fevereiro 2, 2003

passando hoje e tantos outros


passando hoje e tantos outros dias pela Paulista na redoma do meu carro, deslizando quase automaticamente por um cenário que sei de cor com os ouvidos embebidos nos meus cd's de sempre, esqueço fácil o curto período em que eu tomava banho de gente.

banho de gente bom mesmo era no final do dia.

antes de mergulhar por inteiro no rio de gente eu tinha meio quarteirão de bela cintra para me esquecer da assepsia anódina do escritório e ir sorvendo aos poucos os ruídos, os motores, a pressa, para enfim entrar na Paulista e nadar multidão adentro rumo ao meu apartamento silente.

se você tem olhos sedentos, se teus ouvidos são alegres, a embriaguez é certa. fisionomias as mais improváveis, fragmentos de conversas, tiques, perfumes baratos trejeitos, risos, esbarrões, a passagem negociada mudamente, a coreografia intrincada da multidão, e risos sonoros, pérolas soltas na massa móvel.

ambulâncias e sirenes, freios e arranques, britadeiras e ao fundo a mistura indistinta de milhares de passos e vozes e escapes e mais sirenes. e os olhares-relâmpago, os olhares mais longos, olhos dançando de rosto em rosto, rostos que talvez nunca se vejam mais.

voltar a pé naquele tempo era a minha night at the opera.




alguém levantou esses prédios. essas


alguém levantou esses prédios. essas ruas alguém traçou. alguém ordenou que tratores pusessem por terra o que havia antes, seja o que for. e esse "seja o que for" fora erguido sobre algo que ninguém se lembra. e dos "alguéns" não sobrou vestígio.

há algo nessa terra que conspira contra a memória, memória de prédios, memória de origens, memória de afetos.

quem aqui vive quase nunca nasceu aqui. veio de onde? tanto faz. antepassados? mal se lembra. e o que tinha nesta esquina, antes que surgisse o novo colosso? a memória gira em falso, remexe em vão as gavetas da lembrança, e nada emerge.

eu tenho minha teoria, já a expus antes: não estamos em uma cidade. estamos em uma nau, nau imensa que singra mares sem mapa. por isso a pressa, por isso o ruído ao fundo, ruído de motores que nunca amaina, por isso o clima que não se entende. estamos em cruzeiro.

as memórias ficaram para trás, à deriva em águas passadas.




fevereiro 3, 2003

os frutos mais doces, os


os frutos mais doces, os tesouros, os tesões, o que é belo aqui não é pra qualquer um.
há em torno deles vidro, aço, paredes, catracas, grades, portas reluzentes que se abrem num passe de mágica com um mero crachá, ou ao brandir-se o convite. e então pronto, você está dentro. você faz parte, seja bem-vindo dentro da noz.
e lá fora sob o sol pesado milhões circulam pelo avesso, se arriscam entre as engrenagens e canos e ácidos da cidade eviscerada.




fevereiro 4, 2003

registro aqui minha admiração profunda,


registro aqui minha admiração profunda, minha terna inveja pelo gênio estético da avant-garde do popular, dos designers da cópia, da tropicália made in hong kong, da fashion weAk perpétua das calçadas abarrotadas.
aos artistas cotidianos do AM, aos papas insubstituíveis da TV aberta e do rádio de pilha, minhas saudações enternecidas. longa vida aos que têm a chave do coração dos homens.
é dia de sol em sampa.




por mais que você se


por mais que você se adentre, por mais perto que você chegue tudo se desdobra, tudo ramifica.
faça um talho profundo, e a profundidade lhe escapa: o que se abre são novas superfícies, frescas e vivas. não há dentro, não há centro, não há fundo: quanto mais se olha, mais os detalhes dão cria, mais a complexidade viceja.
pique a partitura em mil pedaços, e a sinfonia é a mesma em cada nota.
fotografar é uma quimera.




