ok, o que move a colaboração são pessoas e não a tecnologia sozinha, mas minha tese é: o ambiente que a tecnologia cria influencia em muito na maneira em que as pessoas se comportam.
agora que estou tramando a terceira encarnação do radinho, ouça uma leve teorizada sobre velocidade, momento, timing e mecânica da colaboração online
um ambiente social online é o quê, afinal? ok, a resposta correta é: as pessoas que o habitam, mas isso é tudo? eu posso comer a mesma coisa que o javier barden todo dia mas um mês depois minha cara ainda é a mesma, só mais velha :) DNA faz toda a diferença.
o radinho nasceu com um DNA claro, com uma fórmula definida, e cresceu em torno disso. cresceu até ficar claro que... a fórmula precisava de ajustes. e é isso que estou fazendo agora, matutando a fórmula nova.
só sei uma coisa: conversar é bom. colaborar faz bem. e um bom ambiente estimula e ensina o prazer de colaborar. ok, sao tres coisas.
ouça aqui o que eu ando matutando e acompanhe no roda e avisa as cenas dos próximos capítulos
redes sociais têm uma vitalidade extraordinária. basta semear uma idéia num terreno fértil e uma rede brota, cria raízes, cresce e dá belos frutos. mas mesmo árvores crescem até um certo ponto... e então começam a lançar sementes que vão vingar em outras paragens.
o radinho cresceu, ficou frondoso, seus frutos são bons. e agora, o que vem depois disso?
ouvi outro dia uma entrevista bárbara com o autor do livro Predictably Irrational (previsivelmente irracionais), e muita coisa passou a fazer sentido, sobretudo a falta de sentido :)
resumindo: somos ótimos pra várias coisas, mas somos uma lástima para outras. futuro, mudanças, novidades... somos péssimos para lidar com tudo aquilo que ainda não conhecemos. resultado? sofremos, decidimos mal, desperdiçamos oportunidades...
se os jornais online estão em crise eu nao sei, mas sei que uma coisa basica do jornalismo continua valendo: quem? onde? como? quando? por que? e por aí vai...
ouça uma reflexão ligeira sobre as perguntas que todo mundo devia se fazer quando vê um projeto 2.0
eu não sou acadêmico nem teórico mas faz tempo que venho experimentando a química e a mecânica dessa tal de colaboração. que forças a regem? quais seus limites? como funciona e como não funciona?
na falta de maior background a respeito, me aventurei no caminho empírico mesmo. eu gosto, tenho tempo e energia pra isso. mas vou ter tempo sempre? quem tem, afinal?
ouça aqui um desabafo rápido de quem se pergunta todo santo dia: quem tem tempo pra isso afinal?
A Obra Aberta é o título de um livro do Umberto Eco que eu recomendo bastante, li-o faz décadas mas acho que continua valendo... ainda mais depois de ter ouvido o Raphael Vasconcellos no MIX essentials.
o Raphael é diretor de criação da AgênciaClick e falou algo genial: temos que criar coisas incompletas. isso mesmo: in-com-ple-tas.
estava eu a caminho de um evento (o Conexão Bites) e fui pensando comigo... o que vou tenho para falar para a platéia?
well, nessas horas vale a pena voltar pro básico: Aristóteles. o cara já dizia: uma estória pode ser impossível, fantástica, mas jamais... inacreditável. pronto, achei meu gancho: nessa época em que empresas e marcas querem parecer gente como a gente, até que ponto dá pra acreditar?
ouça uma reflexão ligeira num trânsito não tão ligeiro sobre web 2.0, story-telling e autenticidade.
eu quaaaase virei engenheiro, quase. aos 45 do segundo tempo me reinventei e fui pra comunicações. de exatas pra humanas num salto no vácuo sem joelhada.
em suma: conheço de dentro exatas e humanas, e aprendi que acima de tudo somos... biológicos, muito mais pra bio do que pra lógicos,
eu já venho batendo nessa tecla faz um certo tempinho, eu sei, mas estou realmente intrigado com uma questão bastante antiga, já, daquelas que se aprende na primeira aula de marketing: nós não somos o mercado.
trazendo essa questão clássica pro digimundo eu pergunto: os "usual suspects", as figurinhas carimbadas da mídia social e os habitués de comunidades online... eles são (nós somos) representativos de alguma coisa?
