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<title>internet tête-à-tête</title>
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<modified>2007-02-07T18:53:32Z</modified>
<tagline>escrevo como respiro: rápido, irregular, sem saber se meu fôlego agüenta esse coração que teima em me sair pela boca.</tagline>
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<copyright>Copyright (c) 2006, renedepaula</copyright>
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<title>Os Intocáveis</title>
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<issued>2006-08-07T12:53:28Z</issued>
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<summary type="text/plain">(...) estamos sempre tropeçando da mesma maneira, vamos sempre ter os mesmos problemas. E, se tudo no mundo tem uma causa, problemas repetidos só podem ser... efeito de causas crônicas. E como algo que causa problemas pode ser crônico? Simples:...</summary>
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<![CDATA[<p>(...) estamos sempre tropeçando da mesma maneira, vamos sempre ter os mesmos problemas. E, se tudo no mundo tem uma causa, problemas repetidos só podem ser... efeito de causas crônicas.</p>

<p>E como algo que causa problemas pode ser crônico? Simples: porque não se fala dela. Não pega bem. Não é "legal". Nesse assunto ninguém toca. (...)</p>]]>
<![CDATA[<p>Eu estava prestes a começar este artigo dizendo "você que gosta de idiomas...", mas me toquei a tempo que pouca gente tem apreço por línguas. Deletei tudo, e recomecei com "você que lida muito com estrangeiros...".  Deleta deleta deleta. De volta ao cursor piscando no início de uma página branca.</p>

<p>É raro eu travar. Normalmente eu saio escrevendo/palestrando/gravando sem o menor embaraço, e as idéias vão se concatenando naturalmente, haja vista/ouvido o improviso do podcast Roda e Avisa (http://www.usina.com/rodaeavisa ) . </p>

<p>Um tema, porém, quebra essa regra. Se eu não esvaziasse a lixeirinha do meu desktop ela pareceria hoje um cesto de papéis de escritor empacado, coberta por folhas amassadas atiradas com fúria.</p>

<p>Que tema é esse? Simples: o que não se diz. Ponto. Complicadíssimo, o tema.</p>

<p>Falemos de fotografia, então, pra facilitar. Todo mundo tem câmera, e todo mundo gosta de uma boa foto, não? Pois bem, comecemos por aí.</p>

<p>Câmeras retratam a realidade, certo? Câmeras não mentem.</p>

<p>Olhemos então aquele teu álbum de viagem. Monumentos, belas paisagens, momentos dignos de uma foto, pessoas posando. Álbum é sempre assim. Agora reveja as fotos e me diga: o que não aparece?  </p>

<p>Enquanto você digere a pergunta, eu dou uma pista: câmeras têm lentes, e com lentes você enquadra. Quando você enquadra algo, seleciona o que vai aparecer... e o que não vai aparecer. A menos que você ande fazendo fotos em 360 pelo mundo... o que aparece é uma fração bem pequenina comparado com o mundão que não aparece.</p>

<p>Você fotografou o mendigo? O prédio feio? As pessoas infelizes? O céu chuvoso? A sua mala bagunçada? Provavelmente não. Isso não é coisa que se mostra normalmente, e a gente nem registra na memória.</p>

<p>(Paulistanos como eu são PHD nisso: conseguem não-ver o caos e enxergar só o que é bacana na cidade, vide http://www.flickr.com/photos/renedepaula)</p>

<p>Deve fazer parte da nossa natureza "maquiar" a realidade e deixar de lado coisas que "não ornam". Isso é sinal de urbanidade e educação, inclusive, e cada cultura ou língua (lá venho eu com idiomas e gringos de novo) lidam de maneiras diferentes com isso. Em alguns países é inadmissível se falar da vida íntima, em outros ninguém tem pudor em dizer que teu cabelo está horrível. </p>

<p>Varia muito, mas uma coisa é certa: algumas coisas nunca são ditas. Outra coisa é certa: isso tem um preço, um preço que pagamos a prazo porque não enfrentamos as coisas à vista.</p>

<p>Nosso ofício interativo não escapa dessa sina, e a prova é: estamos sempre tropeçando da mesma maneira, vamos sempre ter os mesmos problemas. E, se tudo no mundo tem uma causa, problemas repetidos só podem ser... efeito de causas crônicas.</p>

<p>E como algo que causa problemas pode ser crônico? Simples: porque não se fala dela. Não pega bem. Não é "legal". Nesse assunto ninguém toca. </p>

<p>Tem gente que (sobre)vive disso: você já deve ter visto um "intocável", uma daquelas figuras que orbitam em torno desse área fortificada. Sempre tem: por vezes os criativos são intocáveis, por vezes os engenheiros, por vezes os "chegados" do chefe. </p>

<p>Nem tudo que é intocável, porém, tem que ser eterno. Muitas vezes os nossos monstros sagrados são tigres de papel, basta um assoprão e eles somem da nossa vida. E é pensando nisso, nesse exorcismo dos nossos fantasmas crônicos é que eu sugiro um remédio importado: o post-mortem.</p>

<p>Post-mortem é um apelido dado a uma avaliação do que foi bom ou ruim durante um projeto. Acabou o projeto? Post-mortem nele. </p>

<p>Quer tentar fazer? Acabo de fazer um bem simples: cada um dos envolvidos listou ao menos três coisas que foram ótimas, três que foram boas e três que foram ruins. Um coordenador vai juntar tudo isso, consolidar e compartilhar com todos. De um post-mortem simples assim pode nascer um plano para que os erros não mais se repitam e também para que inovações positivas sejam incorporadas ao processo. </p>

<p>Simples. Transparente. Mas levemente arriscado, também: um brasileiro pode se magoar porque o estrangeiro não teve papas na língua, ou um outro latino pode ter sido mais passional do que devia, ou... Ok, lá venho eu de novo com línguas e culturas :) Que mania.</p>

<p>Aponte minhas manias por favor, não tem problema. Aponte-as ou... vou repetir a dose nas próximas edições  :)</p>]]>
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<title>Design em revista</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:18Z</modified>
<issued>2005-12-15T22:36:31Z</issued>
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<summary type="text/plain">artigo para revista Webdesign Revista é bom. Meu pai me conta que na sua infância no interior de São Paulo a Seleções do Reader&apos;s Digest era esperada com ansiedade. Tenho pilhas de Wired que me recuso a jogar fora. E...</summary>
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<![CDATA[<p><em>artigo para revista Webdesign</em></p>

<p>Revista é bom.</p>

<p>Meu pai me conta que na sua infância no interior de São Paulo a<br />
Seleções do Reader's Digest era esperada com ansiedade. Tenho pilhas<br />
de Wired que me recuso a jogar fora. E as Fast Company então? E a<br />
Business 2.0? Pilhas.</p>]]>
<![CDATA[<p>Jornal ninguém guarda nem aguarda. Jornal simplesmente vem. Revista<br />
não: ela surge, enfim, radiante e perfumada.</p>

<p>Não me pergunte por quê. Colorido o jornal é. Fotos jornal tem. O papel bom, será? O formato?</p>

<p>Pense nas revistas que você gosta. Esta aqui, por exemplo. Há algo nela que te agradou uma vez e você encontra de novo edição após edição: a profundidade dos artigos, o tone and manner, o mix de articulistas, os temas, e por aí vai. Se algum desses aspectos mudar, você vai estranhar: "o que aconteceu com esta revista? Ela não é mais a mesma".</p>

<p>Revistas têm uma "cara" e isso não é por acaso. Em algum momento definiram seu perfil editorial, seu formato, seu público, e a cada edição um time profissional junta os elementos todos, cada um vindo de um lado, e costura o quebra-cabeças tão bem que a revista parece um bebê nascido de uma romântica noite de amor. E o parto, sofridíssimo? E a gestação tumultuada? Nem se adivinha.</p>

<p>Uma boa revista, assim como um bom site ou um bom produto qualquer, é uma boa experiência, uma experiência intelectual, tátil, visual, olfativa, afetiva, etc. A embalagem da vitamina é um horror, coisa que só o Wolverine abre? Ops, experiência ruim. Você teve dúvidas com o DVD mas o call-center te orientou direitinho? Experiência boa. Você clicou no link e o servidor deu pau? Experiência ruim.</p>

