
o suicídio foi um susto.
eu, garoto, encontrei o corpo morto sobre a máquina de escrever, frio como sempre mas muito menos dourado do que devia. peguei o peixe falecido e o apresentei desconcertado ao adulto de plantão.
não tenho idéia do que fazia uma máquina de escrever ao lado do aquário, mas o peixe dourado resolveu se matar assim, literariamente. talvez agonizante, estrebuchando sobre as teclas tenha deixado algumas palavras, mas não havia papel. o peixinho morreu tão mudo quanto viveu.
viveu pouco aliás. nem nos deu chance de aprendermos como se faz feliz um nadador inexpressivo, ou como alegrar a vida confinada a um mundo globulizado. morreu, e nós continuamos crus em termos de peixe.



GOSTEI DAS IMAGENS. CONTINUE.