o mapa do inferno eu conheço no escuro. meu céu são terras incógnitas.
bons sinais: as cicatrizes ficaram com a cara do corte.
bendito o momento raro em que sou todo ouvidos, todo tato, todo olhos. bendito o momento em que o presente me enche a boca.
e balanço com força o rabo do meu coração vira-lata para ver se ao longe o dono aparece.
um tombo, dois trancos, três barrancos e lá vai o coração sair do abismo subindo pelas paredes.
de quantas linhas preciso para pegar meu coração a laço? o bandido fugiu pelos campos e me deixou pastando.

dias de cão, quando não ouço meus lobos.

o quebra-cabeças não vai montar nunca, já sei. difícil é, depois de anos aos cacos, não encontrar mais a maldita peça que nunca vai encaixar em nada.

era isso o que eu queria: meu coração vagabundo jorrando de novo no meio da rua.

"acorda, imbecil" me urrou com um tapa na cara o cheiro perfeito sem cheiro de tempo expresso tão claro na xícara vazia de café expresso.