<p>Experiência é algo que vai além da guerra perpétua "é-lindo" x "funciona": experiência vai desde o site até a embalagem, do preço camarada até aquele telefonema simpaticíssimo perguntando se você está feliz com a compra. Experiência engloba cada vez mais coisas.</p>

<p>OK, você é um especialista, e só te cabe fazer uma dessas coisas. O que vão fazer depois disso não te compete, certo? Nesta revista, por exemplo, meu papel é mandar um artigo decente no tamanho adequado no prazo correto, e ponto. Há outros colaboradores cuja função é ilustrar os artigos, enquanto um outro zela pela diagramação.</p>

<p>Se você é um especialista, por que se preocupar com a tal da experiência do usuário?</p>

<p>Simples: num projeto complexo ou você é parte da solução ou é parte do problema. Ponto.</p>

<p>A tal da experiência final só vai ser consistente e redonda se cada um dos colaboradores... colaborar. Não cumpriu o prazo? Não leu o briefing? Mandou fora da especificação? Sorry, mas mesmo que você seja o rei da cocada preta, que você tenha diplomas e prêmios, que você seja lin-do... você é parte do problema, e se não se corrigir a solução pode incluir... excluir você.</p>

<p>Fui direto demais? Fui pouco romântico? Então tá. Falemos de arte, então. Van Gogh, que tal?</p>

<p>Todos nós gostamos de Van Gogh. Atormentado, inspirado, impulsivo. Well, era o que eu pensava até ontem: numa matéria da Lúcia Guimarães descobri que o Van Gogh era, antes de mais nada, um desenhista extraordinário. Lindos, os desenhos. Ele desenhava em detalhe, inclusive, os quadros que planejava pintar. Planejava meticulosamente.</p>

<p>Por essa você não esperava, não? Você não imaginava que esse artista genial planejasse e concebesse de antemão, rascunhasse, refizesse.</p>

<p>Pois é, fomos enganados. Alguém nos convenceu que genialidade é improviso, é inspiração, nasce por arroubos criativos, que rigor e método é coisa pra quem não tem talento. Balela: Picasso dominava as técnicas clássicas, Beethoven rabiscava as partituras, os acrobatas do Cirque de Soleil se esfalfam o dia inteiro para poder dar uma pirueta graciosa.</p>

<p>Anos atrás me pediram para não cobrar de criativos que cumprissem prazos, que respeitassem cronogramas, que lessem todos os emails. Criação é jardim-de-infância?, eu retruquei. Se eu fosse um de seus criativos, ia me sentir tratado como um bocó.</p>

<p>(Jardim-de-infância, aliás, é um dos primeiros casos notórios de experience design: dê uma olhada no sempre excelente Boxes and Arrows (http://www.boxesandarrows.com )).</p>

<p>Voltando aos acrobatas: circo só é mágico porque não há mágica, há suor e compromisso.</p>

<p>E não me venha com truques. ;)</p>]]>
</content>
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<title>Minha Teia 2.0</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:18Z</modified>
<issued>2005-11-02T00:50:45Z</issued>
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<summary type="text/plain">O Tarzan deve morrer de inveja do Homem-Aranha: o cara clica num botão e zás, sai um cipó automático limpinho para se baloiçar sobre abismos. Assim é fácil....</summary>
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<name>renedepaula</name>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p>O Tarzan deve morrer de inveja do Homem-Aranha: o cara clica num botão<br />
e zás, sai um cipó automático limpinho para se baloiçar sobre abismos.<br />
Assim é fácil.</p>]]>
<![CDATA[<p>Para piorar a raiva, a selva de pedra tem mocinhas muuuito mais interessantes do que a Jane e a Chita. Sem platéia feminina de que adianta desfilar saradão e seminu pela floresta, afinal? Uma banana pra esse mascarado, deve grunhir o homem-macaco. </p>

<p>É curioso que um dos super-heróis mais queridos seja... uma aranha. Imagine você convencendo um cliente ou chefe de que um homem-inseto que sobe pelas paredes e lança teias vai ser um estrondo comercial. Faça isso hoje e o cara ou te demite ou pede antes um focus-group, que vai optar fragorosamente pelo Iridiscente Homem-Borboleta. Só o Stan Lee mesmo para emplacar uma idéia improvável dessas. </p>

<p>Mudemos da Cartoon Network pro Discovery Channel: o forte das aranhas não é o bungie-jumping. Aranhas vivem por um fio, mas um fio que tece teias. O bichinho escolhe um canto e vai pacientemente esticando, prendendo, enredando, até que uma teia complicada e invisível fique estendida no ar. Como um certo senhor barbudo, ao final da criação ela descansa. </p>

<p>Descansar é modo de dizer: na ponta de suas patas os fios tensos vão dando notícia se o almoço chegou ou não. Um tremelique nervoso no setor XYZ é a sineta do lanche: ela corre para o ponto exato antes que o almoço escape. </p>

<p>Biologices à parte, vou confessar uma coisa: pela primeira vez em anos eu vejo sentido nessa história de falar em web. Que web é teia em inglês não é novidade, mas antes o que me vinha a cabeça era uma teia mundial de computadores interligados e zunindo, e a metáfora não me comovia muito. </p>

<p>Tudo mudou, ou melhor, tudo está mudando muito rápido. A teia agora é outra. Eu posso escolher quais são as fontes de notícia e informação mais relevantes para mim e concentrá-las todas numa página só, ou em um único software. Eu bato o olho ali e vejo o que tem de novo em N fontes diferentes. Como a aranhazinha, sem sair do lugar eu fico ligado em mil fios que me anunciam as novidades. E tudo o que eu produzo, de podcasts a blogs passando por minhas fotos, tudo pode ser importado nas teias alheias. </p>

<p>Como isso é possível? RSS. </p>

<p>Não, RSS não quer dizer "risos". RSS é tão fácil que é até divertido, mas é algo bem sério. RSS (realyl simple syndication) foi um recurso criado anos atrás para facilitar a distribuição de informações. Eu atualizo meu podcast "roda e avisa" (http://www.usina.com/rodaeavisa) e automaticamente um arquivinho é gerado com o resumo das mudanças. Esse arquivinho de nada é que permite que pessoas do mundo todo "acompanhem" as coisas que eu publico sem ter que visitar minha página. </p>

<p>(Confira http://pt.wikipedia.org/wiki/RSS para ver mais detalhes, é bem bacana) </p>

<p>Preste atenção em grandes sites de notícias, em bons blogs e portais: você vai ver que em algum lugar vai ter um botãozinho escrito RSS, ou XML, ou FEED. Esse botão tem um link, e esse link você pode adicionar à tua teia pessoal de interesses e fontes de notícia. </p>

<p>Quer ver um bom exemplo? A CNN oferece inúmeros feeds: http://www.cnn.com/services/rss/ Outro exemplo: ontem me indicaram um blog bárbaro de um americano super-antenado: http://jeremy.zawodny.com/blog/. Como o blog dele tinha RSS, adicionei-o imediatamente à minha página agregadora e pronto: agora ele faz parte da minha teia, ou melhor, da minha web. </p>

<p>OK, agora todos nós temos "sentidos de aranha", todos nós lançamos teias num duplo-clique. Isso o Peter Parker já tinha. Mas temos uma vantagem sobre o CDF solitário: somos milhões de aranhas, milhões, cada uma construindo sua própria web, cada uma produzindo e pendurando na teia para todas as outras aranhas, cada uma aliando forças com outras aranhas e montando sua própria rede de comunidades e trabalho. </p>

<p>Para nós que trabalhamos com essa selva de teias, qual o impacto? O que muda? Vamos ter que repensar nossa maneira de fazer sites, de criar serviços, de pensar em ações de comunicação? </p>

<p>Sim, e rápido. A menos que queiramos ficar de tanga escutando gorilas</p>]]>
</content>
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<title>Dicas de dança por um peso-pesado</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:18Z</modified>
<issued>2005-10-17T00:47:50Z</issued>
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<summary type="text/plain">Você vai ficando mais velho e o que era elogio passa a te deixar com um pé atrás. Por exemplo: ser um profissional &quot;sênior&quot; indica uma trajetória profissional longa e rica ou quer dizer que... por decurso de prazo você...</summary>
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<![CDATA[<p>Você vai ficando mais velho e o que era elogio passa a te deixar com<br />
um pé atrás. Por exemplo: ser um profissional "sênior" indica uma<br />
trajetória profissional longa e rica ou quer dizer que... por decurso<br />
de prazo você já virou um "ex-jovem"?</p>

