
entre uma buzina ou outra, raras nessa hora da manhã (é sábado), as maritacas gritam alto. agora mesmo um bem-te-vi anunciou ter visto bem. olha ele aí de novo.
isso agora deve ter sido um canário. mas parou.
se eu for à janela talvez localize a passarada nos telhados dos prédios, no peitoril de janelas, o que não é muito fácil. nessa montoeira de prédios, os cantos de pássaros se quebram em cantos de prédios, ecoam em surround e você só descobre o bichinho a hora em que ele avoa pra outro pouso.
mas hoje não vou à janela não. vou ficar onde estou, quieto, enquanto imagino que bandos de aves extraordinárias, de todo tipo e tamanho, estão ocupadíssimos tramando algo, tomando posições, gritando ordens em código, se preparando para algo que nós nem desconfiamos.
asas à imaginação, então.