caetano de campos

no contorno do pátio, rente ao chão, aberturas pequenas, protegidas por grade, eram os olhos negros do porão. a escola centenária repousava sobre ele, encobria seus desvãos, seu silêncio, e o porão não tinha fim, crescia conversas adentro, se desdobrava medos adentro na cabeça da criança atenta, capaz de ouvir os ecos desertos, fantasmagóricos do subterrâneo que nos espreitava frio a cada recreio.
hoje não há porões. abaixo, acima, pra todos os lados há vidas, mundos, lares. esse mundo não tem mais verso.
sorte minha carregar meu porão comigo.