<p>E ser um "peso-pesado"? Significa que você precisa retomar a dieta<br />
a-go-ra ou que a sua atuação é poderosa e faz diferença no jogo de<br />
forças?</p>]]>
<![CDATA[<p></p>

<p>Pelo sim, pelo não, essa semana eu me inscrevo numa academia. :)</p>

<p>Se você não for tão sênior assim talvez nunca tenha ouvido falar de um<br />
peso-pesado magnífico, o Cassius Clay. Já? Não? Mohammed Ali, então?<br />
Também não? Céus... quem mandou eu ter 40 anos, enfim?</p>

<p>Vamos lá: Mohammed Ali e Cassius Clay são o mesmo pugilista, e o nome árabe foi adotado quando ele se converteu ao islamismo como o Cat Stevens (o que, na pré-história da minha juventude, era um gesto anti-guerra e pacifista, pasmem). </p>

<p>Eu ia sugerir que você pesquisasse a respeito por conta própria, mas me esqueci que a tua referência de peso-pesado deve ser algo furioso e bestial como Mike Tyson, cuja colaboração artística para a humanidade foi arrancar com os dentes uma orelha alheia, e isso não deve te animar muito. </p>

<p>Esqueça o Tyson. Cassius Clay era elegantíssimo no ringue, um dançarino. Mais: fora dos ringues era um ativista político, um negro consciente, um ídolo pop e, pasme, um belo frasista. É dele a frase que me inspirou esse artigo: "fly like a butterfly, but sting like a bee", voe como uma borboleta, mas ferroe como uma abelha. Lindo, não? Exceto, claro, para quem, confuso de ver aquele gigante dançando em torno de si, recebia o murro certeiro e beijava a lona. </p>

<p>E o que tem a ver o conselho de um boxeur com nosso ofício de zeros e uns? Simples: muitos dos grandes tapas-na-cara digitais hoje, muitas das porradas nocauteadoras no digimundo são... simples. </p>

<p>Não? Pense nas páginas de busca. Pense nos messengers. Pense nos blogs. Voam como borboletas, não? Você os acessa de todo lugar, em qualquer máquina, em palms, em celulares... Não importa onde, eles pousam com graça e leveza sempre. A hora que você os aciona, porém, são rápidos e certeiros. Como uma abelha. Viram só? Ou vocês pensavam que abelhinhas e flores só servem pra (não) falar de sexo? </p>

<p>Agora pense naqueles sites super instigante-original-multimídia que você viu uma vez só, achou lin-do, mas nunca mais usou porque ele não te agregava em nada. Well, de cara me lembro de uns 3. </p>

<p>Eu creio, porém, que o Cassius Clay não tenha jamais sido picado por uma abelha. Você já foi? OK, dói, mas como se não bastasse a picada, a abelha continua se batendo contra você insanamente, batendo, batendo, até morrer. Muito estranho (e contra as regras do pugilismo, imagino). Sabe por que ela faz isso? Antes de morrer, ela vai te marcando com um odor que avisa às outras abelhas que você é um inimigo. As outras abelhas sentem o cheiro que ela deixou em você e te picam também. Aí que mora o perigo: uma picada leva à muuuuuitas outras. </p>

<p>Tem outra grande lição aí: abelhas não só ferroam forte, mas também colaboram entre si, trocam informações, e assim derrotam qualquer inimigo. E as coisas mais bacanas que temos hoje no digimundo funcionam da mesma maneira: as "borboletas" digitais não só voam com elegância mas também se comunicam entre si. Teu messenger te avisa do email que chegou e das últimas notícias, teu webmail te avisa por SMS de uma mensagem urgente, você escolhe quais fontes de notícia tua home vai "escutar" por RSS, você compartilha teus favoritos usando metatags, você compra produtos baseado nos reviews de outros consumidores... </p>

<p>É assim que os pesos-pesados do digimundo estão lutando hoje, num estilo que mistura leveza, rapidez e integração. Preste atenção, compare os campeões, estude seus movimentos. E torça fervorosamente, como eu, pelos milhões de usuários que estão ganhando asas.</p>]]>
</content>
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<title>Gestão do Luxo</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:18Z</modified>
<issued>2005-10-17T00:02:36Z</issued>
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<summary type="text/plain">Se você quiser entender o Brasil volte pra escola: escolas de samba. Eu faltei nessa aula e até hoje sinto falta. Um dos nossos gênios da raça, Joãozinho Trinta, cercado de corpos nus e alegorias, despiu nossa brasilidade em cadeia...</summary>
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<name>renedepaula</name>
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<email>rene@usina.com</email>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Se você quiser entender o Brasil volte pra escola: escolas de samba.<br />
Eu faltei nessa aula e até hoje sinto falta.</p>

<p>Um dos nossos gênios da raça, Joãozinho Trinta, cercado de corpos nus e alegorias, despiu nossa brasilidade em cadeia nacional: "Quem gosta de miséria é intelectual. Povo gosta de luxo". E dá-lhe apoteoses, purpurina, plumas e samba para o mundo inteiro babar.</p>

<p>O "renezinho quarenta" aqui não gosta de miséria, mas eu devo confessar que essa mania toda de luxo me desconcerta. Gestão do Luxo pra cá, shopping de luxo pra lá, revistas de luxo, cafés de luxo, bancos de luxo... Tem algo esquisito aí, não? Ou sou eu que preciso ter mais jogo de cintura?</p>]]>
<![CDATA[<p>Talvez eu tenha passado tempo demais bebendo de outras fontes, fontes gringas, lendo os Jakob Nielsen e Steve Krug da vida e torcendo o nariz pra carnavalidades, leões de Cannes, prêmios e outras alegrias tupiniquins.</p>

<p>Talvez eu tenha me viciado na racionalidade das métricas do marketing direto, ou na fissura de otimizar resultados e tal.</p>

<p>Overdose de "less is more", talvez.</p>

<p>Preciso reler Oswald. Preciso rever a Tropicália. Quem sabe assim eu aprendo a me alimentar da racionalidade importada para transformá-la em algo que dê samba. É o mínimo que eu posso fazer, pois em torno de mim, com ou sem Oswalds e Caetanos a brasileirada toda é PHD em antropofagia.</p>

<p>Orkut? Dá samba. Fotolog? Entrou na roda. Podcast? Manda que a gente traça!</p>

<p>Essa facilidade com que adotamos novidades me desconcerta, palavra. Quando eu menos espero já perdi o pé e estou atravessando o samba. E dá-lhe repensar, sondar, fazer de tudo o que possa me trazer de volta ao compasso popular. Mas cinco minutos depois surge outra novidade e pronto, lá vamos nós de novo.</p>

<p>Acho que estou aprendendo algo, enfim: no digimundo "miséria" não quer dizer interface peladinha, e "luxo" não requer banda larga. Pense bem: messengers são um luxo. Orkuts e Yahoogrupos são um luxo. Uma caixinha de busca no teu browser, seja Yahoo ou Google ou MSN, são um luxo. SMS entre operadoras idem.</p>

<p>Pense agora nas coisas que te fazem sentir miserável: internet banking ruim é miséria. Sites com "loading" são uma miséria. "Fale conosco" que não responde é uma miséria. Softwares pesados são uma miséria.</p>

<p>Luxo é uma experiência rica. Experiência rica é aquela que te enriquece como ser humano.</p>

<p>Miséria é querer e não conseguir. Miséria é ser tratado como mais um.</p>

<p>Luxo não é um computador que fala: luxo é falar de graça com gente querida usando Skype.</p>

<p>Luxo não é uma foto de 6 megas: é tirar uma foto do teu filho com o celular e mandar direto pro Flickr para o mundo inteiro ver.</p>

<p>Luxo é esquecer que abismos existem. Miséria é ficar ilhado.</p>

<p>Rodei, rodei para enfim cair numa roda de samba, precisei chegar aos 40 para entender a sabedoria do Joãozinho Trinta.</p>