ontem saiu uma notícia onde um executivo da Sun dizia de maneira provocadora: em pouco tempo vai soar anacrônico dizer "eu blogo". eu assino embaixo... e nem preciso esperar esse tempo chegar :)
ouça aqui uma reflexão rápida sobre A grande questão: como comunicar.
acho que foi o manifesto cluetrain que popularizou a história de que a internet é feita de e para conversas. boa colocação. eu pergunto, porém: até que ponto uma conversa é realmente uma conversa?
ouça uma digressão rápida de alguém que talvez você nem devesse mais estar ouvindo. ou não :)
estava acompanhando aqui a cobertura do evento Web 2.0 em San Francisco e me caiu a ficha: tudo mudou :)
ao invés de start-ups com nomes engraçados e propostas revolucionárias, empresas gigantes como Microsoft, Yahoo! e Google apresentando seus planos e visões de plataformas para a (ainda chamada como) "web 2.0".
que mudança, não?
ouça algumas considerações ensolaradas sobre como vanguardas acabam em ímãs de geladeira :)
ontem estava conversando com velhos amigos, daqueles dos tempos pré-diluvianos e me caiu a seguinte ficha: a internet é a arca de Noé, onde toda a fauna embarcou antes que o mundo acabasse em água :)
lindo isso, tão lindo quanto aqueles desenhinhos mostrando a girafa e o girafo, o leão e a leoa, todo mundo subindo antes que as águas subissem. ninguém falou, porém, como manter a bicharada toda em paz sem um jantar o outro.
outro dia me envolvi de novo numa conversa sobre "no futuro tudo será online, nada mais offline, e blá-blá-blá" e me peguei de novo respondendo: "bárbaro, então jogue fora teu mp3 player, teu celular com 16G, teu HD novo SATA de 750G e ligue pro Steve Jobs pra ele desencanar de vender 1 bilhão de músicas" :)
ouça aqui uma reflexão ligeira sobre as mil possibilidades bacanas enquanto o tal do futuro não vem
ok, ok... com um título desses até parece que vou falar de Isaac Newton ou então de sacanagem, mas o tema é outro: o que torna atraente um determinado espaço social, seja ele uma comunidade online... ou uma padaria de bairro?
ouça uma reflexão pública num lugar idem sobre aquilo que nos atrai e nos repele
que bom que uma ouvinte me avisou: eu estava gravando com volume muito baixo. agradeço :)
mas por que raios eu não percebi isso antes, nem corrigi, nem editei, normalizei, filtrei e realcei o áudio? por que eu publico as is, do jeito que gravei sem ensaio nem roteiro? preguiça?
que eu e você somos homo sapiens você já sabia. se você leu o maravilhoso e fundamental Raízes do Brasil, do Sérgio Buarque de Hollanda, sabe que somos também homo cordialis :)
mas eu ainda prefiro me ver como homo faber, um humano que fabrica, produz, faz.
se pararmos pra pensar, a web 1.0 era pra homo sapiens, era só informação, informação, informação. mas agora todos podemos produzir e criar, e o homo faber sorri :)
ouça aqui uma reflexão improvisada de quem produz sem parar.
algumas décadas atrás os arquitetos se apaixonaram pelo aço e vidro. que maravilha poder construir prédios e casas transparentes! seria o começo de uma nova era, de um novo homem, de uma nova história!
well, não foi bem assim. na primeira oportunidade a gente coloca uma boa cortininha pra poder andar pelado tranqüilamente. e muita dessa arquitetura revolucionária acabou virando sede de empresas milionárias e milionários.
isso me lembra muito esse entusiasmo incondicional com a web 2.0: será que não haveria um paralelo aí?
ouça uma reflexão urbana de quem nasceu em berço de asfalto.
volta e meia encontro alguém me dizendo "internet é X", "internet deve ser Y", "o espírito da internet é Z" e mais um desfile de verdades absolutas que, confesso, não tenho idéia de onde saíram. da academia, será? não sei... de visionários? talvez....