fevereiro 5, 2003

um breve descompasso qualquer (chegar


um breve descompasso qualquer (chegar cedo demais, esperar alguém, um pneu que fura) e por instantes você emerge das corredeiras do dia.
fora do turbilhão o ar é límpido, transparente, e o tumulto do mundo vira balé.
aproveite o milagre, respire com gosto, e caia de volta no fluxo com a alma lavada.




estupefata com tanta luz e


estupefata com tanta luz e com o inesperado ar quente a lhe queimar, cortada em pedaços e arrancada a golpes de faca da fruta que nem chegou a cair do pé, a polpa suculenta transpira e sangra doçura no breve hiato que a separa da treva voluptuosa da minha boca.
seja bem-vinda.




fevereiro 6, 2003

o dia nasceu quente. para


o dia nasceu quente.
para quem esperava da noite alívio, ou que o sono renovasse e que a manhã fosse minimamente matinal, esse calor pesado tem ranço, tem gosto de sina, traz o cheiro acre do que imaginei esquecer.

capítulos, páginas que se pode virar, pontos finais são coisas de livro. aqui fora só vírgulas te restauram o fôlego.




mais meia hora e caio


mais meia hora e caio no mundo, volto pra casa, pego meu carro e trilho de novo o caminho de sempre, caminho que poderia ser outro se eu não fosse um distraído, se eu não tivesse preguiça, se eu soubesse encaixar melhor as peças do quebra-cabeça que é essa cidade pra mim.

trinta e oito anos e os bairros e lugares são como um puzzle incompleto, esparramado, as pecinhas agrupadas mais pelos meus afetos, pelos meus amores, por dores, do que por geografia estrita.
o fio da minha meada só não deu nó porque a cidade é grande.




fevereiro 7, 2003

saudade brusca e incômoda de


saudade brusca e incômoda de zanzar por ruas que não conheço e seguir a esmo sons distantes, a luz fugidia, escolhendo rumos por intuição, por desejo, por capricho.

diante dessa mesa de vidro e dessa tela de plástico, me esforço pra ignorar meu coração vagabundo e minhas pernas inquietas que me chamam para sair à caça, para me enroscar libidinoso nas dobras da cidade com minha câmera em riste.




fevereiro 9, 2003

o que fazer com a


o que fazer com a chama intensa e o tempo urgente que pulsam na carne e o exagero de doçura e o sabor atordoante que latejam lá dentro, que não cabem em si e quase rompem a casca fina e escorrem pelas ruas, e impregnam o dia quente com um perfume que cega?

durma-se com um silêncio desses.




fevereiro 10, 2003

como as coisas vão? vão


como as coisas vão? vão indo. calor vai bem, a chuva é certa, a segunda retoma a sexta, o almoço foi bom.
por dentro, no avesso, nos vãos, não.




fevereiro 11, 2003

(...)Uma árvore desavisada brotou há


(...)Uma árvore desavisada brotou há anos no paredão que ladeia a avenida. Está lá ainda, persistente, improvável. Nela ferve uma pulsão antiga, que inventou uma semente com a receita secreta de transformar vento em tronco, luz em verde, e de espalhar sementes pelo tempo afora, pequenas partituras de uma música sem fim.

A cidade que abriga a mim e essa árvore também cresce, e reescreve sem cessar, em caligrafia nervosa, sua profissão de fé, de febre. Apaga trechos, borra outros, escreve sobre si mesma. Lerei entre prédios e tapumes e avenidas as entrelinhas desse mantra, para reconhecer sempre minha cidade fabril, febril
(trecho de "textos gratuitos", publicado em data incerta)