<p>Falta só eu ter mais ginga. Quem sabe um dia.<br />
Enquanto isso crio passarelas e pontes e construo instrumentos para o povo delirar na avenida. </p>]]>
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<title>Como se pega um beija-flor?</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:17Z</modified>
<issued>2005-07-02T23:14:13Z</issued>
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<created>2005-07-02T23:14:13Z</created>
<summary type="text/plain">OK, isso não é coisa pra se perguntar assim do nada, mas a questão quase me acerta na testa mal eu abro a porta, e voilá a dita ave em pânico se debatendo contra o teto, paredes, um furacão azulado...</summary>
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<name>renedepaula</name>
<url>http://www.usina.com</url>
<email>rene@usina.com</email>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p>OK, isso não é coisa pra se perguntar assim do nada, mas a questão quase me acerta na testa mal eu abro a porta, e voilá a dita ave em pânico se debatendo contra o teto, paredes, um furacão azulado sem freios nem juízo.<br />
</p>]]>
<![CDATA[<p>Rapidamente notei que alguém já estava se dedicando a esse problema filosófico de maneira bastante atlética, e antes que ele literalmente matasse a charada, tirei meu gato de cena. O pobre passarinho não tinha sete vidas, enfim.</p>

<p><br />
Como se pega um beija-flor?, pensava eu quebrando a cabeça enquanto o pobre bicho quase quebrava a própria. De sopetão? De tocaia? Com as mãos? Com uma rede? Perto de uma criatura tão delicada eu me senti um godzilla tosco. E pensar que ele descendia de dinossauros, e não eu. </p>

<p>O que tem essa história a ver com nosso métier, afinal? Well, pra mim tem. Se você já teve que cativar corações e mentes e fazer com que um projeto online fluísse, sabe do que estou falando. Colaboração é avis rara, ave... do paraíso, quase. </p>

<p>Desenhar uma arquitetura, definir um fluxo de trabalho não é bicho de sete cabeças. Difícil é fazer sete bichos humanos não baterem cabeças ao trabalhar em conjunto. </p>

<p>Muitos idéias “interativas” brilhantes nunca decolam porque dependem de uma integração, de uma colaboração, de uma espontaneidade impensáveis em condições normais de temperatura (baixa) e pressão (alta). As pessoas se entocam, viram porco-espinho e os projetos atrofiam. </p>

<p>Gente é um bicho estranho mesmo: um mero boato faz com que cordeiros virem lobos, e o que era uma alegre colméia vira ninho de vespas. A mera suspeita de uma mudança de organograma é capaz de deixar gente sênior tão atarantada quanto meu beija-flor na cozinha. É só passar o perigo, porém... que todos somos golfinhos brincalhões de novo. </p>

<p>Projetos de internet não escapam dessa selva. Qualquer projeto online, qualquer mesmo, sacode estruturas. O mundo não é empresas de um lado, pessoas de outro, com a internet servindo de ponte. O mundo real é feito de feudos, tribos, tramas, times rivais e outras encrencas numa cartografia intrincada e, pior de tudo, invisível. Você só percebe que existia uma fronteira depois que pisou no campo minado.</p>

<p>Information highway? Eu só vejo buraqueira, semáforos quebrados e gente em fila dupla. </p>

<p>Mas... qual a saída? Engrenar a tração nas 4 rodas e forçar o motor? Acredite: a menos que você queira fundir motores e cérebros, não. </p>

<p>A primeira medida é... medir o terreno. Avalie muito bem quais são os interesses em jogo, que resultados são realmente críticos e quais os fatores que podem levar o projeto à ruína. Falta de verbas? Custo crescente? Estouro de prazo? Refaça a tua rota para não ficar no mato sem cachorro. </p>

<p>Segunda medida: casting. Como numa peça de teatro ou filme, um projeto online precisa de atores, gente que reme, fique no timão, gente que ice as velas. Investigue com carinho se as pessoas são aptas a tocar esse barco. </p>

<p>OK, a essa altura teu projeto já tem motor, airbags, piloto, navegador e o tanque cheio de combu$tível. Mas que o impede essa turma de desencanar e ir para o litoral norte ser feliz? Simples: envolvimento. Eis aí nossa ave fugidia, nosso beija-flor assustado. </p>

<p>Todo começo de projeto online parece sala de aula: sempre um ou dois levantam a mão ansiosos por responder, enquanto uma turma enorme faz cara de paisagem. Teu projeto também vai ter um ou dois entusiastas, mas ainda falta cativar o resto das tribos. </p>

<p>Aí está o segredo: as malditas tribos. </p>

<p>Mas por mais que a gente se feche em tribos (atendimento x criação, comercial x desenvolvimento, TI x marketing), tribos são feitas de pessoas, e pessoas são muito mais ricas e complexas e interessantes do que um mero rótulo. Veja teus amigos no orkut: você sempre se surpreende por descobrir que um conhecido teu, de outra tribo completamente distinta, também está na comunidade “eu adoro pizza amanhecida”. Quem diria... Outro colega teu de departamento, tímido e fechado, é popularíssimo numa comunidade forrada de conhecidos do outro andar. Ora vejam... </p>

<p>Se você criar oportunidades e propiciar o clima adequado, as pessoas saem da toca e criam novos laços, novas afinidades, e perdem a vergonha de levantar a mão e vir à lousa. </p>

<p>Não é fácil não, mas compensa. É um processo delicado, que requer sensibilidade, justiça e alguém que transite livremente. Mais importante ainda: alguém que saiba reconhecer, valorizar e incentivar as atitudes pró-ativas, generosas. Em pouco tempo surge algo definitivamente maior que a soma das partes: colaboração, sinergia, fecundidade. </p>

<p>Vale a pena. Eu juro que vale. Digo isso com uma gata rajada se espreguiçando ao meu lado, gata sem dono que inexplicavelmente confiou em mim, entrou conosco no chalé e passou boas horas no meu colo diante da lareira. Um dengo. Que diferença do meu gato maldoso que quase enfartou um beija-flor desnorteado. </p>

<p>Falando nele... como eu peguei o beija-flor? Nem sei. Sentei por uns bons trinta minutos ali, tranqüilo, esperando que em algum momento ele se acalmasse e aceitasse minha mão. Uma bela hora eu lhe estendi com calma um apoio, ele pousou ali e eu lentamente o levei até a janela. Lá se foi ele. </p>

<p>Deve haver outras maneiras, imagino. Mas isso é o que eu soube fazer: me desarmar e estender a mão.</p>

<p>Os dinossauros acabaram virando pássaros. Se você facilitar, pessoas também criam asas.</p>]]>
</content>
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<title>Era só bala que avoava!</title>
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<summary type="text/plain">Dias atrás reencontrei bons e velhos amigos, gente que não via faz tempo, alguns há quase dez anos. Muitas risadas, lembranças queridas, pizza, brindes... e uma percepção geral: a grande história que vivemos juntos não entrou para a história....</summary>
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<name>renedepaula</name>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Dias atrás reencontrei bons e velhos amigos, gente que não via faz tempo, alguns há quase dez anos. Muitas risadas, lembranças queridas, pizza, brindes... e uma percepção geral: a grande história que vivemos juntos não entrou para a história.</p>]]>
<![CDATA[<p>“Devíamos escrever um livro!”, alguém arriscou. “Um documentário!”, sugeriu outro. Eu calei. Para mim sempre foi claro que algumas histórias, boas ou não, nunca vão mais longe do que a mesa de um bar (ou um divã de psicanalista). São complexas demais, são intensas demais, são revolucionárias demais. Ou você as viveu, ou não.</p>

<p><br />
Você já deve estar pensando que a grande história injustiçada é a saga de alguma pontocom extinta, ou de alguma campanha online tresloucada, ou de algum projeto digital ensandecido. Lamento, mas não. Estávamos relembrando nossos tempos de telejornalismo, nosso tempo de Aqui Agora. (Sim, eu trabalhei no Aqui Agora). </p>

<p>Espero não ter decepcionado ninguém. Quem trabalha com internet tende a achar que esse ramo é o clímax da loucura, do corre-corre, que existe um “internet timing”, que existe um pique, uma agilidade, uma urgência que são marca registrada e monopólio desse métier. </p>

<p>Sorry, mas eu não caio mais nesse papo. A tal “loucura” do trabalho online é loucura sim, mas loucura nossa. Não precisava ser assim. Não deve ser assim. Se é assim, é por consenso mútuo entre adultos sem juízo. </p>

<p>Quer uma prova? Então inspire-se nos seriados CSI ou Without a Trace, vista a camisa do Gil Gomes e tente reescrever a tragédia de um job através das provas. </p>

