entre hoje e amanha devo ultrapassar a marca dos 2.000 followers no meu twitter, embora eu viva avisando que o melhor da minha vida é intwittável e que não adianta me seguir, estou sempre me perdendo :)
pois é, twitter bombou no brasil, apesar da gente nao ter a opcao de twittar e receber por sms (a razao original do limite de 140 caracteres).
e aí eu me pergunto: e se o twitter abolisse o limite de 140 caracteres, o que mudaria?
um adendo: eu mencionei um livro, o Homo Ludens, mas nao me lembrei a tempo do seu autor, Huizinga. aqui está o link:http://en.wikipedia.org/wiki/Homo_Ludens
se alguém fizer uma tag cloud dos textos mais academicos sobre internet algumas palavras vão ficar enormes: velocidade, instantaneidade, sem fronteiras, gratis, infinito, etc, etc etc.
pra quem trabalha do outro lado do balcão, por outro lado, tudo pesa, tudo é lento, tudo atravanca com questoes locais e nada é de graça.
ouça uma reflexão muito pouco acadêmica sobre quanto vale, quanto pesa e quanto dói um bit
o Cavallini que me perdoe, mas eu juro que eu ando preocupadíssimo com a desenvoltura com a qual todos nós desperdiçamos energia. energia, tempo, recursos, memória, afeto...
pense bem: você passa horas e horas por dia diante de uma máquina absolutamente fantástica conectada a tudo o que a humanidade já fez e a quase todos os cérebros do mundo. se voce dissesse pro Leonardo da Vinci ou pro Darwin que isso um dia seria possivel os caras iriam pirar... imagine quantas maravilhas poderiam ser feitas. imagine como seria esse Novo Humano 2.0!
well, e aí? o que você está fazendo com isso tudo?
ouça um leve puxão de orelha sobre o quanto nós inventamos uma nova roda para... girar em falso
nunca é noite na internet: está tudo aberto sempre, você pode entrar e sair e ver e passear a vontade.
a recíproca é verdadeira: todos nós somos vistos, examinados, monitorados, analisados o tempo todo, quer esteja desfilando quase nu nos lifecastings da vida ou... usando webmails e buscas e navegando por ai. e essa nudez vale ouro por ai.
(eu mencionei o maravilhoso Thinking Allowed)
eu escuto a CBN todo dia de manhã e é super legal ouvir um monte de notícias e iniciativas ligadas ao consumo consciente e sustentável, ecologia, transparência na política, etc. e no digimundo, quando vamos começar a questionar se estamos agindo de maneira sustentável, limpa e transparente?
ouça uma cutucada leve na consciência de todos nós que queremos a internet saudável e fecunda
seguir gente demais no twitter ou acompanhar live casts de coisas como a campus party me faz lembrar um filme de decadas atras, Scanners, onde um cara com poderes paranormais pirava num shopping porque ouvia os pensamentos de todo mundo ao mesmo tempo :)
os telepatas que me perdoem, mas nao consigo pensar nada que preste se ficar sintonizando outros cérebros. e você?
ouça uma reflexão de quem prefere reflexão a ecos, ecos, ecos.
hmmm... deve ser mal de libriano, mas eu levo bastante a sério essa história de amar. e amar uma marca é algo que me parece bastante estranho.
ouça uma reflexão cuidadosa sobre um tema delicado: onde colocamos nosso afeto
tão importante quanto o quê é dito e como é dito é... deixar bem claro quem diz e qual sua posição. ou fazemos isso ou... a conversa não tem graça.
quando eu encontro alguém que me diz "meu negócio é tecnologia", "adoro internet", "sou digital no úrtimo", a primeira coisa que tento entender é: numa analogia com gastronomia estou falando com um gourmet, um chef, um garçom, um comilão, um crítico, um nutricionisa...? as perspectivas são completamente diferentes.
ouça uma tomada de posição rápida de alguém que, sem salto alto algum, gosta mesmo é de plataformas
cruzei um amigo outro dia que me disse ter em maos uma pesquisa meio assustadora: trabalhar com emails pingando, IM piscando e N sites abertos... equivale a perder 20 pontos do QI (ou algo assim). multi-tasking e interrupção frequente, segundo o estudo, emburrecem (e deve ser por isso que não lembro dos numeros exatos).
well, quando eu preciso escrever algo mais denso eu me desconecto. em casa estou sem TV alguma faz 2 anos. reduzi drasticamente minha participacao em listas. e vos digo: vale a pena.
acho que finalmente identifiquei algo que me incomoda hoje com essa história de design design design por toda parte: estamos desenhando coisas quando deveríamos estar desenhando possibilidades, futuros, modos de ser.
memória engana a gente. ouvi outro dia um neurocientista dizendo que toda vez que resgatamos uma lembrança nós a alteramos, e ela é regravada diferente. não é como bits e bites. memória vai ganhando sentidos novos com o tempo.
os episódios "finais" do radinho de pilha (meados do ano passado) que antecederam a ida pro radinho no Ning e a criaçao do que hoje é a webees, foram tumultuados, espinhosos mas muito, muito educativos pra mim. hoje decidi revisitar essa história tão longa (7 anos!) e ver algum sentido maior que possa servir de aprendizado pra mais gente.
ouça uma tentativa muito honesta e pessoal de passar a limpo uma história bacana de tantas pessoas
como eu twittei hoje cedo, <2008>2008><2009>... :)
feliz ano novo e... mãos à obra! ou seria melhor dizer... ao trabalho?
ouça meus votos de bom ano e também uma boa pergunta: defina bom :)
calma, calma, nao estou dizendo que eu ou voce estejamos perdendo amizades, nada disso: é que um estudo do twitter mostrou que com o tempo você está sendo ouvido/seguido por cada vez mais gente... que nao é (ainda) amiga sua.
no final voce pode achar que está falando intimamente com a turminha de sempre mas, na real, voce está se expondo à toa diante de milhares de pessoas que nao fazem parte do teu círculo.
ouça uma reflexão rápida sobre o quanto essa história pode explicar a minha história recente
(os links pra pesquisa que eu cito estão aqui: http://radinho.ning.com/profiles/blogs/no-twitter-follower-nao-quer )
estou começando a achar que livro é o máximo ainda: pelo menos eu sei quem escreveu, consigo colocá-lo num contexto histórico, consigo encaixá-lo na vida do autor, consigo parar e retomar quando quiser...
informação na web, por outro lado, padece da sina do que é digital: bits não tem pedigree. pior: bits não tem pudor. explico: o que se diz num bar é diferente do que se diz numa palestra e é diferente do que se diz no trabalho e é diferente do que se diz na alcova. não dá pra misturar.
