março 18, 2004

franciscano

havia um tigre, também, esplêndido, tigre desmesurado, muito maior do que tudo, cabeçorra gigante me olhando nos olhos, olhos duros a um metro dos meus, tigre que me dedicou um rosnado medonho, um bafo medonho, bocarra e dentes devoradores de homens, tigre blasé e de poucos amigos.

tinha me esquecido da fera. minha memória malandra filtrou esse demônio e deixou na cena só criaturas mansas, um gigante gentil e um turista maltrapilho, são francisco de araque falando a linguagem muda dos mamíferos carentes.

minha memória me enganou. ela tem garras retráteis.

Posted by renedepaula at 5:30 PM | Comments (2)

março 16, 2004

pelo contrário

eu que estendi a mão.

ele que estava em correntes, ele que estava na jaula, e eu lhe pedi carinho. fui eu quem pediu arrego, eu quem pediu calor. eu queria colo, ele se ninava sozinho. eu libérrimo lhe pedi refúgio.

vai ver elefante não precisa de áfricas para ser elefante. ser elefante, quem sabe, é saga para heróis altaneiros, filósofos, sábios estóicos de três toneladas. vai ver o cárcere é sacrifício menor, coisa miúda.

eu me queixando em berço esplêndido, e topo com um impávido colosso.

Posted by renedepaula at 9:16 PM | Comments (0)