<p>Primeiro mistério: quase não há provas. “O cliente estava com pressa e passou o briefing por telefone”, ou “Ele me pediu isso via messenger”. Mas... você não cumpriu o seu papel e colocou esse briefing no papel, ou ao menos num email de confirmação? “Não dava tempo”. </p>

<p>Segundo mistério: os tempos “não batem”. A tal da “pressa internética” parece que só existe no pontapé inicial e em pontapés no traseiro quando o job atrasa. Entre o chute inicial e os chutes derradeiros, é um festival de demoras, tropeços, passos intrincados de tango e uma alternância de pés em cima da mesa e pisadas nos calos. Os ritmos começam a atravessar logo de cara, o descompasso é crescente e os prazos começam a enforcar todo mundo. </p>

<p>Terceiro mistério: o motivo. Como ninguém registrou nada, como as bolas que vieram quadradas seguiram quadradas e, sobretudo, como ninguém manifestou suas dúvidas a tempo, no final ninguém sabe mais qual era a finalidade essencial do job. Sem saber o propósito do trabalho, o resultado são tiros no escuro. Se alguém acertar o alvo, foi não-intencional. </p>

<p>Quarto mistério: temos um serial killer. Jobs inocentes acabam esquartejados a cada semana, a cada mês, e o padrão é sempre o mesmo. De vez em quando tem sangue na parede, cabeças rolam, mas no geral temos o que a polícia mui sabiamente categoriza como desinteligência. E tá lá o job estendido no chão. </p>

<p>Para acabar com essa onda de jobicídios, só tem um remédio: tolerância zero. Nada de briefings por telefone, nada de pedidos em mesa de happy hour, nada de solicitações por messenger. Briefing tem que vir por escrito, tem que ficar registrado, tem que ser devidamente documentado. Briefing tem que ser completo, briefing tem que vir redondo. </p>

<p>Informalidade e subserviência frente a um cliente queima o teu próprio filme: jamais vão te considerar como um profissional sério. Quem é profissional e maduro exige processos, exige metodologia. </p>

<p>Não há caminho do meio: ou teu job acaba numa história do Gil Gomes, ou com a benção do Russomano: “sendo bom para ambas as partes...”. Seriedade já, aqui e agora.</p>]]>
</content>
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<title>Lenda viva, muito viva</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:17Z</modified>
<issued>2005-07-02T23:11:42Z</issued>
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<summary type="text/plain">A lenda é mais ou menos assim: na legendária aula inicial, o grande mestre distribui a seus discípulos (todos novatos) folhas de papel e diz “Construam”. E sai....</summary>
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<name>renedepaula</name>
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<email>rene@usina.com</email>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p>A lenda é mais ou menos assim: na legendária aula inicial, o grande mestre distribui a seus discípulos (todos novatos) folhas de papel e diz “Construam”. E sai.</p>]]>
<![CDATA[<p>O desafio era heróico. A escola era, afinal, lendária, seus professores idem, e muitos do que saiu dali (homens e idéias) mudariam o mundo.</p>

<p><br />
Quando o mestre volta há uma torre Eiffel de papel, uma catedral gótica de papel e... algo inusitado: um grupo dobrou uma folha em V, inverteu-a e a apoiou na mesa, como uma tenda. Comparado aos outros projetos, é quase uma afronta. </p>

<p>O mestre disse: </p>

<p>- Catedrais góticas são o apogeu da pedra. É a construção mais luminosa, mais vertiginosa que jamais se fez em pedra. A torre Eiffel, por outro lado, é o triunfo do ferro: só quando dominamos os segredos do ferro pudemos fazer uma estrutura assim. Já essa tenda de papel, tão singela, explora aquilo de que só o papel é capaz: ser dobrado com as mãos e sustentar sua forma com leveza e graça. </p>

<p>Os outros dois grupos tentaram usar o papel para imitar outros materias. Já esse grupo entendeu a natureza do papel e a expressou com perfeição. </p>

<p>Não sei se você já pensou nisso, mas quando se começa a trabalhar com internet o que te jogam na mão é mais delicado que papel: um “material” tênue, flexível, quase transparente. E aí, o que dá para fazer com isso? </p>

<p>Assim como com o papel da lenda, dá para se fazer muita coisa, sobretudo besteiras. Nos primórdios, quando conexão de 28k era um luxo, já se faziam shockwaves elaborados, streaming video, audio, games em java... Imagine, então, quando tivermos banda larga, pensava-se. </p>

<p>Em pouco tempo “construir” passou a ser... usar flash. Que maravilha! Originalidade, impacto, complexidade, tudo isso sem pesar as toneladas de antes. Agora sim estávamos fazendo coisas “interativas” sem ter que esperar pela terra prometida... da banda larga. </p>

<p>Assim como o guru da lenda, eu já fazia meus apartes: coisas pesadonas assim, imersivas, multimídia, são usos pobres dessa novidade. Isso CD-ROM já fazia, TV já fazia, rádio já fazia... e melhor. Usar internet pra isso é fazer catedrais de papier-maché, é usar internet como cano estreito para despejar conteúdo. E sonhar com banda lardar era ficar fascinado com o dedo que aponta a lua, e não ver a lua. </p>

<p>Um dia os Google’s, Yahoo’s, Radio Userland e Orkut’s da vida nos deram um tapa na cara dizendo “acordem, manés”. Diante de nossos olhos estavam enfim usos inteligentes, bem-bolados, elegantes de tudo aquilo que esse nosso papel hiper-dobrável era capaz de fazer. </p>

<p>Mas afinal... do que esse nosso papel é capaz? </p>

<p>Ele é capaz, sobretudo, de criar pontes. No nosso ofício, só cria ilhas quem quer ou está mal-informado. E, claro, só está mal informado quem quer. </p>

<p>Aprender a lição desses mestres não é fácil não. </p>

<p>Por exemplo: RSS. Eu demorei um bom tempo para entender que diabos era isso, mas hoje todos os meus blogs estão compatíveis. Idem para podcasting: meu audioblog também está preparado. Quem quiser acompanhar o que eu publico, é só usar um bom leitor de RSS (tem pra windows, mac, pocketpc, palm...). </p>

<p><br />
Pra descomplicar: RSS é uma maneira de você disponibilizar conteúdo. Eu publico um post no meu blog, e automaticamente ele gera um arquivinho com um resumo do que eu publiquei. Esse arquivinho sempre “fresco” pode ser lido e importado de um monte de jeitos. Se você usa o blogger, ou usa o movable type, ou muitas outras soluções de publicação, elas geram RSS automaticamente. E para você acompanhar vários RSS ao mesmo tempo, eu sugiro o Awasu, gratuito e legal (www.awasu.com)</p>

<p><br />
Uma vez que meus blogs e coisas online todas estavam compatíveis com RSS, criei uma página que mostra de uma só vez, automaticamente, as últimas novidades de todos os meus blogs. Eu publico uma foto nova? Aparece lá. Um post novo? Idem. Quem quiser ter uma visão geral do que eu ando fazendo, vê tudo no www.usina.com/varal. </p>

<p>Mais: quem quiser inserir no seu próprio site chamadas para o que eu publico, é só usar meus RSS também. </p>

<p>Quer ver quem faz isso em larga escala? O Yahoo. A home do My Yahoo permite você adicionar blocos de conteúdo de outros sites. Basta eles gerarem... RSS. Veja o site da BBC. CNN. Veja o site... da MSN. Todos eles tem um linkzinho em algum lugar para o RSS. Veja que belo esforço o do projeto RSSficado (http://www.rssficado.com.br ) </p>

<p>Eu fico encantado: conteúdo sendo distribuído e publicado e trocado e disponibilizado automaticamente, seja para que plataforma for, seja para que sistema for. Pessoas misturando conteúdos de todo canto, pessoas disponibilizando seu trabalho em todas as direções. A tal da web finalmente começa a ter cara de... spider web. </p>

<p>Procure descobrir mais sobre RSS. Aventure-se, explore. Vale a pena. </p>

<p>Voltando à nossa lenda: a escola era a Bauhaus em Weimar, Alemanha. O mestre? Josef Albers. Quando? Lá se vão oitenta anos mais ou menos. O prédio em que você está, a cadeira em que você se senta, tua caneta, muito do nosso repertório cotidiano vem de lá. Pesquise na Wikipedia, vale a pena (www.wikipedia.org , outro belo projeto colaborativo). </p>

