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Pisando em ovos (a questão da conveniência)

este foi meu artigo de estréia para a revista Webdesign, que também estreava nas bancas.

O carro dos ovos chegou!

Ovos? Sim, uma dúzia de ovos agora cairia bem, sobretudo se caí­ssem na cabeça desse chato movido a diesel, desse entrepreneur da mí­dia de interrupção, interrompendo minha soneca de sábado com uma gravação que já sei de cor.

Ovos? Quando eu precisar de ovos eu vou ao mercado, não preciso que a montanha de ovos venha a Maomé se anunciando no megafone como se fosse a Boa Nova. Ovos são ovos, oras.

Eu nem como ovos. Devo estar perdendo algo fabuloso, a julgar pelo entusiasmo da gravação. Deveria dar vivas pela chegada dessa benção dos céus à minha modesta rua da Bela Vista, mas não estou nem aí­ para ovos, ainda mais se eles estão bem aqui, no meio do meu ex-sossego.

e-business, e-mail, e-commerce, e-daí­? (a questão da relevância)

artigo escrito para a revista Webdesign n. 2

É uma ironia eu confessar isso por escrito, mas... anda difí­cil escrever. Não que palavras me faltem, isso não. Sou tão verbal que meu cérebro funciona em DOS, sem interface gráfica. Sou um candidato a Cyrano de Bergerac com nariz e tudo. Nem é o caso de falta de idéias, tampouco: elas ainda me assediam o dia todo e mal dou conta delas, o equivalente cerebral de um Don Juan que passou Italian Pine.

Meu problema é outro. Meu problema é relevância.

Dramática, a questão. É só me ocorrer uma idéia nova e logo vem a asa negra da dúvida, perguntando com voz funesta (em alemão, claro): Und? Pronto, broxei.

Casa Da Sogra: a questão da user experience

artigo publicado na revista WebDesign

Dei uma volta pelo shopping, ontem. Numa vitrine vi um modelo de palm que eu não conhecia. Entrei, o vendedor me mostrou o aparelho, fui embora satisfeito por ter visto de perto aquele palm, por ter manipulado uma máquina que eu só conhecia superficialmente.

Este episódio tão prosaico, se o olharmos de perto, pode também
mostrar como funciona outra maquininha, a maquininha humana. Os
senhores teriam interesse? Sigam-me, por favor.

Em primeiro lugar, por que escolhi um shopping? Resposta: eu não
estava procurando nada especí­fico, estava querendo olhar vitrines
só, e shoppings concentram vitrines de todo tipo. Mais: estava
chovendo muito, e shoppings são cobertos. Por fim, eu queria
circular entre gente bacana sem me preocupar com segurança e
violência.

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