é engraçado para mim quem diz que tecnologia "é" alguma coisa. para mim tecnologia "está" alguma coisa, tecnologia está mudando e ganhando novos sentidos o tempo todo.
internet em 96 era por telefone. você se conectava, fazia o que tinha que fazer e se desconectava pra não ocupar demais a linha. naquela época dava pra falar em cloud computing? ou em softwares como serviços? não... e agora, já dá?
finalmente temos voz, todos nós :) finalmente vozes humanas, e não o nhem-nhem-nhem que não engana mais ninguém.
mas quem garante que as vozes não falam da boca pra fora? ou que não tenha gente pondo palavras em outras línguas?
tudo mudou :) adeus podcasts com audio sofrido, sofrível e safado. agora é estéreo :)
tecnologia é assim, não pára. como vai ser o roda e avisa daqui a 10 anos? pensando bem... acho que não vai mudar muito, vou continuar contando histórias.
e você, que histórias vai ter pra contar daqui a 10 anos?
ouça uma reflexão agora em estéreo sobre como nunca ficar obsoleto nem... estéril
eu ainda acredito que internet fez e faz tanto sucesso porque estávamos todos cansados das promessas furadas da propaganda manipulando desejos. internet parecia outra praia, mais autêntica, um campo de nudismo onde tudo anda exposto sem medo de ser feliz.
mas nudez é algo complexo... nem todo mundo fica à vontade, nem todo mundo fica lindo pelado, por mais que haja photoshops e similares pra retocar imagens.
e a imagem pública, como "dar uma levantada"? well, tem gente aí usando soushial mídjia para deixar todo mundo lindo de novo.
ouça uma reflexão bastante autêntica sem medo de ser... impopular
internet é uma beleza: podemos ler só o que queremos, assinar os feeds de que gostamos e criar nossos próprios círculos sociais pra conversar com gente parecida conosco. um paraíso, não? ou não?
pense como era antes: você abria um jornal e, mesmo no meio de cadernos que não te interessavam, você trombava com notícias interessantes. idem pra tv. ibidem pra revistas. no final você ficava com uma impressão da realidade mais ampla e mais rica.
nessa era do Search eu pergunto: o que vale mais, buscar ou encontrar?
nessa era dos círculos sociais eu pergunto: sera que estamos pensando em circulos?
ouça uma reflexão em zigue-zague sobre o risco de andarmos em círculo nas mesmas rodinhas
acabo de ouvir na CBN: a lei vai proibir que sites sociais, sites de vídeo e outras formas de conteúdo gerado pelo usuário sejam usados com fins eleitorais.
propaganda eleitoral só na roumipeije do candidato. o resto, não. para piorar: se um vídeo no youtube fizer campanha para um candidato, o candidato é penalizado e não quem fez o vídeo.
que tal? quem disse que quem manda na internet é o usuário? tem mais gente tentando mandar.
ouça uma elocubração matinal sobre quem manda na tal da internet.
ok, eu sei: dificilmente faço um post com uma afirmação tão bold e assertiva, mas é que hoje me caiu uma ficha: na internet não temos espaços sociais nem ambientes, temos palcos. palcos em que alguns atores sobem e atuam enquanto outros ficam na platéia, e assim temos uma cena. e, o que é mais interessante, quem está no palco nem sempre "representa" (estatisticamente e nao do ponto de vista dramatúrgico) quem está na platéia.
ok, ok, a idéia é meio enrolada, mas talvez nossa vida social toda seja assim. e nada mais natural do que a internet imitar a vida que imita a arte :)
ouça um solilóquio rápido sobre colaboração, mídia social (argh), comunidades e... mise-en-scène
eu não gosto de futebol. nem de copa do mundo. aliás, nunca consegui entender essa história de torcer para um time a vida toda: se os jogadores mudam de time sem pensar, porque os torcedores não?
well, se isso fosse só um problema de entretenimento público ainda vai, mas o drama é perceber esse mesmo tipo de mentalidade... no digimundo. na boa: quem torce, distorce. e isso não combina com tecnologia.
a vida não só é curta como tem outra chateação: cada um só tem uma perspectiva, uma história, uma maneira de ver o mundo. a graça de sermos humanos, porém, é que podemos sim (se quisermos) ver o mundo pelos olhos dos outros, descobrir outros valores, outras posturas, outras maneiras de ser.
isso é... se quisermos. e muita gente não quer :)
ouça uma reflexão rápida sobre o quanto é importante a gente abrir os olhos para outros olhares
sempre escuto alguém mais entusiasmado achando (ou vendendo a idéia de) que em internet, em se plantando tudo dá. dá mesmo? ou não? well.. eu sei que dá... trabalho, no mínimo :)
o james bond ia morrer de inveja: centenas de milhões de pessoas hoje podem voar de lá pra cá, rodam pelo mundo, têm gadgets maravilhosos e dominam tecnologias super-poderosas. todos nós agora temos super-poderes.