<p>Gosto muito dessa lenda. Lenda boa é assim: não tem gnomos, princesas nem bruxos. Lenda boa tem homens, coragem e, sobretudo, a esperança de um final feliz para muita gente. Isso sim é mágico.</p>]]>
</content>
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<title>DIÁRIO DE BORDO</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:17Z</modified>
<issued>2005-07-02T23:09:58Z</issued>
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<summary type="text/plain">San Francisco, Califórnia - Vocês estão procurando algo? Posso ajudá-los? Tirei meus olhos do mapa amarrotado e ali estava ele, sorridente. Perguntei por uma casa vitoriana XYZ que deveria ficar nas imediações. O moço a conhecia sim, era na rua...</summary>
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<name>renedepaula</name>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p>San Francisco, Califórnia<br />
- Vocês estão procurando algo? Posso ajudá-los?<br />
Tirei meus olhos do mapa amarrotado e ali estava ele, sorridente. Perguntei por uma casa vitoriana XYZ que deveria ficar nas imediações. O moço a conhecia sim, era na rua de cima à esquerda, coisa simples. Agradeci pela solicitude e hospitalidade e pensei comigo: esse cara é o Google 2.0.</p>]]>
<![CDATA[<p>Miami, Flórida<br />
Vishal me deu uma carona. Veeranna também veio conosco. No carro, comentávamos felizes o jantar indiano comme il faut que Lalitha nos oferecera. Perguntei ao Vishal se ele gostava da cidade, se ele gostava da América. Enquanto dirigia pela noite tranqüila, me disse que tanto fazia Miami, San Diego ou qualquer outra cidade, dava mais ou menos na mesma. Encontrar lugar para morar, achar trabalho, fazer compras, dirigir, tudo na vida cotidiana era o mesmo, tudo funcionava igual. “Sistema americano” foi a palavra que ele usou. Você pode mudar de cidade sem pestanejar, porque o sistema é o mesmo. Insisti: “vocês não estranham nada?”. <br />
- Claro! As maçanetas. Aqui são ao contrário!<br />
Rindo, Veeranna acrescentou:<br />
- Os interruptores também! Aqui são de cabeça para baixo! </p>

<p>São Paulo<br />
- Rua Manoel Maria Tourinho? Deixa comigo.<br />
Pacaembu eu conhecia bem. Aquilo era um labirinto, ruazinhas sinuosas serpenteando bairro adentro num traçado perverso que eu só aprendi depois de anos morando na área. De casual, porém, o desenho do bairro não tinha nada: foi um truque urbanístico para que as ruas não virassem um corredor de tráfego, para que as casas ficassem sossegadas numa ilha impenetrável aos motoristas de fora. </p>

<p>Adoro cidades. Adoro. E quanto mais eu trabalho no digimundo, mais eu vejo que estamos de novo erguendo cidades, metrópoles, bairros, malls... sem tijolo algum. Cidades Invisíveis, do Calvino, está ganhando um adendo. (Você não leu? Leia. Releia.) </p>

<p>Esse paralelismo cidades x internet me fascina faz um bom tempo. A primeira coisa que me ocorreu foi mais pobre, porém: pensava no quanto webdesign e arquitetura eram parecidos: a home e a fachada, o sitemap e a planta, e por aí vai. Não é de se espantar que se fale em arquitetura de informação, afinal. </p>

<p>A analogia não ajuda muito, porém: se você quiser fazer sua casa redonda, é problema seu. O vizinho fez uma palafita? Azar o dele. A casa em frente vai ser inteira cor-de-rosa, paredes e teto? Sorte sua que você não vai morar lá. </p>

<p>Muito do que se fez de webdesign, no começo, era assim: cada site era a cara do dono, cada site era original, homes competiam em originalidade e impacto. </p>

<p>Algo, felizmente, nos salvou desse festival de bizarrices. Google. E por três razões. </p>

<p>Primeira razão: sites demais. Antes dava para “navegar” a esmo, checar alguma lista de hot links e topar com o que você queria. Agora não dá mais. </p>

<p>Segunda razão: se o conteúdo do teu site é invisível para o Google (arrá!!! Quem mandou fazer em flash?), teu site vai passar batido, a menos para internautas paranormais. </p>

<p>Terceira razão: uma busca no Google traz dezenas de resultados. Se tua página for bizarra, se não for imediatamente compreensível e usável, o usuário clica, rejeita, volta atrás e tenta outro mais fácil. </p>

<p>Adeus condomínios fechados. Adeus aldeiazinhas e tribos. Adeus ilhas da fantasia. Google é o novo Robert Moses do digimundo. (Não sabe quem é? Confira... no Google) </p>

<p>Hoje não penso mais em arquitetura. Hoje penso em urbanismo. Na minha cabeceira, hoje, está Vida e Morte das Grandes Cidades, da Jane Jacobs. Meus assuntos de interesse, hoje, são softwares sociais, padrões emergentes e, como sempre, usabilidade. </p>

<p>Cidades são complexas. Cidades são imprevisíveis. Cidades desafiam qualquer tentativa de controle. Internet é igual: o email favelizou-se, sites de banco são fortalezas anti-fraude, o Orkut já não é mais “entre amigos”, homes são pichadas por vândalos. </p>

<p>Como evitar que a internet degenere? Como criar ambientes online que sejam dignos, que enriqueçam a vida das pessoas? Como tornar a vida digital mais humana? Como usar esse universo em favor da democracia e liberdade? Como desarmar o egoísmo para que a colaboração floresça? </p>

<p>Essas são as questões que eu me coloco hoje, seja ao esboçar um novo projeto, seja na escolha de um ou outro layout, seja na hora de comprar um gadget. É isso que me orienta quando modero uma comunidade. </p>

<p>Pensar grande não é pensar pirâmides ou monumentos. Pensar grande é pensar em como manter as calçadas do digimundo gostosas, seguras, e plurais. </p>

<p>Essa é a nossa natureza.</p>]]>
</content>
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<title>Palavrão com P maiúsculo</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:16Z</modified>
<issued>2005-04-06T16:13:35Z</issued>
<id>tag:www.usina.com,2005:/tete-a-tete//14.1138</id>
<created>2005-04-06T16:13:35Z</created>
<summary type="text/plain">artigo para revista webdesign Eu percebo que estou ficando jurássico quando vejo que meus palavrões mais caros, justo aqueles que viraram advérbios (para ****, do **) ou viraram minhas “vírgulas” (****), hoje caem mal como um pum....</summary>
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<name>renedepaula</name>
<url>http://www.usina.com</url>
<email>rene@usina.com</email>
</author>
<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em>artigo para revista webdesign</em></p>

<p>Eu percebo que estou ficando jurássico quando vejo que meus palavrões mais caros, justo aqueles que viraram advérbios (para ****, do **) ou viraram minhas “vírgulas” (****), hoje caem mal como um pum.</p>]]>
<![CDATA[<p>O mais interessante dos palavrões é que muitos deles homenageiam o que todo mundo tem, ou o que todo mundo faz. Por que *** será que são “feios”?</p>

<p><br />
Estamos em pleno verão, carnaval, e vou me despir dos meus pudores rotineiros. Tape os seus ouvidos e olhos, porque vou soltar um palavrão aqui: Política.</p>

<p>Repetindo de boca cheia y con mucho gusto: Po-lí-ti-ca. Eu faço, você faz, todos fazemos. Freud que me perdoe, mas ainda acho que política nos move mais que tesão. Ditadores velhotes podem precisar de viagras pra sexo, mas pra política estão sempre a postos.</p>

<p>Você não faz política? Siiiiim, você faz. Se você decidiu não fazer política... essa é uma política também. A maneira como você se veste é política. As gírias que você usa. As tuas comunidades no orkut. Comprar um iPod. Não comprar um iPod. Fechar os olhos, abrir os olhos, dar o braço, apertar o passo, largar a mão. Tudo é política.</p>

<p>Sei que não costumamos pensar assim e que esse parece ser um território da estética, da ética, da moral ou gosto. Mas se isso impacta outras pessoas agora ou no futuro, então é política. Ponto.</p>

<p>Pode ficar tranqüilo: não vou questionar teu corte de cabelo, nem tua vida noturna. Por uma decisão política antiga e teimosa, eu vou bater na mesma tecla de sempre: seu trabalho no digimundo.</p>

