(...)Uma árvore desavisada brotou há

(...)Uma árvore desavisada brotou há anos no paredão que ladeia a avenida. Está lá ainda, persistente, improvável. Nela ferve uma pulsão antiga, que inventou uma semente com a receita secreta de transformar vento em tronco, luz em verde, e de espalhar sementes pelo tempo afora, pequenas partituras de uma música sem fim.
A cidade que abriga a mim e essa árvore também cresce, e reescreve sem cessar, em caligrafia nervosa, sua profissão de fé, de febre. Apaga trechos, borra outros, escreve sobre si mesma. Lerei entre prédios e tapumes e avenidas as entrelinhas desse mantra, para reconhecer sempre minha cidade fabril, febril
(trecho de "textos gratuitos", publicado em data incerta)