well.. e aí? o que andamos fazendo com esses poderes novos?
daqui a dez anos você vai trabalhar como...? pense. fazendo o mesmo que faz hoje? com o mesmo cargo, título, especialidade? ou será que vale a pena abrir os olhos para novos caminhos?
se você aceita um conselho, considere user experience. a disciplina está crescendo de importância, está virando assunto aqui e ali e logo logo vai começar a precisar de gente especializada. mas o que precisa?
você é apaixonado pelo que faz? tomara que sim. tomara que você tenha várias paixões e possa compartilhá-las com outros apaixonados em comunidades, blogs, o que for.
mas paixão só basta? aonde paixão nos leva?
well, eu sou suspeito pra responder. eu acredito apaixonadamente que é preciso algo mais, é preciso querer ouvir o outro, aprender, apreender, criar vínculos e compromissos e diálogos e cruzar experiências e sonhos. chame isso de amor, se quiser.
ouça um desabafo bastante pessoal de quem anda vendo paixões demais e amor de menos.
quem lembra daquele quadro do magritte (outro rené, só que mais talentoso), onde abaixo de um belo desenho de cachimbo está escrito com letra escolar "isto não é um cachimbo"?
pois bem... quando eu vejo alguém dizer "internet é xyz" ou "vamos webificar sua empresa" ou "internet é isso" ou "ele não entende a internet" ou "a informação quer ser isso ou aquilo" eu lembro desse quadro. como alguém pode ter tanta certeza sobre algo tão aberto?
pois é, essa é uma verdade dura: eu não estou falando com você. estou falando PARA você. na verdade, você está lendo letrinhas numa página e ouvindo vibrações de um alto-falante que têm uma relação bastante tênue com o momento concreto, finito, passageiro em que eu... well, você entendeu. aliás... eu também não sei quem é você :)
onde quero chegar, enfim, com essa história toda? simples: até que ponto nossas "conversas" online são conversas? ou melhor... a partir de que ponto deixam de ser conversas?
fui quase todo dia ao campus party. dei palestra, entrevista, reencontrei amigos, fiz amigos novos, vi ao vivo gente que so' conhecia por email e vi ao vivo algumas coisas que me deixaram preocupado: será que quem não foi... ficou com uma impressão legal? será que tudo no campus party "agregou" à nossa causa geral ou... houve gols-contra?
pra começar (ou encerrar) a conversa: tenho horror ao niemeyer. horror. arquitetura pra cartão-postal ou vista aérea, pra mim, não é arquitetura.
na nossa área não é diferente: muito do que é arquitetado pelos grandes manda-chuvas de corporações ou impérios só faz sentido... visto do alto. pro cidadão comum, que só anda a pé clique a clique, a perspectiva é beeem diferente.
de duas, uma (ou ambas, ou talvez uma terceira, sei lá): ou a idade faz com que tenhamos dificuldade de reconhecer o novo ou a idade nos faz ver o quanto de passado ressurge em toda novidade.
de qqer forma eu volta e meia fico meio frustrado em ver gente novinha deixando de inovar pra valer porque se prende ainda a armadilhas antigas: sectarismo, exclusão, vaidade, etc. adoraria que a tecnologia nos livrasse disso, mas parece que... ainda não.
ouça aqui uma confissão não muito fácil de quem achava que ia ser fácil mudar o mundo
engraçado... por que será que nestas bandas criticar quer dizer falar mal? que crítica é vista como ataque? que só há duas opções: rasgar seda ou ser o cara do contra?
curioso isso, não? me faz lembrar programa de auditório: um jurado é sempre sempre sempre o mala, como se ser justo, ponderado e analítico fosse coisa de gente bizarra...
sim, sim, somos todos românticos sonhadores quixotescos querendo mudar o mundo através da tecnologia. sim, sim, todos sonhamos com um mundo melhor. mas... eu morro de medo de utopias, sobretudo porque morre-se muito pra chegar lá :)
uma das coisas mais legais da tecnologia é termos controle, não? ver algo quando, onde e como quisermos, por exemplo. nao somos mais escravos do tempo.
não? well, eu não tenho mais tempo algum e mal consigo gerenciar o tsunami de emails e sms e mensagens e informação. no mundo on-demand, o que mata sao as demandas always on :)
faça uma pausa para ouvir um conselho de amigo: faça uma pausa nessa insanidade toda.