<p>Eu trabalhava em TV, antes. Quando você percebe que teu trabalho entra sem pedir licença na sala de uma nação, dá um frio na barriga. Você está fazendo parte da vida, das referências, das memórias de milhões de pessoas.</p>

<p>Ok, não estou mais em mídia de massa. Ou estou/estamos?</p>

<p>Eu, por postura... política, prefiro pensar que sim, com um agravante: mídia INTERATIVA para massas. Estou conferindo a milhões um poder que elas nunca tiveram. Estou dando para meus contemporâneos e descendentes mais controle sobre seu próprio destino. Estamos no mesmo barco de Gutemberg e... Pronto: falei que política dá tesão? Já me empolguei.</p>

<p>Voltando ao que nos une, o nosso ofício: qual tua postura política? Aqui vai um check-up:</p>

<p>    * você faz coisas só para privilegiados ou todos podem usar?<br />
    * Você compartilha o que você aprende?<br />
    * Outros podem usar teu trabalho?<br />
    * Teu trabalho está aberto a comentários e participação ou é fechado?<br />
    * Teu trabalho tem escalabilidade? O que acontece se milhões o utilizarem?<br />
    * Teu trabalho gera riqueza social ou é parasitário?<br />
    * Teu trabalho dá crédito para quem colaborou?<br />
    * Quem paga as contas do teu trabalho?<br />
    * Teu trabalho pode servir como base para um futuro melhor?<br />
    * Teu trabalho pode evoluir e se adaptar ou vai virar relíquia?<br />
    * O fruto do teu trabalho germina e dá frutos ou “estraga” depois de um tempo?<br />
    * Teu trabalho “conversa” com todas as plataformas ou é uma ilha sem pontes?<br />
    * Dá pra encaixar teu trabalho em trabalhos maiores ou ele é “stand-alone”?<br />
    * Teu trabalho reflete a tua visão de mundo ou a dos teus usuários?<br />
    * Quem você escuta antes de criar? Gurus, inspirações ou... gente de verdade?</p>

<p>E por aí vai. Decisões altamente políticas em cada interface que você cria, em cada solução que você propõe, em cada gif, flash, javascript, mapa, tudo.</p>

<p>Claro que você pode achar isso “chato”, e querer ser parâmetro de tudo, ou querer ser genial, engraçadinho, irreverente, enfant-terrible, etc.. Para isso tem outro palavrão da década de 60: inocente útil.</p>

<p>Eu tenho uma bandeira: power to the people. Se quiser fazer parte, o prazer é nosso, pra ***.</p>

<p><br />
</p>]]>
</content>
</entry>
<entry>
<title>O gênio da página</title>
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<modified>2006-07-31T01:12:16Z</modified>
<issued>2005-04-06T16:12:45Z</issued>
<id>tag:www.usina.com,2005:/tete-a-tete//14.1137</id>
<created>2005-04-06T16:12:45Z</created>
<summary type="text/plain">artigo escrito para a revista Webdesign Memórias brasileiras têm um gosto indefinível, misto de doçura e de absurdo, de picante e suculento, gostos de dar água na boca e que te trazem palavras fortes na ponta da língua, mas antes...</summary>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em>artigo escrito para a revista Webdesign</em></p>

<p>Memórias brasileiras têm um gosto indefinível, misto de doçura e de absurdo, de picante e suculento, gostos de dar água na boca e que te trazem palavras fortes na ponta da língua, mas antes que você as enquadre as palavras te driblam o verbo e lá se foi o discurso, a história, a prosa.</p>]]>
<![CDATA[<p>Não somos um país sem memória. Memória não falta, o que falta é colocá-las na linha, em linhas, em blocos comportados longe do carnaval das entrelinhas e da folia do não-dito. Haja jogo-de-cintura para se fazer um balanço nesta terra sem perder o rebolado.</p>

<p><br />
A repórter perguntou: “General, o senhor poderia fazer um balanço do seu governo?”.</p>

<p><br />
Figueiredo não hesitou. Diante das câmeras e dos olhos da nação balançou pra cá, pra lá e disse: “Está bom assim?”</p>

<p><br />
(Creio que foi assim mesmo, creio ainda que absurdo, creio com fé vacilante na minha memória idem).</p>

<p><br />
Há balanços mais tentadores do que o de um general irreverente -Vinicius que o diga - mas a tentação de se fazer balanços numa hora como essa é quase irresistível, ainda mais quando um ano se encerra e pede um epitáfio, um rótulo, uma elegia.</p>

<p><br />
Balanços têm sempre um eixo, e girando em torno do título desta revista eu proclamo: esse foi um excelente ano para o webdesign, sobretudo porque foi um péssimo ano para o webdesign ou, ao menos, para o que se costumava encarar como webdesign.</p>

<p>(Well, quem sou eu para falar em webdesign se nem designer eu sou... mas é que esse ano me fez perguntar: o que eu sou mesmo? O que eu deveria ter feito e pelo visto ainda não sei fazer? O que eu vou ser no ano que vem?)</p>

<p>Acabei esse ano deliciosamente desnorteado, abençoado por experiências que jogaram pro alto toda minha experiência, e que me forçaram a perceber que esse nosso ofício tem que se reinventar de cabo a rabo.</p>

<p>Reveja 2004 e veja o Google. Veja os filhotes do Google: Google Desktop, Google Adsense, Google Gmail, Google Picasa. Google via SMS, via WAP. Que webdesign é esse, que fez um logo, uma caixa de texto e um botão de submit virarem a chave para o inumerável?</p>

<p>Veja o Yahoo. Veja as facetas do Yahoo: messenger, chat por voz, webmail, grupos, mobile, porta-arquivos, agenda online, bookmarks online. Veja o Skype.</p>

<p>Veja o Orkut. Veja os blogs. Veja o SMS. Veja a integração do iPod com o iTunes e com a loja online da Apple.</p>

<p>Há algo maior tomando corpo, se infiltrando nas nossas vidas, redefinindo a maneira como trabalhamos, vivemos e vemos o mundo. Algo que não se restringe a interfaces instigantes, criatividade gratuita ou interatividade de araque. Algo que não espera pela benção da academia, nem pelo champagne de publicitários. Algo que não é privilégio de descolados ou de gente com cabelo esquisito. Coisas com siglas anônimas que nos tornam mais humanos, mais dignos, naturais, letras mudas que nos dão mais voz. Um mundo inteiro de integração, de transparência, de agilidade, um universo inédito que parece com tudo o que eu sempre sonhei mas com nada que eu soubesse fazer ou criar.</p>

<p>Reveja tudo isso que te é tão caro no digimundo e me responda: que webdesign é esse, que nos faz mais completos, mais humanos, mais criativos? Usaram Flash, applets, DHTML? Usaram a cabeça, e pensaram... com a cabeça dos usuários. Pensaram naquilo que os usuários pensam, e pensaram em como fazer coisas fáceis de usar, páginas que fossem como o gênio da lâmpada: você pede, ela faz.</p>

<p>Gênios de historinha concedem três desejos sempre, e se vocês me concederem essa honra, coloco aqui meus 3 desejos para o nosso ofício:</p>

<p>    * Desejo que aprendamos a satisfazer desejos reais, e não a inventar desejos vazios<br />
    * Desejo que desejos possam ser atendidos a qualquer momento e em qualquer lugar, não só na frente de um desktop de 30 quilos.<br />
    * Desejo que milhões desejem milhões de desejos, e que não precisem de gênios para realizá-los</p>

<p></p>

<p>Nós, brasileiros, já demos os primeiros passos.Veja o case mundial de e-governo que é o Brasil. Veja os telecentros da prefeitura de SP.</p>

<p>Estamos num momento mágico, e que pede novos gênios que não cruzem os braços como a Jeannie e fechem os olhinhos, mas que saiam dos oásis e arregacem as mangas.</p>

<p>Mãos à obra.</p>

<p><br />
</p>]]>
</content>
</entry>
<entry>
<title>Super Size Web</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.usina.com/tete-a-tete/2005/04/super_size_web.html" />
<modified>2006-07-31T01:12:16Z</modified>
<issued>2005-04-06T16:11:54Z</issued>
<id>tag:www.usina.com,2005:/tete-a-tete//14.1136</id>
<created>2005-04-06T16:11:54Z</created>
<summary type="text/plain">artigo pra revista Webdesign Uma pergunta de quinze quilos: por que será que escolheram o @ e não outro símbolo qualquer? Arroba pesa. Quem sabe se tivessem escolhido outro símbolo esse nosso digimundo não pesaria tanto, quem sabe assim não...</summary>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em>artigo pra revista Webdesign</em></p>

