
anos atrás tirei uma foto do gil e do caetano juntos. eu trabalhava em tv ainda, e fiquei esperando pelos dois na saída do estúdio, coração disparado. num bololô todo de gente e alegria, os dois passaram diante de mim e clique, eu fotografei.
eu tenho essa foto em algum lugar, um dia eu encontro.
não vai servir pra nada, contudo. caetano e gil, que passaram rapidamente, são dois borrões indistintos, duas manchas escorridas contra um fundo besta. eu não tinha flash, e o jeito foi usar velocidade baixa.
os dois estão ali na foto, isso é fato.  entre o "começo" e o "fim" do clique cada milissegundo deles, cada trejeito, cada risada deixou sua marca no filme. naquela foto borrada tem muita coisa dos dois, tem coisa até demais.
imagens são ledo engano. tudo passa, imagens não. tudo nos escorre entre os dedos, imagens ficam. tudo é maior que o entendimento, imagens se enquadram.
à la caetano: imagens são uma bela droga.