já na web... quem quiser misturar meu twitter com meu podcast com mensagens de lista com meus blogs autorais, mistura. o resultado vai parecer com o que? comigo é que não. mas o infeliz vai tomar aquele quebra-cabeças como meu retrato fiel. e afinal, voce prefere uma boa foto tua ou um retrato cubista?
nem precisa me dizer: sou meio aristocrático mesmo. nao gosto de futebol, nao gosto de farra, nao gosto de um monte de coisas. e quando menciono um podcast legal é geralmente algo da BBC com pesquisadores de Oxford falando sobre, sei lá, teoria das cordas ou poetas metafisicos ingleses, ou algo da France Culture discutindo Derrida. sou um chato : ) se a internet fosse a minha cara nao seria um sucesso jamais.
mas tem outro aspecto dessas minhas manias que talvez colabore pra internet ser um sucesso: eu nao acredito em criar uma internet que seja reflexo do offline, com tudo o que ele tem de bom e de ruim. eu acredito que internet pode sim ser melhor do que o que nos cerca e que ela pode sim nos transformar, trazendo a tona o melhor de nos.
pra isso acontecer eu acredito numa certa discriminacao sim, que discrimine o que é fecundo do que é estéril, o que é generoso do que é egoísta, o que é grandioso do que é mesquinho. eu acredito numa nova ética e numa nova estética e numa nova prática.
se você também acredita, ouça aqui meus mais sinceros votos de feliz (hum)ano novo
eu não sirvo muito de referencia pra nada: nao gosto de futebol, nao como carne, nao sou festivo... mas felizmente nao vou para o meio do maracanã pegar o microfone e perguntar pras torcidas gigantes se eles não tem nada melhor pra fazer. eu, hein?
mesmo assim... quando o assunto é digimundo eu acho que vou dar murro em ponta de faca até o fim. algumas coisas me incomodam, e se tem algo me incomodando é não ver ninguém incomodado :)
ouça aqui um desabafo super pessoal sobre reis nus que parecem estar muito mais bonitos nus
eventos. eventos. eventos. toda semana um evento. curiosamente... com as mesmíssimas pessoas falando sobre... o que for a bola da vez. curioso isso, não? um amigo chamou isso de falestrantes, e achei divertidíssimo.
ouça um desabafo bem-humorado que fala sobre... quem fala.
a idéia de caos, de liberdade total, de desordem completa tem lá seu romantismo. quer dizer, acho que tem. pra mim, pelo menos hoje, não tem não. não há caos. o que há é mais causas do que se consegue apreender. mesmo na web.
tinha uma gíria nos meus tempos de tv que eu uso até hoje: até a página 3. fulano é honesto? até a página 3. está tudo pronto? até a página 3.
a chave fundamental da web 2.0 é a confiança? até a página 3 :)
ouça uma reflexão sobre confiança, fraternidade e o valor da amizade
eu saí de um curso de exatas pra me formar em humanas. vi de perto (de dentro, alias) os preconceitos recíprocos: engenheiros que achavam humanas "baba", comunicólogos que achavam engenheiros "bitolados". e eu levando tiro dos dois lados por estar no meio do caminho : )
hoje vejo que ambientes sociais podem padecer deste mesmo mal e que faz falta pra todo mundo, sobretudo pra quem é técnico demais, uma visão mais abrangente e... humanizante.
que bárbaro ouvir alguém confirmar e descrever direito o que pra mim era intuição e impressão vaga : ) sim, parece que é verdade: ninguém quer ser gente grande!
Mae West diria pra mim: voce está feliz por me ver ou tem uma rede social no bolso? :D
se você acha que rede social é só coisa de web, saiba que isso já está alavancando software e.... hardware também. eu carrego no bolso aquilo que meus amigos ouvem.
eu queria ter aprendido algumas coisas na escola. ninguem ensina pra gente a arte do desapego. ninguem ensina pra gente a arte de reconhecer quando algo realmente "já era".
ouça um desabafo rápido de quem sempre tem medo de ficar cego ao que é novo
fui procurar agorinha mais informações sobre Jimmy Wales, fundador da Wikipedia. resultado da busca: links e mais links e mais links... pra wikipedia. achar alguma coisa fora da wikipedia foi dificil pra caramba, tive que procurar no meu delicious :)
ouça um desabafo desse dinossauro aqui e por favor me ajude a acreditar que posso estar errado.
post-post: dei palpite sobre o uso do twitter sem anter ter olhado como a Cultura transmite, informa e colabora online. ficam aqui minhas desculpas públicas pelos meus comentários precipitados.
se eu pensar no meu dia a dia, eu vivo em caixas: durmo em uma, desco pra garagem em outra, dirijo uma outra, subo pro escritorio em outra e trabalho em outra. quase zero contato com meu bairro, minha cidade, meus contemporâneos. e isso nao é culpa minha: predios foram desenhados assim, ruas, carros, elevadores... tudo desenhado de forma a otimizar um aspecto sacrificando outros.
quando você pensa coisas digitais... você está encaixotando pessoas, condenando-as a viver em gaiolinhas douradas piando (twitting, em ingles) pra outros engaiolados ou você quer algo mais, quer criar algo que tenha impacto na vida real, na sua comunidade, família, bairro, trabalho?
hmmm.... durante um bom tempo achei que a Teoria da Janela Quebrada fosse um bom guia de conduta: agir rápido antes que a desordem tomasse conta. ontem descobri que isso só não basta....
la vou eu descadastrar mais uma newsletter que vem me oferecer coisas pitorescas da web, videos bizarros e outros equivalentes intelectuais... de jujubas. na boa, isso é o que move a atenção das pessoas? de que pessoas? e mais: se algo quiser ser popular tem que ser "popular"?
quando a gente fica doente procura um médico, um pai-de-santo, um padre... qualquer um que (acreditamos) possa nos curar da doença. isso é decisão pessoal.
mas... e se alguém diz que você está doente sem saber, te oferece o tratamento e é a única que pode dizer se você sarou ou não? hmmm....
faz tempo que venho sinalizando pra isso de inuuuuuumeras formas: a experiencia online nao é da mesma natureza e riqueza da experiencia direta. eu sempre alertei: há riscos, há armadilhas, há que se tomar cuidado.