Tudo vem dali, daquela brancura


Tudo vem dali, daquela brancura furiosa, rugindo em bocas imensas, engolindo a si mesma e saltando de novo, incansável. Banhando a cena, um sol inédito. Eu nunca havia visto a espuma do mar.
Meus sentidos de menino conheciam cidades, roupas, luzes, não essa embriaguez. O corpo sem peso, o sal nos olhos, a água engolida e o chão que sumia pediam risadas que eu mal soube dar. E a espuma, jóia que salta, faiscava na esteira das ondas.
Fiz o que sabia, e tentei pegá-la: a água fugiu entre os dedos. Tentei retê-la: a festa de bolhas, cativa, durou um segundo.
No raso, a água que ia e vinha animava arabescos minúsculos a perder de vista. E o sol absurdo, lavava meus olhos desentendidos.
Tudo que em mim é sagrado vem dali, dessa revelação solar a um menino míope. Não sei se fui claro.
(trecho de "textos gratuitos", publicado em data incerta)




fevereiro 12, 2003

fiz a conta: 13997 dias.


fiz a conta: 13997 dias.

desde que nasci foram treze mil novecentos e noventa e sete manhãs, número espantoso mas que espantosamente não me pesa, caravana imensa de dias que deixaram lá algumas marcas, vincos, vínculos.

mas olhando o sol nascer de novo com sua indiferença clássica e astronômica, a cidade a esquentar seus motores, o gato lânguido no tapete iluminado, tenho a nítida ilusão de que esse dia é eterno, e eu não.




fones minúsculos derramam no meu


fones minúsculos derramam no meu ouvido night swimming, canção que ouço e reouço e toco de novo como criança que era e me entregava às marolas mornas que me embalavam, numa embriaguez que álcool algum me trouxe, nunca.

mar.

tempo em que eu estranhava haver espaços só com mata nos terrenos sem fim e sem razão ladeando a estrada que era o hiato entre minha vida infantil paulistana e as infinitas férias na praia, bicicleta, areia, mar.

como assim espaço sem nada em cima? quando iam construir algo?

tempo de alegrias maiores do que eu, de cores além da conta, tempo para explorar uma cidade que crescia junto comigo.

vou ouvir a canção de novo.




fevereiro 13, 2003

esqueça cor. esqueça brilhos, esqueça


esqueça cor. esqueça brilhos, esqueça luz. isso é tudo muito novo, olhos são uma invenção nova.

sem os olhos, o que há é treva espessa, quente, nervosa, repleta de pedaços densos mergulhados num gás escuro, matéria e mais matéria imersa em vapores e correntes que se enroscam e se misturam.

de olhos fechados, recebo as ondas sutis do seu perfume na polpa úmida das minhas narinas, e uma alegria ancestral, pré-histórica, química dispara um sorriso agradecido.




fevereiro 14, 2003

o dia começa e começa


o dia começa e começa a colheita de carinho, carinhos espalhados em correios de voz, em servidores de e-mail, em SMS, em secretárias eletrônicas, em instant messengers de todo tipo, todos eles frescos e vivos, todos eles pulando na tela, apitando e disputando sua atenção como crianças eufóricas.

aos poucos você os colhe, saboreia, retribui, e lá vão mais carinhos fios adentro, pelos postes, pelo ar, por cabos sem fim para renascerem sabe deus onde diante de outros olhos, outros ouvidos, bordando com elétrons a cartografia colorida e intrincada dos corações humanos.




no recôndito do meu ouvido,


no recôndito do meu ouvido, uma voz doce canta:
black bird singing
in the dead of the night
take these broken wings
and learn to fly
all your life
you were only waiting
for this moment to arrive

ao meu redor, outros milhões de citadinos em vôos mais ou menos cegos com asas mais ou menos rotas.

e a cidade abre as asas sobre nós.




fevereiro 15, 2003

no burburinho de gente nesse


no burburinho de gente nesse começo de noite cavo meu caminho pra casa, a pé.
como tantos outros andando a meu lado e no sentido contrário, eu também passei meu dia no ventre de um prédio, e nos expelimos enfim por elevadores e escadas, baldeando de máquina em máquina por uma teia de trilhas e sinais até que pudéssemos, com nossas próprias pernas, chegar ao que chamamos de casa.

