soberana por sobre os faróis

soberana por sobre os faróis e postes e todas as luzes da rua, na direção precisa dessa avenida, lua cheia, linda.
no curto tempo até que uma curva me privasse do espetáculo, um lampejo: essa luz é nova, nova em folha. essa luz nasceu faz oito minutos na fúria do sol, voou em linha reta até trombar de frente com a lua, quicar de volta e nos banhar enfraquecida.
e o jorro não pára, a cada segundo o banho frio de luz prossegue fresco, inédito, recém-nascido.
veio a curva, e a lua se foi. sobre mim, mil duchas de luz vindas de todo lado, lavando minha pele, meus olhos, jorrando de filamentos quentes de mil lâmpadas. sem parar.
vi o sol nascer hoje, parindo seu vendaval inesgotável de luz, lavando em jatos as manchas da noite.
para o sol, todo dia é dia.