(well, nao preciso dizer que discursos desse tipo nao fazem o menor sucesso)
acabo de ouvir uma entrevista genial com um academico da UCLA que está descobrindo que:
convenhamos: no twitter, no facebook, nas listas, nos eventos... sao sempre as mesmas figurinhas carimbadas. as vezes tenho a impressao de que estamos num episodio do twilight zone ou no truman show :)
perguntelhas:
eu já andei dizendo por aqui que nem tudo o que é tecnicamente possível é bom. agora me caiu outra ficha: nem tudo o que é tecnicamente possível é humanamente possível. por exemplo: é humanamente impossível seguir pra valer mais de uma duzia de twitteiros :)
ouça uma divagação breve sobre o humanamente impossível
hoje vou fazer uma apresentação sobre tendências e futuro e fiquei pensando: agora que web 2.0 e social media já começam a cair no mainstream, qual vai ser a próxima bola da vez?
ouça uma reflexão rápida sobre futuros perecíveis com data de validade vencida :)
estava ouvindo um economista outro dia e ele deu a chave pra entender a crise financeira: erramos de novo. deixamos os bancos agirem fora da sua área sem nenhum tipo de controle, acreditando que a razao imperaria e tudo se regularia por conta própria.
well, em 1929 deu no que deu. agora em 2008...
ouça um paralelo meio arriscado sobre o risco de se acreditar demais na auto-(indi)gestão
eu venho produzindo sem parar há decadas: artigos, podcasts, vídeos, palestras, screencasts... produzi e publiquei tudo mas nunca me dei muito ao trabalho de "empacotar" direito o que faço. nunca me preocupei direito com a findability ou com a viralizacao daquilo que produzo. mea culpa.
ouça um desabafo personalíssimo de quem vive semeando ao vento sem arar nem colher.
que coisa mais maluca isso... a gente fala fala fala de transparencia, conversaçoes, diálogos, mas tem muita empresa 2.0 por aí ressuscitando algo que parece stalinismo: controle do que é dito, segredos mil, obscurantismo...
bons tempos em que glamour era coisa de cinema, de revista de moda... agora até telefone tem glamour. até busca tem glamour.
a tecnologia avança mas a gente não?
ouça uma divagação nem um pouco glamourosa sobre essas armadilhas em que a gente cai com tanto gosto
a gente fala fala fala em mídias sociais... mas sociabilizar pra valer é coisa rara, coisa rara e importante. nos bons tempos do radinho fazíamos os clássicos tête-à-tête, quem lembra?
sociabilizar, comer amendoim e jogar conversa fora pode ser fundamental pra reforçar laços... e pode ser também um bom teste pra saber se o "mix" da tua comunidade ainda funciona
ouça uma reflexão ligeira sobre os limites da conversação, da colaboração e do pertencimento
não, não, não vou fazer algum trocadilho já gasto como "o fim justifica os e-mails"... minha questão é outra, é a mesma de sempre: do que somos capazes, enfim?
(adendo: o link pro podcast de filosofia que eu menciono é este aqui: http://www.philosophy-the-classics.com/ )
acabo de ouvir uma entrevista bárbara sobre a psicologia dos rumores, boatos e fofocas. muito bacana. uma das conclusões é: numa situação como o ambiente de trabalho, rumores podem ir tomando forma, consistência até chegarem muito próximo da verdade, graças a uma série de fatores (ouça o podcast, eu explico).
a questão é: nem todas as condições para "colaboração" propiciam construção de conhecimento, nem todas as trocas de informações convergem e constroem coisas maiores. qual o segredo?
eu nunca curti política, nem pra um lado nem para o outro. cheguei a trabalhar em campanhas e com partidos, e minha impressão é que seja de que lado for o que há são pessoas, com tudo de bom e não tão bom que isso pode significar. acho que foi por isso que me empolguei tanto com internet: me parecia algo novo, uma revolução sem ir pra esquerda ou direita, uma revolução para ir avante.
so só eu ou vocês estão notando uma politização crescente do digimundo, como se estivéssemos num armagedon digital? sou só eu ou vocês notam também um discurso anacrônico, maniqueísta, separatista no ar?
passado de novo não... please. eu quero sentir no ar cheiro de coisa nova, de ventos novos. quero inovação real na maneira como nos relacionamos.
ouça uma reflexão muito pessoal sobre bandeiras, anacronismos e esse passado que não passa
se eu for acreditar que aquele produtinho na televisão vai me deixar sarado como o apresentador, eu vou cair do cavalo. o cara deve malhar o dia inteiro, não faz mais nada da vida e o produtinho nem diferença faz. idem pra seguir os conselhos de algum iogue ou monge zen: o cara tem scorecard pra cumprir? e padres, podem dar alguma luz nas minhas confusões afetivas?
pois é, essas situações são bizarras mesmo. mas e quanto aos digi-gurus falando por aí, será que o que eles pregam serve pra você? será que aquilo que para eles é remédio maravilhoso pra você não é veneno? se você tem muito a perder, como pode ouvir alguém que não tem as mesmas responsabilidades?
ouça uma digressão rápida sobre o risco de se acreditar em gatos... por lebres
se você for a Lima, Cidade do México, Bogotá, vai notar que as cidades têm desenho similar. coincidencia? nao: o império espanhol tinha regras e guidelines sobre como construir uma capital, o que incluía evitar pântanos, buscar regiões planas, construir uma praça central com catedral, proximidade de rios, etc etc etc.
já a colonização portuguesa foi diferente. quem leu "raízes do brasil" do sérgio buarque de hollanda lembra que não fazia parte da mentalidade "dominar a natureza", isso não fazia sentido. a cultura dos colonizadores era de se adaptar, construir com mínimo esforço, fazer ruas seguindo as curvas do terreno, ficar perto da costa...
será que é por isso que no ambiente online a geração mais nova tem uma certa alergia a regras, a moderadores, a políticas e prefira ir levando de improviso? será que eles não percebem que o design e a arquitetura de um ambiente já são por si só uma forma de imposição e poder?
calma, calma, não estou insinuando que ficar na internet engorde ou nos deixe disformes, nada disso :) estou preocupado é com saúde sim, mas saúde dos ambientes online.
como funcionam nossos anticorpos sociais? como, num ambiente online, reagimos quando entra alguém "de fora"?
parodiando shakespeare, há mais filosofias entre o céu e a terra do que sonha nossa van misteriosa. por isso eu sempre, sempre estranho quando alguém diz que segue um caminho X por "uma questão filosófica". e está encerrada a conversa.
ué, filosofia não é justamente debate, análise, entendimento? aliás... filosofia qual? tem tantas!
vou direto ao ponto:
duas questões que são incômodas, ao menos pra mim. afinal... nem todo mundo tem tempo pra N redes sociais e N twitters/jaikus/pownces/plurks. aliás... por que algumas pessoas têm tanto tempo assim pra isso? e quem são essas pessoas?
ouça aqui algo que eu adoraria que muita gente estivesse ouvindo, mas que não ouvem podcasts nem sabem o que é isso
o George Orwell errou: não temos um Big Brother Watching You. temos uma multidão de little brothers seguindo você por toda parte.
tempos atrás, antes do que chamamos de web 2.0, voce podia fazer parte de um ou outro grupo online e pronto. e usar um ou outro messenger. em cada "lugar" desses você podia se comportar como lhe aprouvesse: mais formal em um, mais informal em outro, etc.