posso abusar do teu ombro e fazer uma confissão? pois bem: pequei. pequei por não aceitar o digimundo como ele é. ou melhor, como ele está ficando. mil perdões, é que eu acreditei em paraíso, sem saber que o paraíso alheio é o inferno de cada um.
ouça minha promessa pra 2008: aceitar o digimundo e as pessoas como elas são, sãs ou não
ok, blog é legal. twitter também. listas de discussão. orkut. mas... quem tem tempo pra isso? e por quanto tempo você vai ter tempo pra isso? e... quem não tem tempo pra isso, como faz?
well, se você tiver um tempinho ouça uma reflexão ligeira sobre momento de vida, perfis de usuário e o que esperar desse mundinho que não espera
pra começo de conversa: eu padeço de um mal estranho. eu tenho sindrome da deficiência torcidística. não torço por nada: time, seleção, esporte, nada. eu sei, eu sei, estou perdendo fortes emoções, não tenho assunto na segunda-feira cedo, etc... mas é de fábrica, não tem mais jeito :)
talvez por isso eu tenha uma dificuldade danada em entender quem se apega demais a marcas, tanto quem ama uma marca X ou odeia uma marca Y. o que são marcas, afinal? e se tudo muda no mundo, por quê teimar em ter sempre a mesma opinião a respeito de algo mutável?
ouça uma reflexão meio grega, meio zen sobre abrir os olhos para aquilo que muda (tipo...tudo)
um dia me caiu a ficha: this is not Kansas anymore. tudo o que eu pensava sobre ambientes sociais online e comunidades e o próprio digimundo estava mudando debaixo do meu nariz (o que é uma área extensa). decidi repensar e refletir a respeito numa série de 10 episódios. resultado: 11, 12, nem sei mais quantos episódios. e lá vai mais um: nem todos têm tempo pra comunidades, enquanto outros têm tempo demais :)
ouça uma reflexão rápida sobre um digimundo que se divide em dois: quem tem tempo, e quem não tem
convenhamos: o digimundo é uma sopa de letrinhas. quando muito uma fotinho, um avatar, uma webcam xumbrega. mas no geral o que trocamos sao letrinhas de lá pra cá, sem saber se nosso interlocutor está sóbrio, nu ou se ao menos é maior de idade.
faz um ano que nao tenho TV. um ano.
well, não morri. mas alguma coisa mudou. e só percebi... quando fui assistir TV de novo.
gravei este podcast no aeroporto de Porto Alegre, voltando do Encontro de Webdesign e de uma manhã memorável com Michel Lent e Raphael Vasconcellos. voltei tão empolgado com o que vi e com o que discutimos que abri o laptop no Salgado Filho e gravei um podcast triplo: um três-em-um de idéias soltas.
ou... clique e ouça aqui (em SIlverlight!):
o bom da web 2.0 é que agora tudo é fácil. fácil blogar, fácil se comunicar, fácil criar comunidades...
mas será que isso por si só basta? eu acho que não... sobretudo porque boas conversas não são fáceis, não são fáceis de se achar nem fáceis de se conduzir. mas as conversas difíceis é que valem a pena, não?
ouça uma reflexào bastante pessoal sobre a difícil arte da boa conversa.
é tudo mentira. to falando a verdade :)
se você acompanha meu twitter vai achar que eu solto pérolas o dia todo. se acompanhar o solo vai achar que só falo maravilhas. se você olhar uma banca de revistas, vai achar que ninguém no mundo tem rugas. se ler um artigo, vai achar que as pessoas são articuladíssimas e têm um português perfeito.
por isso o roda&avisa sempre foi "bruto", sem edição. a vida como ela é. mas... e se eu fosse mais caprichoso? será que a nossa percepção não curte uma "ediçãozinha" da realidade? e se nosso cérebro digere melhor quando as coisas já vem pré-mastigadas, temperadas e bem apresentadas?
ouça uma reflexão meio estranha sobre o papel do "embelezamento" na experiência do usuário
ou... clique e ouça aqui:
boas notícias: voltei a publicar meus podcasts sem pé nem cabeça :) como a ave que volta ao ninho antigo depois de um longo e tenebroso inverno... quem lembra do poema? eu sei de cor, por mais estranho que isso seja na era da busca universal e ubíqua.
ok, sou anacrônico, tão anacrônico que gosto de... jornal. de revista. de veículos como a BBC. eu uso agregadores, eu leio blogs... mas tenho um gosto enorme por publicações e livros. quanto tempo isso há de durar?