bem dormidos ou não, amanhã o inverso nos espera: claridade e não treva, ânimo e não cansaço, os mesmos caminhos e máquinas e esperas percorridos de trás para diante, maré alta humana inundando os recifes vazios de concreto e vidro.

recifes e corais, peixes e anêmonas, plâncton e polvos não são diferentes.




fevereiro 16, 2003

ela tem razão. o que


ela tem razão.
o que tenho feito é parir por aí pedaços de mim, é lançar ao mundo filhos sem pai nem mãe, é lançar sementes como um dente-de-leão humano.

isso não é criar, isso é sangria, é purgação. é drenar o porão alagado na esperança de descobrir o que tem lá no fundo queimando.

mas ela não tem razão. júpiter digital, devoro minha prole e descubro aos poucos qual é a cara do pai.




fevereiro 17, 2003

a chuva forte cobre a


a chuva forte cobre a manhã, se estende por horas, e encobre com água as cicatrizes e crateras desta avenida sofrida.

neste rio congestionado de carros e poças, um homem nunca se banha duas vezes. o homem nunca é o mesmo, e a avenida tampouco.

é fácil ser grego nessa paródia de pólis.




sobreposta à cartografia dos meus


sobreposta à cartografia dos meus deveres e à malha da minha agenda, uma filigrana de lugares discretos e momentos roubados, um mapa secreto do que é meu tesouro: meu tempo sem razão, sem propósito, tempo embalado para Presente.




fevereiro 18, 2003

soberana por sobre os faróis


soberana por sobre os faróis e postes e todas as luzes da rua, na direção precisa dessa avenida, lua cheia, linda.

no curto tempo até que uma curva me privasse do espetáculo, um lampejo: essa luz é nova, nova em folha. essa luz nasceu faz oito minutos na fúria do sol, voou em linha reta até trombar de frente com a lua, quicar de volta e nos banhar enfraquecida.

e o jorro não pára, a cada segundo o banho frio de luz prossegue fresco, inédito, recém-nascido.

veio a curva, e a lua se foi. sobre mim, mil duchas de luz vindas de todo lado, lavando minha pele, meus olhos, jorrando de filamentos quentes de mil lâmpadas. sem parar.

vi o sol nascer hoje, parindo seu vendaval inesgotável de luz, lavando em jatos as manchas da noite.

para o sol, todo dia é dia.




mania besta, medo bobo que


mania besta, medo bobo que me fez ao longo dos anos embrulhar as lembranças mais caras e guardar escondido, pra olhar só de vez em quando, de relance, como se o olho de hoje pudesse gastá-las, tirar seu brilho, borrar suas cores. como se o presente pudesse contaminar o passado, azedá-lo, fazê-lo esfarelar.

que tolice.

vivo agora fuçando quando posso, quanto posso meus baús empoeirados, minhas memórias mancas, e volta e meia algum tesouro antigo aparece de surpresa.

teria essa lembrança envelhecido, perdido força, esmaecido? na dúvida eu a reanimo, ressuscito, injeto vida, e a devoro com gosto pra carregá-la na pele, na ponta da língua.




fevereiro 19, 2003

entre o dia e a


entre o dia e a noite, todo santo dia, quando o expediente do sol troca de turno com a luz nervosa e elétrica, abre-se uma brecha perigosa, sinistra, um alagadiço de fronteira onde a noite e as sombras tentam reconquistar o mundo, tentam impor de novo o poder massivo da matéria cega.

eu me guardo como posso, e quando não há jeito atravesso o charco escuro saltando sobre frestas, driblando miasmas.