hoje alguém pode acompanhar o que você publica no twitter, no blog, em N comunidades, na TV, radio, etc... e por mais que em cada um você aja de uma maneira que te convém, as pessoas que fazem esse "buffet self-service" da tua vida online vão te cobrar... uma coerência impossível.
eu volta e meia escuto a conversa que tudo é conversa: marcas são conversações, empresas são conversações, internet deve ser uma conversação... ok, a idéia é inspiradora e poética, mas será que se não precisamos conversar mais a respeito?
quando uma conversa é realmente uma conversa? se o James Joyce fosse conversar com os críticos a cada capítulo... teria escrito Ulisses? você prefere ir a um restaurante com um cardápio surpreendente e inovador ou prefere pedir pra ele fazer a comidinha que você comia em casa? quando uma conversa é real e quando é fingida?
suponhamos que você faça parte de uma comunidade online. ou de várias. na prática, pra quem está olhando de fora, isso se traduz em você ligar teu computador, ler e escrever emails. pra quem está olhando, é uma atividade solitária. para você, no entanto, você está interagindo com amigos, participando de histórias, todo um universo complexo... que existe sobretudo na sua cabeça.
você já parou para pensar nisso? já parou para pensar nos mundos e tramas e histórias que você montou na sua cabeça para mapear tuas interações digitais?
e vem a pergunta: quão diferentes são os mapas, projeções, imagens e expectativas e sonhos e afetos de cada um dos envolvidos nessa história toda?
sim, sim, falei graMa e não graNa. grama, gramado, jardim... estava na hora de falar de coisas mais floridas e fecundas :)
estava eu lendo sobre como os gramados impecáveis viraram uma marca registrada da paisagem norte-americana e me caiu uma ficha: a hora que percebermos que todos nós temos um "gramado" online, vamos zelar melhor por ele, pela saúde da internet, pela colaboração online...
ouça uma reflexão solta sobre comunidades online, colaboração, ervas daninhas e urbanismo digital
estava ouvindo ontem o Jason Calacanis e ele mencionou algo interessante: o fato de algo ser tecnologicamente simples e fácil e óbvio e factível (copiar arquivos, publicar globalmente,etc) não significa que seja necessariamente bom ou viável ou desejável ou promissor. existe um descompasso perigoso nessa história, e achar que o que é digital não tem limites tem lá suas limitações
ouça um pouco de prosa a respeito do verso e reverso das nossas idéias mais poéticas
essa idéia me ocorreu num estalo, hoje. no meio de uma apresentação alheia, aliás. e náo me contive e compartilhei minha teoria no ato. só depois que vi que fui precipitado e a idéia merecia ser melhor explicada.
vamos lá: minha tese foi "o blog corporativo surge porque sites corporativos são ruins... e blogs corporativos são os puxadinhos corporativos".
well, tive que me explicar depois. nada contra blogs corporativos... eu mesmo tenho blog na Microsoft. mas blogs corporativos podem dispersar conhecimento, dispersar o relacionamento e competir com a própria marca.
adorei o trocadilho do Max Goehringer na CBN: ilusões de ética. nessa nossa fase em que muita está fácil comprar um kit bem-bolado de "pareça-ético-e-2.0", acho que vale a pena ouvir uma reflexão rápida sobre a superficialidade, percepção e a questão mais difícil de todas: como ser ético sempre
MacLuhan que me perdoe por fazer sua frase de gato e sapato, mas acho que o momento permite e exige: a hora em que alguém (tv, radio, blogueiros inclusive) adota um modelo X de receita há de mudar a "receita" de como fazer as coisas. praticamente inelutável.
ouça uma digressão gratuita sobre o que pode acontecer quando as coisas não são mais gratuitas
ok, a web 2.0 é mais ou menos como a invenção da roda: muda tudo. mas isso não quer dizer que você vá se lançar (ou lançar sua marca, empresa, reputação) ladeira abaixo num carrinho de rolimã. ou vai atravessar um abismo na corda-bamba pedalando num monociclo.
web 2.0 é tão segura e útil quanto mais dispositivos de controle e segurança ela tiver. essa é minha tese. por isso alguns ambientes degringolam e outros não, por isso algumas iniciativas são exemplares e outras uma tragédia.
ouça uma reflexão rápida sobre web 2.0 com airbags, suspensão e, sobretudo, seguro contra sinistros
eu me exponho muito. faz tempo. fotos, textos, artigos, podcasts, listas de discussão... faz mais de 10 anos.
aprendizado bacana: compartilhar faz bem, colaborar idem.
aprendizado não tão bacana: por mais que sejamos geeks e early adopters e descolados, continuamos fantasiando e criando mitos e amando e odiando e venerando e crucificando gente que NUNCA encontramos ao vivo.
a armadilha da projeção e da fantasia é um dos riscos mais nefastos mesmo na era 2.0.
vou tocar num ponto nevrálgico de tudo o que falamos sobre web 2.0: a sabedoria das multidões. a questão é: pessoas em grandes números geram sabedoria ou beleza ou inovação "do nada" ou é preciso algum tipo de "plataforma", "ambiente", "framework" pra isso?
minha tese é simples: precisa.
ouça uma digressão de Lagos a Paris passando pela periferia e pessoas voadoras :)
quando eu era garoto tinha uma canção da elis, "velha roupa colorida" que dizia:
No presente a mente, o corpo é diferente E o passado é uma roupa que não nos serve mais
mas havia outra também, "como nossos pais" (ambas do Belchior, acho), que dizia:
Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo o que fizemos Ainda somos os mesmos E vivemos Ainda somos os mesmos E vivemos Como os nossos pais
essas canções tem 30 anos mas acho que ainda estão valendo: cada geração nova inova... mas também repete, também reincide nas mesmas armadilhas de sempre, que é descartar o que parece velho (e muitas vezes não é) e abraçar o revolucionário (que muitas vezes tb não é)
ainda estou digerindo devagarinho a transformação meio acidentada do radinho de uma lista de emails para um ambiente online no Ning e, graças a um podcast que ouvi por acaso hoje, me caiu uma ficha interessante: enquanto eu sempre acreditei que a maneira como um ambiente é construído e conduzido "forma", "educa" quem o utiliza (e por isso o radinho tinha um certo protocolo), estamos hoje numa era onde o lema é "expressar-se". pode parecer sutil, mas focar apenas na "expressão" pressupõe e implica muita coisa.
eu vivo só. de manhã ligo o rádio na CBN, em parte para ouvir notícias, em parte por me sentir rodeado de pessoas que já fazem parte da minha vida.
eles me conhecem? não. estão falando comigo? não. mas a ilusão é bem-vinda.
novelas também são assim: elas entram "de graça" nas nossas casas e passam a fazer parte da nossa vida caseira. os personagens são mais reais que os atores.
