO. Eu fui produtor de programas na HBO por um ano (programas de TV, bem-entendido, não programas de computador :) ) Quando foi isso? 1996? Caramba, onze anos. Foi quando eu larguei TV e comecei a trabalhar com internet. Faz tempo.

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Questão de Destino

Escrever de boca cheia é muito feio? Espero que não. Só não ofereço, aliás, porque não vai dar tempo: vou matar esse de ovo de páscoa em um piscar de olhos de coelho. De qualquer maneira fica a dica: marzipan e chocolate amargo nasceram um para o outro. Coisa de destino

Ovos de páscoa são, aliás, categoria-destino. Juro! Eu ouvi isso do rapaz responsável pela área de ovos de páscoa de uma grande empresa de chocolates. Ouvi e não entendi, claro, mas ao invés de fazer cara de paisagem, perguntei:

- Ahn?

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O que os kicos tem a ver com isso?

Se os teus kikos marinhos nasceram, cresceram e foram felizes para sempre, não me conte. A menos, claro, que no teu aquário em se plantando tudo dá. Se você nunca ouviu falar de kikos marinhos, porém... nem me diga senão vou morrer de inveja :)

Ok, ok, estou exagerando, o trauma não foi assim tão... traumático. Passou. Mas algo aconteceu ali: perdi minha virgindade mercadológica.

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Inspire Fundo

Quando vejo uma aula de spinning, daquelas em que um esquadrão de bicicletas voa baixo sem sair do lugar sob o empuxo furioso de corpos empapados em suor ao som de música infernal, sempre lembro que em alemão "Spinnen Sie?" quer dizer "você está maluco???". Ok, não escondo: não é só com relação à Academia com "A" maiúsculo que tenho problemas... Quando o assunto é academia com "a" minúsculo e shorts idem tenho calafrios com C maiúsculo. Assumo. Até hoje não entendi bem o que me pega de mau jeito em academias. A música de fundo? Coloco meus fones, ligo meu player e... fico desconfortável do mesmo jeito. Aquele monte de máquinas à la Inquisição Espanhola versão-digital-cromada? Os semi-deuses desfilando? Os espelhos, o branco polar nas paredes e chão, os televisores cada um em um canal igualmente chato?

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Pergunte-se COMO

Pergunte-se COMO OK, OK, esse tí­tulo lembra dietas, adesivos de carro e campanhas de auto-ajuda. É vero. E dietas me lembram verão, e verão me lembra tempo, e tempo me faz pensar no meu aniversário, e 42 anos de idade me faz lembrar da resposta para o sentido da vida e do universo e tudo o mais e também me faz pensar que pressupor que todos leram o mochileiro das galáxias é coisa de dinossauro, mesmo. Desculpem-me a crise rápida de meia-idade mas é que toda vez que me preparo para escrever minha coluna aqui na revista eu me pergunto: quem sou eu, enfim, diante de tanta gente gabaritada, frente a tantos leitores com fome de relevâncias?

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Cartas na Mesa

O que você quer? Sim, estou falando contigo. Responda. Assustou? Então falemos de outra coisa enquanto você pensa. Para a conversa ficar mais interessante, aventuremo-nos no arriscado território do infalável. Eu quero falar sobre Querer. "Eu quero falar" é bem diferente de "eu gostaria de". Se eu quero eu quero, não tem por quê colocar num subjuntivo açucarado. Eu quero. Nem é questão de desejo, é vontade mesmo. Desejar é passivo: você depende de algo externo que lhe desperte o desejo, seja uma barra de chocolate ou um sex symbol qualquer. Querer não, querer é coisa minha. Só eu sei o que quero. Se você quiser algo diferente, por favor coloque suas cartas na mesa.

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Viva a internet sem culpa

Cabelo espetado? Não... Revolto? Não. Careca? Loiro? Moicano? Não, não, não. Custou mas acabei encontrando algo parecido com meus cabelos grisalhos. Pronto: meu avatar (a figurinha que escolhi para me representar no Messenger) ficou mais fiel a mim mesmo. Meio jovial demais, mais sorridente ainda do que o rené original mas tudo bem, melhor que minha foto 3x4 clássica. Ao menos ele pisca :) Com o tempo acostumei com esse eu-cover. Simpático, meu avatar. Mais um pouco eu passo uma procuração para que ele me represente em tempo integral. Reuniões chatas? Conference calls? Ir ao banco? Meu avatar

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Pisando em ovos (a questão da conveniência)

este foi meu artigo de estréia para a revista Webdesign, que também estreava nas bancas.

O carro dos ovos chegou!

Ovos? Sim, uma dúzia de ovos agora cairia bem, sobretudo se caí­ssem na cabeça desse chato movido a diesel, desse entrepreneur da mí­dia de interrupção, interrompendo minha soneca de sábado com uma gravação que já sei de cor.

Ovos? Quando eu precisar de ovos eu vou ao mercado, não preciso que a montanha de ovos venha a Maomé se anunciando no megafone como se fosse a Boa Nova. Ovos são ovos, oras.

Eu nem como ovos. Devo estar perdendo algo fabuloso, a julgar pelo entusiasmo da gravação. Deveria dar vivas pela chegada dessa benção dos céus à minha modesta rua da Bela Vista, mas não estou nem aí­ para ovos, ainda mais se eles estão bem aqui, no meio do meu ex-sossego.

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