caetano de campos

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foto: rene de paula jr, rene@usina.com

no contorno do pátio, rente ao chão, aberturas pequenas, protegidas por grade, eram os olhos negros do porão. a escola centenária repousava sobre ele, encobria seus desvãos, seu silêncio, e o porão não tinha fim, crescia conversas adentro, se desdobrava medos adentro na cabeça da criança atenta, capaz de ouvir os ecos desertos, fantasmagóricos do subterrâneo que nos espreitava frio a cada recreio.

hoje não há porões. abaixo, acima, pra todos os lados há vidas, mundos, lares. esse mundo não tem mais verso.

sorte minha carregar meu porão comigo.

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esta página contém um único post de rene publicado em outubro 22, 2003 9:54 AM.

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