e comunidades online, até que ponto não se parecem com isso? quantos de nós não "sintonizamos" listas apenas para ouvir o zunzunzum todo dia? e aqueles que efetivamente interagem, até que ponto estão realmente "conversando", já que email não é conversa, mas solilóquio com direito a réplica? se eu nunca vi meu interlocutor digital, quem me garante que não estou fantasiando sobre quem e como e por quê ele é?
em suma: a tecnologia avançou mas talvez estejamos cada vez mais reféns da nossa imaginação, cada vez mais expostos a quimeras e fantasmas, cada vez mais sujeitos a paixões vazias. em suma: pense duas vezes. reveja. e, por favor, ouça e passe adiante e comente e divulgue o que talvez seja minha reflexão mais importante nos últimos tempos
ok, o que move a colaboração são pessoas e não a tecnologia sozinha, mas minha tese é: o ambiente que a tecnologia cria influencia em muito na maneira em que as pessoas se comportam.
agora que estou tramando a terceira encarnação do radinho, ouça uma leve teorizada sobre velocidade, momento, timing e mecânica da colaboração online
um ambiente social online é o quê, afinal? ok, a resposta correta é: as pessoas que o habitam, mas isso é tudo? eu posso comer a mesma coisa que o javier barden todo dia mas um mês depois minha cara ainda é a mesma, só mais velha :) DNA faz toda a diferença.
o radinho nasceu com um DNA claro, com uma fórmula definida, e cresceu em torno disso. cresceu até ficar claro que... a fórmula precisava de ajustes. e é isso que estou fazendo agora, matutando a fórmula nova.
só sei uma coisa: conversar é bom. colaborar faz bem. e um bom ambiente estimula e ensina o prazer de colaborar. ok, sao tres coisas.
ouça aqui o que eu ando matutando e acompanhe no roda e avisa as cenas dos próximos capítulos
redes sociais têm uma vitalidade extraordinária. basta semear uma idéia num terreno fértil e uma rede brota, cria raízes, cresce e dá belos frutos. mas mesmo árvores crescem até um certo ponto... e então começam a lançar sementes que vão vingar em outras paragens.
o radinho cresceu, ficou frondoso, seus frutos são bons. e agora, o que vem depois disso?
ouvi outro dia uma entrevista bárbara com o autor do livro Predictably Irrational (previsivelmente irracionais), e muita coisa passou a fazer sentido, sobretudo a falta de sentido :)
resumindo: somos ótimos pra várias coisas, mas somos uma lástima para outras. futuro, mudanças, novidades... somos péssimos para lidar com tudo aquilo que ainda não conhecemos. resultado? sofremos, decidimos mal, desperdiçamos oportunidades...
se os jornais online estão em crise eu nao sei, mas sei que uma coisa basica do jornalismo continua valendo: quem? onde? como? quando? por que? e por aí vai...
ouça uma reflexão ligeira sobre as perguntas que todo mundo devia se fazer quando vê um projeto 2.0
eu não sou acadêmico nem teórico mas faz tempo que venho experimentando a química e a mecânica dessa tal de colaboração. que forças a regem? quais seus limites? como funciona e como não funciona?
na falta de maior background a respeito, me aventurei no caminho empírico mesmo. eu gosto, tenho tempo e energia pra isso. mas vou ter tempo sempre? quem tem, afinal?
ouça aqui um desabafo rápido de quem se pergunta todo santo dia: quem tem tempo pra isso afinal?
A Obra Aberta é o título de um livro do Umberto Eco que eu recomendo bastante, li-o faz décadas mas acho que continua valendo... ainda mais depois de ter ouvido o Raphael Vasconcellos no MIX essentials.
o Raphael é diretor de criação da AgênciaClick e falou algo genial: temos que criar coisas incompletas. isso mesmo: in-com-ple-tas.
estava eu a caminho de um evento (o Conexão Bites) e fui pensando comigo... o que vou tenho para falar para a platéia?
well, nessas horas vale a pena voltar pro básico: Aristóteles. o cara já dizia: uma estória pode ser impossível, fantástica, mas jamais... inacreditável. pronto, achei meu gancho: nessa época em que empresas e marcas querem parecer gente como a gente, até que ponto dá pra acreditar?
ouça uma reflexão ligeira num trânsito não tão ligeiro sobre web 2.0, story-telling e autenticidade.
eu quaaaase virei engenheiro, quase. aos 45 do segundo tempo me reinventei e fui pra comunicações. de exatas pra humanas num salto no vácuo sem joelhada.
em suma: conheço de dentro exatas e humanas, e aprendi que acima de tudo somos... biológicos, muito mais pra bio do que pra lógicos,
eu já venho batendo nessa tecla faz um certo tempinho, eu sei, mas estou realmente intrigado com uma questão bastante antiga, já, daquelas que se aprende na primeira aula de marketing: nós não somos o mercado.
trazendo essa questão clássica pro digimundo eu pergunto: os "usual suspects", as figurinhas carimbadas da mídia social e os habitués de comunidades online... eles são (nós somos) representativos de alguma coisa?
ontem saiu uma notícia onde um executivo da Sun dizia de maneira provocadora: em pouco tempo vai soar anacrônico dizer "eu blogo". eu assino embaixo... e nem preciso esperar esse tempo chegar :)
ouça aqui uma reflexão rápida sobre A grande questão: como comunicar.
acho que foi o manifesto cluetrain que popularizou a história de que a internet é feita de e para conversas. boa colocação. eu pergunto, porém: até que ponto uma conversa é realmente uma conversa?
ouça uma digressão rápida de alguém que talvez você nem devesse mais estar ouvindo. ou não :)
estava acompanhando aqui a cobertura do evento Web 2.0 em San Francisco e me caiu a ficha: tudo mudou :)
ao invés de start-ups com nomes engraçados e propostas revolucionárias, empresas gigantes como Microsoft, Yahoo! e Google apresentando seus planos e visões de plataformas para a (ainda chamada como) "web 2.0".
que mudança, não?
ouça algumas considerações ensolaradas sobre como vanguardas acabam em ímãs de geladeira :)
ontem estava conversando com velhos amigos, daqueles dos tempos pré-diluvianos e me caiu a seguinte ficha: a internet é a arca de Noé, onde toda a fauna embarcou antes que o mundo acabasse em água :)
lindo isso, tão lindo quanto aqueles desenhinhos mostrando a girafa e o girafo, o leão e a leoa, todo mundo subindo antes que as águas subissem. ninguém falou, porém, como manter a bicharada toda em paz sem um jantar o outro.