às vezes não dá.




que ninguém perceba, que não


que ninguém perceba, que não transpareça, que eu despiste com elegância esse espinho no flanco. ele me é caro, é companheiro antigo e nem sempre dá as caras. agora que ele está à mostra, qualquer movimento brusco e ele some, se esconde de novo entre as dobras e vãos.

logo-logo eu o parto, em parto com ou sem dor.




fevereiro 20, 2003

quando percebo já é tarde


quando percebo já é tarde demais. ou melhor, deixa de ser tarde ou cedo: sem mais nem menos o tempo foi suspenso e eis-me num momento sem fim, sem idade, momento conhecido meu antigo, momento do qual parece que nunca saí.

andar para mim é assim. sem que eu perceba como, estou de volta a um andar atemporal, retomo uma caminhada ancestral que parece ter vida própria, uma vida paralela e rica que jamais se interrompeu, mesmo que eu a retome com intervalos de anos.

um semáforo mais lento, uma estrada longa, a sala de cinema antes que o filme comece, um olhar apaixonado... meu tempo é um arquipélago de perenidades.




fevereiro 21, 2003

adoro taxis. adoro. taxistas vivem


adoro taxis. adoro.

taxistas vivem em tempo integral o que pra nós é tempo morto, têm como casa o que pra nós é avesso. taxistas vivem no outro lado da moeda.

quando o dia termina, eles levam consigo um caldeirão de fragmentos de vidas alheias, conversas entreouvidas, eventos espantosos, casos que serão secretos para sempre. taxistas são padrinhos do inconfessável.

vim de táxi hoje. entre um delicioso causo cabeludo e outro, namorei com calma a cidade que eu só vejo de relance, de passagem, sem amor.




fevereiro 23, 2003

as mensagens em garrafas estão


as mensagens em garrafas estão por aí, jogadas pelo mundo ao sabor das ondas, sabor salgado, hostil, gelado.

que fim elas levam, se vão ao fundo ou se encalham, se são profundas ou algo que as valham, isso não tem desanimado quem se ilhou e quer um dia que as garrafas coalhem o oceano e virem ponte para outras praias.

na falta de um sexta-feira, dá-lhe escrever no domingo.




fevereiro 24, 2003

nos poucos quilômetros que


nos poucos quilômetros que me separam do trabalho ruas se bifurcam, semáforos podem fechar, há atalhos, alternativas.

tenho certeza que naquela esquina em que decidi parar um outro rené não parou e iniciou ali uma vida paralela, distinta, assim como milhares de outros renés que surgiram a cada escolha, a cada acaso, renés à enésima potência, renés na enésima impotência, renés vivos e mortos em histórias próprias que encheriam bibliotecas.

yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar




fevereiro 25, 2003

num disco antes raríssimo,

num disco antes raríssimo, daqueles de vinil que nem em sebo se achava, tim maia cantava a pleno pulmão:

oh Bela, faz a primavera
assume o teu condão
oh Bela faz da besta-fera
um príncipe cristão

agora tenho o CD. tim maia eu conheci num talk-show onde trabalhei. muita coisa aconteceu.

mas continuo meio besta, caçando primaveras.




fevereiro 27, 2003

até parece que adianta,

até parece que adianta, até parece que um dia terei tempo de assimilar aquilo que acumulo, aquilo que vou colhendo e guardando sem ordem, empilhado.

meu banco de trás, minhas gavetas, meus álbuns, minhas estantes, todos eles abarrotados e descuidados são o testemunho em coro do meu atropelo, da minha fome maior que a boca, dos meus desejos difusos e incendiários.

quanto mais você reza, mais assombros aparecem.




fevereiro 28, 2003

meu passado tem manchas.

meu passado tem manchas. minha infância tem máculas. manchas azuis, teimosas, quase tão teimosas quanto as professoras de primeiras letras, que na minha infância resistiam pateticamente ao triunfo das bics, brandindo contra o progresso parkers e sheaffers e tinteiros de vidro.

parkers passavam de pai para filho, e bics eram impropriamente coletivas, promiscuamente passando de mão em mão, acordando a cada dia num estojo diferente.

enquanto a revolução batia às portas da escola centenária, nós meninos nos borrávamos todos. de azul.




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