
na trama densa dos meus dias um ponto colorido aqui, outro ali, dão sinal da linha rubra e viva que costura firme o melhor de mim.

na trama densa dos meus dias um ponto colorido aqui, outro ali, dão sinal da linha rubra e viva que costura firme o melhor de mim.

é essa a cratera, então. é esse o tamanho do estrago.
entre escombros e fios em curto caminho pensativo para não levantar poeira.

nas frestas da cidade pairam estórias em aberto, memórias soltas, o mel grosso de mil vidas embebendo os poros da esponja imensa.

hoje estio, ontem dilúvio, e acima de tudo o sol quente que queima sem pensar no que me arde.
dentro é igual.

o que realmente conta não se conta, ponto, e conto nos dedos quem ouve o meu silêncio.

sei que vai ser bom e aproximo-a da boca, das narinas e o cheiro vem inteiro, quente, mais cheio agora do que antes, quando o café rico enchia a xícara até a boca.
há saudades assim.

por o coração na mesa nem sempre cai bem. amor é prato que se come quente.

berço de asfalto é assim, cheio de vãos, desvãos, cheio de cantos escuros e paredes mudas.
berço de asfalto não tem saída, dele não se cai: o asfalto e os tetos te seguem por desertos e mares, e nada junta teus cacos a não ser uma eletricidade dolorida e fumaça viscosa.
nome-sina, nome-sino que badala uma prece vã vida afora.

eu me viro do avesso e nem no verso descubro onde é que eu me perco.
entra ano, sai ano, meu mapa do inferno é o mesmo até de cabeça para baixo.