outro dia me envolvi de novo numa conversa sobre "no futuro tudo será online, nada mais offline, e blá-blá-blá" e me peguei de novo respondendo: "bárbaro, então jogue fora teu mp3 player, teu celular com 16G, teu HD novo SATA de 750G e ligue pro Steve Jobs pra ele desencanar de vender 1 bilhão de músicas" :)
ouça aqui uma reflexão ligeira sobre as mil possibilidades bacanas enquanto o tal do futuro não vem
ok, ok... com um título desses até parece que vou falar de Isaac Newton ou então de sacanagem, mas o tema é outro: o que torna atraente um determinado espaço social, seja ele uma comunidade online... ou uma padaria de bairro?
ouça uma reflexão pública num lugar idem sobre aquilo que nos atrai e nos repele
que bom que uma ouvinte me avisou: eu estava gravando com volume muito baixo. agradeço :)
mas por que raios eu não percebi isso antes, nem corrigi, nem editei, normalizei, filtrei e realcei o áudio? por que eu publico as is, do jeito que gravei sem ensaio nem roteiro? preguiça?
que eu e você somos homo sapiens você já sabia. se você leu o maravilhoso e fundamental Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Hollanda, sabe que somos também homo cordialis :)
mas eu ainda prefiro me ver como homo faber, um humano que fabrica, produz, faz.
se pararmos pra pensar, a web 1.0 era pra homo sapiens, era só informação, informação, informação. mas agora todos podemos produzir e criar, e o homo faber sorri :)
ouça aqui uma reflexão improvisada de quem produz sem parar.
algumas décadas atrás os arquitetos se apaixonaram pelo aço e vidro. que maravilha poder construir prédios e casas transparentes! seria o começo de uma nova era, de um novo homem, de uma nova história!
well, não foi bem assim. na primeira oportunidade a gente coloca uma boa cortininha pra poder andar pelado tranqüilamente. e muita dessa arquitetura revolucionária acabou virando sede de empresas milionárias e milionários.
isso me lembra muito esse entusiasmo incondicional com a web 2.0: será que não haveria um paralelo aí?
ouça uma reflexão urbana de quem nasceu em berço de asfalto.
volta e meia encontro alguém me dizendo "internet é X", "internet deve ser Y", "o espírito da internet é Z" e mais um desfile de verdades absolutas que, confesso, não tenho idéia de onde saíram. da academia, será? não sei... de visionários? talvez....
é engraçado para mim quem diz que tecnologia "é" alguma coisa. para mim tecnologia "está" alguma coisa, tecnologia está mudando e ganhando novos sentidos o tempo todo.
internet em 96 era por telefone. você se conectava, fazia o que tinha que fazer e se desconectava pra não ocupar demais a linha. naquela época dava pra falar em cloud computing? ou em softwares como serviços? não... e agora, já dá?
finalmente temos voz, todos nós :) finalmente vozes humanas, e não o nhem-nhem-nhem que não engana mais ninguém.
mas quem garante que as vozes não falam da boca pra fora? ou que não tenha gente pondo palavras em outras línguas?
tudo mudou :) adeus podcasts com audio sofrido, sofrível e safado. agora é estéreo :)
tecnologia é assim, não pára. como vai ser o roda e avisa daqui a 10 anos? pensando bem... acho que não vai mudar muito, vou continuar contando histórias.
e você, que histórias vai ter pra contar daqui a 10 anos?
ouça uma reflexão agora em estéreo sobre como nunca ficar obsoleto nem... estéril
eu ainda acredito que internet fez e faz tanto sucesso porque estávamos todos cansados das promessas furadas da propaganda manipulando desejos. internet parecia outra praia, mais autêntica, um campo de nudismo onde tudo anda exposto sem medo de ser feliz.
mas nudez é algo complexo... nem todo mundo fica à vontade, nem todo mundo fica lindo pelado, por mais que haja photoshops e similares pra retocar imagens.
e a imagem pública, como "dar uma levantada"? well, tem gente aí usando soushial mídjia para deixar todo mundo lindo de novo.
ouça uma reflexão bastante autêntica sem medo de ser... impopular
internet é uma beleza: podemos ler só o que queremos, assinar os feeds de que gostamos e criar nossos próprios círculos sociais pra conversar com gente parecida conosco. um paraíso, não? ou não?
pense como era antes: você abria um jornal e, mesmo no meio de cadernos que não te interessavam, você trombava com notícias interessantes. idem pra tv. ibidem pra revistas. no final você ficava com uma impressão da realidade mais ampla e mais rica.
nessa era do Search eu pergunto: o que vale mais, buscar ou encontrar?
nessa era dos círculos sociais eu pergunto: sera que estamos pensando em circulos?
ouça uma reflexão em zigue-zague sobre o risco de andarmos em círculo nas mesmas rodinhas
acabo de ouvir na CBN: a lei vai proibir que sites sociais, sites de vídeo e outras formas de conteúdo gerado pelo usuário sejam usados com fins eleitorais.
propaganda eleitoral só na roumipeije do candidato. o resto, não. para piorar: se um vídeo no youtube fizer campanha para um candidato, o candidato é penalizado e não quem fez o vídeo.
que tal? quem disse que quem manda na internet é o usuário? tem mais gente tentando mandar.
ouça uma elocubração matinal sobre quem manda na tal da internet.
ok, eu sei: dificilmente faço um post com uma afirmação tão bold e assertiva, mas é que hoje me caiu uma ficha: na internet não temos espaços sociais nem ambientes, temos palcos. palcos em que alguns atores sobem e atuam enquanto outros ficam na platéia, e assim temos uma cena. e, o que é mais interessante, quem está no palco nem sempre "representa" (estatisticamente e nao do ponto de vista dramatúrgico) quem está na platéia.
ok, ok, a idéia é meio enrolada, mas talvez nossa vida social toda seja assim. e nada mais natural do que a internet imitar a vida que imita a arte :)
ouça um solilóquio rápido sobre colaboração, mídia social (argh), comunidades e... mise-en-scène
eu não gosto de futebol. nem de copa do mundo. aliás, nunca consegui entender essa história de torcer para um time a vida toda: se os jogadores mudam de time sem pensar, porque os torcedores não?
well, se isso fosse só um problema de entretenimento público ainda vai, mas o drama é perceber esse mesmo tipo de mentalidade... no digimundo. na boa: quem torce, distorce. e isso não combina com tecnologia.
a vida não só é curta como tem outra chateação: cada um só tem uma perspectiva, uma história, uma maneira de ver o mundo. a graça de sermos humanos, porém, é que podemos sim (se quisermos) ver o mundo pelos olhos dos outros, descobrir outros valores, outras posturas, outras maneiras de ser.
