seara

fruto eu nao colho, só acolho reverente o que cai não sei bem como nessas mãos tão gratas.
eu lanço sementes, eu aro a terra, e o tempo lavra na pele as linhas do meu caminho.

fruto eu nao colho, só acolho reverente o que cai não sei bem como nessas mãos tão gratas.
eu lanço sementes, eu aro a terra, e o tempo lavra na pele as linhas do meu caminho.

que eu volte sempre a outra face para os milagres que são tapa na cara.

juntando os cacos, nunca foi tão nítido o quanto sou difuso. vício estranho esse, o de virar fumaça.
as margens já conheço, a foz não me interessa. no fundo nada bate nadar contra a corrente.