meio aéreo

eu devia fazer isso mais vezes, parar e olhar do alto esse mosaico, esse arquipélago de mensagens em garrafas boiando em torno de mim, o rastro de visões que alastro enquanto avanço, figurinhas à procura de um álbum, mudas de pele deixadas para trás.
vendo assim de cima não há mensagem nenhuma, há gritos de morcego calculando distâncias, avaliando o vazio, descobrindo o tamanho da ilha pelo tempo dos ecos.
e lá vai mais uma garrafa boiando, levando lacrada uma amostra da minha atmosfera, me livrando de um sorvo mínimo do ar que respirei tanto que nem sinto mais o cheiro.
o que vale são as entrelinhas. é por ali que respiro.