isso é... se quisermos. e muita gente não quer :)
ouça uma reflexão rápida sobre o quanto é importante a gente abrir os olhos para outros olhares
sempre escuto alguém mais entusiasmado achando (ou vendendo a idéia de) que em internet, em se plantando tudo dá. dá mesmo? ou não? well.. eu sei que dá... trabalho, no mínimo :)
o james bond ia morrer de inveja: centenas de milhões de pessoas hoje podem voar de lá pra cá, rodam pelo mundo, têm gadgets maravilhosos e dominam tecnologias super-poderosas. todos nós agora temos super-poderes.
well.. e aí? o que andamos fazendo com esses poderes novos?
daqui a dez anos você vai trabalhar como...? pense. fazendo o mesmo que faz hoje? com o mesmo cargo, título, especialidade? ou será que vale a pena abrir os olhos para novos caminhos?
se você aceita um conselho, considere user experience. a disciplina está crescendo de importância, está virando assunto aqui e ali e logo logo vai começar a precisar de gente especializada. mas o que precisa?
você é apaixonado pelo que faz? tomara que sim. tomara que você tenha várias paixões e possa compartilhá-las com outros apaixonados em comunidades, blogs, o que for.
mas paixão só basta? aonde paixão nos leva?
well, eu sou suspeito pra responder. eu acredito apaixonadamente que é preciso algo mais, é preciso querer ouvir o outro, aprender, apreender, criar vínculos e compromissos e diálogos e cruzar experiências e sonhos. chame isso de amor, se quiser.
ouça um desabafo bastante pessoal de quem anda vendo paixões demais e amor de menos.
quem lembra daquele quadro do magritte (outro rené, só que mais talentoso), onde abaixo de um belo desenho de cachimbo está escrito com letra escolar "isto não é um cachimbo"?
pois bem... quando eu vejo alguém dizer "internet é xyz" ou "vamos webificar sua empresa" ou "internet é isso" ou "ele não entende a internet" ou "a informação quer ser isso ou aquilo" eu lembro desse quadro. como alguém pode ter tanta certeza sobre algo tão aberto?
pois é, essa é uma verdade dura: eu não estou falando com você. estou falando PARA você. na verdade, você está lendo letrinhas numa página e ouvindo vibrações de um alto-falante que têm uma relação bastante tênue com o momento concreto, finito, passageiro em que eu... well, você entendeu. aliás... eu também não sei quem é você :)
onde quero chegar, enfim, com essa história toda? simples: até que ponto nossas "conversas" online são conversas? ou melhor... a partir de que ponto deixam de ser conversas?
fui quase todo dia ao campus party. dei palestra, entrevista, reencontrei amigos, fiz amigos novos, vi ao vivo gente que so' conhecia por email e vi ao vivo algumas coisas que me deixaram preocupado: será que quem não foi... ficou com uma impressão legal? será que tudo no campus party "agregou" à nossa causa geral ou... houve gols-contra?
pra começar (ou encerrar) a conversa: tenho horror ao niemeyer. horror. arquitetura pra cartão-postal ou vista aérea, pra mim, não é arquitetura.
na nossa área não é diferente: muito do que é arquitetado pelos grandes manda-chuvas de corporações ou impérios só faz sentido... visto do alto. pro cidadão comum, que só anda a pé clique a clique, a perspectiva é beeem diferente.
de duas, uma (ou ambas, ou talvez uma terceira, sei lá): ou a idade faz com que tenhamos dificuldade de reconhecer o novo ou a idade nos faz ver o quanto de passado ressurge em toda novidade.
de qqer forma eu volta e meia fico meio frustrado em ver gente novinha deixando de inovar pra valer porque se prende ainda a armadilhas antigas: sectarismo, exclusão, vaidade, etc. adoraria que a tecnologia nos livrasse disso, mas parece que... ainda não.
ouça aqui uma confissão não muito fácil de quem achava que ia ser fácil mudar o mundo
engraçado... por que será que nestas bandas criticar quer dizer falar mal? que crítica é vista como ataque? que só há duas opções: rasgar seda ou ser o cara do contra?
curioso isso, não? me faz lembrar programa de auditório: um jurado é sempre sempre sempre o mala, como se ser justo, ponderado e analítico fosse coisa de gente bizarra...
sim, sim, somos todos românticos sonhadores quixotescos querendo mudar o mundo através da tecnologia. sim, sim, todos sonhamos com um mundo melhor. mas... eu morro de medo de utopias, sobretudo porque morre-se muito pra chegar lá :)
uma das coisas mais legais da tecnologia é termos controle, não? ver algo quando, onde e como quisermos, por exemplo. nao somos mais escravos do tempo.
não? well, eu não tenho mais tempo algum e mal consigo gerenciar o tsunami de emails e sms e mensagens e informação. no mundo on-demand, o que mata sao as demandas always on :)
faça uma pausa para ouvir um conselho de amigo: faça uma pausa nessa insanidade toda.
posso abusar do teu ombro e fazer uma confissão? pois bem: pequei. pequei por não aceitar o digimundo como ele é. ou melhor, como ele está ficando. mil perdões, é que eu acreditei em paraíso, sem saber que o paraíso alheio é o inferno de cada um.
ouça minha promessa pra 2008: aceitar o digimundo e as pessoas como elas são, sãs ou não
ok, blog é legal. twitter também. listas de discussão. orkut. mas... quem tem tempo pra isso? e por quanto tempo você vai ter tempo pra isso? e... quem não tem tempo pra isso, como faz?
well, se você tiver um tempinho ouça uma reflexão ligeira sobre momento de vida, perfis de usuário e o que esperar desse mundinho que não espera
pra começo de conversa: eu padeço de um mal estranho. eu tenho sindrome da deficiência torcidística. não torço por nada: time, seleção, esporte, nada. eu sei, eu sei, estou perdendo fortes emoções, não tenho assunto na segunda-feira cedo, etc... mas é de fábrica, não tem mais jeito :)
talvez por isso eu tenha uma dificuldade danada em entender quem se apega demais a marcas, tanto quem ama uma marca X ou odeia uma marca Y. o que são marcas, afinal? e se tudo muda no mundo, por quê teimar em ter sempre a mesma opinião a respeito de algo mutável?
ouça uma reflexão meio grega, meio zen sobre abrir os olhos para aquilo que muda (tipo...tudo)
um dia me caiu a ficha: this is not Kansas anymore. tudo o que eu pensava sobre ambientes sociais online e comunidades e o próprio digimundo estava mudando debaixo do meu nariz (o que é uma área extensa). decidi repensar e refletir a respeito numa série de 10 episódios. resultado: 11, 12, nem sei mais quantos episódios. e lá vai mais um: nem todos têm tempo pra comunidades, enquanto outros têm tempo demais :)
ouça uma reflexão rápida sobre um digimundo que se divide em dois: quem tem tempo, e quem não tem
convenhamos: o digimundo é uma sopa de letrinhas. quando muito uma fotinho, um avatar, uma webcam xumbrega. mas no geral o que trocamos sao letrinhas de lá pra cá, sem saber se nosso interlocutor está sóbrio, nu ou se ao menos é maior de idade.
