ariadne

andando com minha mãe, no centro, cercado de pernas e joelhos e valises e vitrines altas demais, eu avançava intrigado: o que eram aquelas grades no chão, grelhas sobre espaços escuros no subsolo? aqui e ali, entradas secretas pisoteadas por milhares de cidadãos apressados.
do mundo profundo vinham silêncios estranhos, ressonantes, vinha vento frio. algumas sopravam quente e forte, rugiam, narinas de aço de uma cidade oculta.
mistérios sob o chão, mistérios por trás de portas (tantas!), mistérios em andares de elevador em que eu nunca desci.
cresci cercado de entradas, passagens, universos atrás de frestas.
minha natureza é essa, minotáurica.