ouça uma reflexão meio saudosista sobre a deliciosa user experience de um bom produto editorial
um incidente recente (o sexto, na verdade) com um site de comunidades me serviu pra três coisas:
um problema no sistema de autenticação e buuum! milhões de pessoas sem skype por um bom (ou péssimo) tempo.
e quem dependia desse serviço, como ficou?
esses serviços online são como oxigênio: a gente nem pensa que eles estão no ar, mas quando faltam... é letal.
ouça uma reflexão rápida sobre nossa crescente dependência... do impalpável
é simples: não falamos a mesma língua. pior: não pensamos da mesma maneira. é um milagre que nos comuniquemos.
no dia-a-dia presencial ainda vai, é só bater o olho que dá pra ter uma idéia da tribo a que alguém pertence: tem cabelo verde? grisalho? espetado? usa piercing? gravata? o sotaque é de onde?
mas e no online, no email, no messenger? onde enquadrar alguem... que nao conhecemos?
ouça uma reflexão sobre como conversar direito... às cegas.
como saber se uma comunidade vai bem? um dos parâmetros pode ser... o diálogo, a conversa coletiva.
mas como saber se uma conversa vai bem? pelo que é dito?
minha dica: o sinal mais claro pode ser... o que não é dito. ou quem parou de falar. ou os assuntos que sumiram do mapa.
uma das questoes que mais me intriga e fascina desde sempre e' Poder. ok, ok, li demais foucaults e delleuzes e canetti, tenho ranços 68-ianos, mas agora, em plena web 2.0, a questao ressurge onde menos se imagina. por exemplo... no modesto e inglorio papel de quem lidera uma comunidade. nao importa a postura que voce adote, sempre vai haver dois fantasmas: o que as pessoas esperam do seu papel (argh) e o que elas projetam inconscientemente em voce (ai ai).
como já dizia um grego, tudo muda. como já dizia outro grego, existem essências imutáveis.
well, eu prefiro o primeiro grego, o Heráclito. mas a cabeça da gente funciona muito como a do segundo grego, Aristóteles: a gente quer que as coisas sejam idênticas sempre.
e uma comunidade, o quanto ela podem mudar sem deixar de ser... ela mesma?
ouça uma reflexão de alguém teimosamente fascinado com algo essencialmente... mutável.
hoje é o dia da amizade, e a coincidência é feliz: eu sou adepto praticante nao da fraternidade, porque isso já deu o que tinha que dar (e não foi tão bom). eu proponho e pratico e prego... a amizade como política, seja na first life ou em comunidades online.
comunidades se formam a partir de algo comum, uma chama. mas e se... essa chama gerar incêndios? que assuntos são inflamáveis? o que fazer com tipos explosivos? e como eliminar a fumaça ao final?
você entra num bar pela primeira vez. como você sabe se vale a pena ficar ou não? como você sabe se dá pra chavecar a esmo... ou não? como você sabe se veio com a roupa certa?
comunidades têm um pouco disso: quer haja regras explícitas em alguma parede ou não, o comportamento clássico de quem entra é prestar atenção por um tempo até intuir como as coisas funcionam, que assuntos são pertinentes, qual a maneira correta de se comportar.
well, mas agora que cada um entra e sai de 100 comunidades por minuto, será que dá tempo de sentir o ambiente? dá tempo de apreender alguma coisa? talvez não.
comunidades parecem surgir do nada, mas não é bem assim: existe uma paixão, uma obsessão, algo muito intenso que atrai e aglutina seus membros, e essa paixão ou existe... ou não.
a paixão só basta? well, talvez pra lua-de-mel sim, mas comunidades são como relacionamentos: se desenvolvem, frutificam, e podem desandar irreversivelmente.
se comunidades podem acabar.... como evitar isso? como conviver com isso?
faz tempo que não faço uma boa série do tipo "10 micos em projetos online". eu gosto desse desafio, sobretudo porque normalmente só sei o que gravar no primeiro episódio e tenho que dar tratos à bola pros outros 9 :D
comunidades, ambientes sociais, social hubs... tudo isso ganhou novos sentidos com a história de web 2.0. acho que vale a pena eu revisitar o tema e compartilhar com vocês algumas idéias, aprendizados e, sobretudo, equívocos :)
ouça uma reflexão um pouco mais longa que o normal sobre comunidades, confiança, guerrilha e os esperto-men batendo na nossa porta