faz um ano que nao tenho TV. um ano.
well, não morri. mas alguma coisa mudou. e só percebi... quando fui assistir TV de novo.
gravei este podcast no aeroporto de Porto Alegre, voltando do Encontro de Webdesign e de uma manhã memorável com Michel Lent e Raphael Vasconcellos. voltei tão empolgado com o que vi e com o que discutimos que abri o laptop no Salgado Filho e gravei um podcast triplo: um três-em-um de idéias soltas.
ou... clique e ouça aqui (em SIlverlight!):
o bom da web 2.0 é que agora tudo é fácil. fácil blogar, fácil se comunicar, fácil criar comunidades...
mas será que isso por si só basta? eu acho que não... sobretudo porque boas conversas não são fáceis, não são fáceis de se achar nem fáceis de se conduzir. mas as conversas difíceis é que valem a pena, não?
ouça uma reflexào bastante pessoal sobre a difícil arte da boa conversa.
é tudo mentira. to falando a verdade :)
se você acompanha meu twitter vai achar que eu solto pérolas o dia todo. se acompanhar o solo vai achar que só falo maravilhas. se você olhar uma banca de revistas, vai achar que ninguém no mundo tem rugas. se ler um artigo, vai achar que as pessoas são articuladíssimas e têm um português perfeito.
por isso o roda&avisa sempre foi "bruto", sem edição. a vida como ela é. mas... e se eu fosse mais caprichoso? será que a nossa percepção não curte uma "ediçãozinha" da realidade? e se nosso cérebro digere melhor quando as coisas já vem pré-mastigadas, temperadas e bem apresentadas?
ouça uma reflexão meio estranha sobre o papel do "embelezamento" na experiência do usuário
ou... clique e ouça aqui:
boas notícias: voltei a publicar meus podcasts sem pé nem cabeça :) como a ave que volta ao ninho antigo depois de um longo e tenebroso inverno... quem lembra do poema? eu sei de cor, por mais estranho que isso seja na era da busca universal e ubíqua.
ok, sou anacrônico, tão anacrônico que gosto de... jornal. de revista. de veículos como a BBC. eu uso agregadores, eu leio blogs... mas tenho um gosto enorme por publicações e livros. quanto tempo isso há de durar?
ouça uma reflexão meio saudosista sobre a deliciosa user experience de um bom produto editorial
um incidente recente (o sexto, na verdade) com um site de comunidades me serviu pra três coisas:
um problema no sistema de autenticação e buuum! milhões de pessoas sem skype por um bom (ou péssimo) tempo.
e quem dependia desse serviço, como ficou?
esses serviços online são como oxigênio: a gente nem pensa que eles estão no ar, mas quando faltam... é letal.
ouça uma reflexão rápida sobre nossa crescente dependência... do impalpável
é simples: não falamos a mesma língua. pior: não pensamos da mesma maneira. é um milagre que nos comuniquemos.
no dia-a-dia presencial ainda vai, é só bater o olho que dá pra ter uma idéia da tribo a que alguém pertence: tem cabelo verde? grisalho? espetado? usa piercing? gravata? o sotaque é de onde?
mas e no online, no email, no messenger? onde enquadrar alguem... que nao conhecemos?
ouça uma reflexão sobre como conversar direito... às cegas.
como saber se uma comunidade vai bem? um dos parâmetros pode ser... o diálogo, a conversa coletiva.
mas como saber se uma conversa vai bem? pelo que é dito?
minha dica: o sinal mais claro pode ser... o que não é dito. ou quem parou de falar. ou os assuntos que sumiram do mapa.
uma das questoes que mais me intriga e fascina desde sempre e' Poder. ok, ok, li demais foucaults e delleuzes e canetti, tenho ranços 68-ianos, mas agora, em plena web 2.0, a questao ressurge onde menos se imagina. por exemplo... no modesto e inglorio papel de quem lidera uma comunidade. nao importa a postura que voce adote, sempre vai haver dois fantasmas: o que as pessoas esperam do seu papel (argh) e o que elas projetam inconscientemente em voce (ai ai).
como já dizia um grego, tudo muda. como já dizia outro grego, existem essências imutáveis.
well, eu prefiro o primeiro grego, o Heráclito. mas a cabeça da gente funciona muito como a do segundo grego, Aristóteles: a gente quer que as coisas sejam idênticas sempre.
e uma comunidade, o quanto ela podem mudar sem deixar de ser... ela mesma?
ouça uma reflexão de alguém teimosamente fascinado com algo essencialmente... mutável.
hoje é o dia da amizade, e a coincidência é feliz: eu sou adepto praticante nao da fraternidade, porque isso já deu o que tinha que dar (e não foi tão bom). eu proponho e pratico e prego... a amizade como política, seja na first life ou em comunidades online.
comunidades se formam a partir de algo comum, uma chama. mas e se... essa chama gerar incêndios? que assuntos são inflamáveis? o que fazer com tipos explosivos? e como eliminar a fumaça ao final?
você entra num bar pela primeira vez. como você sabe se vale a pena ficar ou não? como você sabe se dá pra chavecar a esmo... ou não? como você sabe se veio com a roupa certa?
comunidades têm um pouco disso: quer haja regras explícitas em alguma parede ou não, o comportamento clássico de quem entra é prestar atenção por um tempo até intuir como as coisas funcionam, que assuntos são pertinentes, qual a maneira correta de se comportar.
well, mas agora que cada um entra e sai de 100 comunidades por minuto, será que dá tempo de sentir o ambiente? dá tempo de apreender alguma coisa? talvez não.
comunidades parecem surgir do nada, mas não é bem assim: existe uma paixão, uma obsessão, algo muito intenso que atrai e aglutina seus membros, e essa paixão ou existe... ou não.
a paixão só basta? well, talvez pra lua-de-mel sim, mas comunidades são como relacionamentos: se desenvolvem, frutificam, e podem desandar irreversivelmente.
se comunidades podem acabar.... como evitar isso? como conviver com isso?
faz tempo que não faço uma boa série do tipo "10 micos em projetos online". eu gosto desse desafio, sobretudo porque normalmente só sei o que gravar no primeiro episódio e tenho que dar tratos à bola pros outros 9 :D
comunidades, ambientes sociais, social hubs... tudo isso ganhou novos sentidos com a história de web 2.0. acho que vale a pena eu revisitar o tema e compartilhar com vocês algumas idéias, aprendizados e, sobretudo, equívocos :)
ouça uma reflexão um pouco mais longa que o normal sobre comunidades, confiança, guerrilha e os esperto-men batendo na nossa porta