américa

em terra nova todo mapa fica velho, o que se sabe não se aplica e o coração fareja paraísos se abrindo aos quatro ventos.

em terra nova todo mapa fica velho, o que se sabe não se aplica e o coração fareja paraísos se abrindo aos quatro ventos.

eu aceito enternecido o que me é dado sem se dar conta.
na boca, na língua, saboreio silêncios, entrelinhas, a falta de palavras diante da evidência gritante.

o que tenho em mãos são minhas mãos, minha palma, meus dedos míopes atentos às vibrações mínimas que prenunciam primaveras.

é só o chão sumir sob seus pés que o caminho é um passo de cada vez.
para saltar abismos com elegância, não olhe para a frente.

dia lindo que me diz tão pouco, peço desculpas por não te dar ouvidos.

a química dos meus dias catalisa elementos raros, ligações elétricas, alquimia delicada que transforma em ouro o que outrossim me pesaria como chumbo.

olhar para baixo já não olho mais. falta tirar da boca o gosto de abismo.