dezembro 1, 2005

presente

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

essa falta não falha um dia, não falta nunca, e grita "presente!" mesmo sem ser chamada.




dezembro 2, 2005

piano piano

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

meus olhos correm as mesmas ruas, os mesmos cantos, dedilhando distraídos as linhas duras sem tirar nenhuma música.




dezembro 5, 2005

noves fora

provadabenquerenca.jpg

meus dias têm medo de mim. mal começam e os pego no pulo, mal acabam e já vão para a balança.

se não atento, meus dias me escapam.




dezembro 6, 2005

guinada

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

seguir direto de reto não tem nada, pode ser a curva letal abismo abaixo ou o caminho certo para andar em círculo. preciso de um bom ziguezague para entrar na linha.




dezembro 7, 2005

I see

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

quero meu gume de volta, quero meus cantos vivos, quero que meus cacos sejam de vidro límpido.




dezembro 8, 2005

solo

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

aqui e ali, quando menos espero, uma nota solta encontra seu lugar na música antiga que habita meu peito.

sem partitura que me guie, sigo dedilhando absorto aquilo que me toca.




dezembro 9, 2005

sede

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

o recheio desse oco muda de gosto mas segue vazio. outro dia era doce.
o sabor de hoje é de água morna para quem não tem sede.




dezembro 12, 2005

na ponta da língua

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

tantas sementes que espalho e nem sei que frutos dão. o gosto da minha polpa há de me explicar, um dia, o que minhas raízes tão poucas procuram tão fundo.




dezembro 13, 2005

never mind

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

minha história é mais uma, mais um sopro morno nesse vento de tantas almas. ser um em um milhão, aqui, vale para qualquer um.




dezembro 14, 2005

juro

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

acho que vi algo ali, um sinal talvez, a promessa de promessas.

ou são meus olhos de novo emprestando de graça a pouca Graça que me sobra.




dezembro 15, 2005

lá maior

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

encontre-me nessa fonte, eu não tardo. meu coração fora de tom afino aqui, na calma desse tumulto.

em clareiras dessa selva escondo minhas pedras de toque.




dezembro 16, 2005

muito grato

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

se não fosse meu olho me puxar pela orelha eu não via o que sorri debaixo do meu nariz.




dezembro 19, 2005

na veia

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

a dor deixe aí, nem toque nela. ela morre comigo.

o remédio de que preciso há de deixá-la precisa, sólida.

se eu descuidar ela me anestesia.




dezembro 20, 2005

es zieht

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parar para respirar dá nisso: brisa fresca, sons, perfumes que passam e a doçura antiga que, não sei como, não passa.




dezembro 21, 2005

língua

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

essa é a minha língua, língua de quem mata a sede nas fontes que desencava, língua com gosto por tudo o que língua alguma traduz.




dezembro 22, 2005

amigos secretos

foto: rene de paula jr, rene@usina.com

sorrio agradecido pelos sons que me rodeiam, pelos risos, pelos sorrisos iluminados que nunca vi e nem verei de novo.

num mar de vidas entrelaçadas, o vento de sonhos alheios me sopra na face, e sorrio.




dezembro 27, 2005

difícil de engolir

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

sorry, paladar, mas esse gosto amargo vem de dentro, de algo indigesto que eu rumino sem cessar.

o problema é que eu gosto.




dezembro 28, 2005

graças

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

contar só comigo é pouco. o que me salva é esse cara em mim que não dá as caras mas move montanhas para eu sair do lugar.




escuta

foto e texto: rene de paula jr, rene@usina.com

a trilha sonora dos meus dias é o canto da algaravia, o falatório por todos os cantos.

as vozes que se entrelaçam são música para meu olvido.




dezembro 29, 2005

se essa rua fosse minha

rene de paula jr, rene@usina.com

a minha liberdade começa onde a rua termina, nas esquinas, avenidas, na multidão que abre os braços e cerra os olhos para melhor acolher a vida de cada um.




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