<p>Uma pergunta de quinze quilos: por que será que escolheram o @ e não outro símbolo qualquer? Arroba pesa.</p>

<p>Quem sabe se tivessem escolhido outro símbolo esse nosso digimundo não pesaria tanto, quem sabe assim não teríamos que avançar léguas... polegada por polegada. </p>]]>
<![CDATA[<p>Símbolos por símbolos, poderiam ter usado o &. Quando clientes briefam um projeto, normalmente querem isso & aquilo & aquilo também & um fórum & chat & o maior portal do setor, tudo isso @ um preço e prazo ***, enquanto você pensa consigo mesmo: #!%&!!!</p>

<p>Nesse buffet por quilo do digimundo deveríamos alertar os clientes gulosos: escolha com moderação; excessos são prejudiciais a saúde.</p>

<p>Pensando melhor, acho que o aviso vai passar batido: quem arca com ônus dessa gula é o usuário, aquela figura mítica e invisível que paga os pecados do digimundo, amém. É o usuário que vai engolir o vinho azedo e o pão dormido de um site abandonado, é ele que vai passar pelo vale das sombras para encontrar o que quer, é ele quem vai esperar o juízo final para receber uma resposta por email, é ele que vai ter que rezar pra a intro em flash acabar logo.</p>

<p>Essa gula clientélica não é privilégio da internet: 99% das pessoas ignora 99% das funções do celular que escolheu, do software que instalou, do home theater que comprou... Mas até aí é livre-arbítrio, são pecadilhos de foro íntimo que não fazem da vida alheia um inferno.  </p>

<p>Já com inFernet... a tentação de um é a perdição de muitos.</p>

<p>De que tamanho tem que ser o seu site? A resposta é simples: do tamanho do seu tempo. Sites são ainda mais gulosos que você, e em pouco tempo vão devorar seus recursos, suas horas extras, seu orçamento... a menos que você crie um site domesticável, que você dê conta.</p>

<p>Se você ainda continua pensando grande, lá vão pequenas perguntas:</p>

<p>    * Quem vai responder os emails?<br />
    * Quem vai ver se o site está com o tráfego normal?<br />
    * Quem vai perceber que o site foi hackeado sábado às três da manhã?<br />
    * E quem vai "consertar" o site hackeado a tempo?<br />
    * Quem vai back-upear o site regularmente?  <br />
    * Quem vai atualizar as notícias?  <br />
    * Quem vai criar e disparar as newsletters?<br />
    * Quem vai cuidar de banners e mídia online?<br />
    * Quem vai extrair alguma inteligência dos dados de tráfego e transações?<br />
    * Quem vai checar se nao publicaram alguma atrocidade no forum?<br />
    * Quem vai trazer de volta os usuários que sumiram?<br />
    * Quem vai...? E por aí vai.  </p>

<p>Cada feature no seu site tem dois lados: é um serviço a mais para o usuário mas é uma responsabilidade a mais para você, uma responsabilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem feriado nem descanso. Para dar conta dessa demanda você tem três caminhos: investir recursos (que nunca ninguém tem), não dar conta (e o usuário incomodado que se mude) ou simplesmente... cortar o mal pela raiz, descartando aquilo que é definitivamente um tiro no pé.</p>

<p>Ok, ok, a tentação é grande sempre, a vontade é abraçar o digimundo com as pernas e ter olhos maiores que o mouse (ou o bolso). Mas pense como usuário: é melhor um site cheio dos truques mas mosca-morta, ou um site enxuto, focado, que cumpre o que promete? Eu fico com o segundo: é sempre preferível surpreender com o over-delivering do que frustrar com overpromising.</p>

<p>(Talvez um bom título pra história do digimundo fosse "A Insustentável Leveza da Web").</p>

<p>Tempos atrás um conhecido me recomendou os serviços de um fornecedor de marketing direto digital. O cara é um gênio, disse ele. Anotei a dica, e mais tarde fui consultar a URL.</p>

<p>O site tinha uma página. Um logo, o nome da marca, uma frase, e um endereço de email. Só.</p>

<p>Realmente o cara era um gênio. Esse vai pro céu.</p>

<p><br />
</p>]]>
</content>
</entry>
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<title>Imaginação Fértil</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.usina.com/tete-a-tete/2005/04/imaginacao_fert.html" />
<modified>2006-07-31T01:12:16Z</modified>
<issued>2005-04-06T16:10:50Z</issued>
<id>tag:www.usina.com,2005:/tete-a-tete//14.1135</id>
<created>2005-04-06T16:10:50Z</created>
<summary type="text/plain">artigo para revista Webdesign - Calma. Vamos rabiscar no papel, antes. Ele me olhou com estranheza. O software já estava ali, engatilhado, pronto para receber de braços abertos nosso furor criativo, nosso ímpeto realizador, nossa... precipitação desastrada. Quando o assunto...</summary>
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<name>renedepaula</name>
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<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em>artigo para revista Webdesign</em></p>

<p>- Calma. Vamos rabiscar no papel, antes.</p>

<p>Ele me olhou com estranheza. O software já estava ali, engatilhado, pronto para receber de braços abertos nosso furor criativo, nosso ímpeto realizador, nossa... precipitação desastrada.</p>

<p>Quando o assunto é criar, somos como maus amantes: partimos para as vias de fato sem cerimônia alguma, sem preliminares, sem nada. </p>]]>
<![CDATA[<p>Dá para se conceber assim? Claro que dá, mas prepare-se para um gestação tumultuada e um parto sofrido.</p>

<p>O mal dos softwares autorais é esse: eles te enganam. Nenhum photoshop, dreamweaver, powerpoint te pergunta: "O que você quer de mim?". Que nada: em todos eles começamos com a cabeça tão vazia quanto a tela nova.</p>

<p>Para alguns processos "autorais" isso pode ser um bom começo. Se você for um poeta beat, se você for um James Joyce reencarnado registrando seu stream of conciousness, se você for um Pollock e quiser jogar coisas a esmo para ver no que dá... Nesses casos o processo "vamuquivamu" pode ser esplêndido, mas se for essa a sua praia eu te sugiro procurar outra revista (ou um articulista menos crica).</p>

<p>Essa liberdade infinita que um software nos dá mascara uma limitação básica: aquele software é capaz de cuspir alguns tipos de coisas, mas quem garante que são as coisas de que precisamos? A solução para o seu problema pode não ser um JPG, pode ser um email bem estruturado. A chave para resolver uma questão pode ser um mero telefonema, e não uma campanha elaborada de email marketing. Ou pode ser... não fazer nada a respeito. Por isso é bom parar por um momento, levantar da sua baia e ir buscar lápis e papel para rabiscar um esquema realmente inovador.</p>

<p>Inovação nasce assim, nasce fora dos caminhos batidos. Grandes idéias são grandes já no rascunho, em rabiscos feitos no guardanapo do restaurante. Se depois disso você vai usar o software X ou Y, macs ou PC's, tanto faz. Ou você acha que "Garota de Ipanema" foi escrita usando a última versão do Office num Tablet PC wireless na mesa do bar?</p>

<p>Softwares viciam a gente. Nunca vou me esquecer de uma frase colada no monitor de uma colega, anos atrás: "De tanto carregar um martelo, você acaba achando que tudo é prego". Well, acho que a frase era mais bem construída, mas você pegou a idéia: nem tudo se traduz em planilhas, em classes Java, nem sempre a solução é um repeteco do que você sempre fez.</p>

<p>Anos atrás, o que eu mais ouvia era: "Preciso aprender internet... Que curso de Flash você me recomenda?". Era de arrepiar. E dá-lhe gente disparando SWF pra todo lado, como se a panacéia universal fosse interatividades misteriosas e sons em loop.</p>

<p>Por sorte a paisagem hoje é outra, e não faltam boas opções para quem quer "aprender internet". Mas o problema persiste: e se a solução não for só internet?</p>

<p>Se pensarmos só em termos de internet, como vamos criar aquilo que virá depois da internet?<br />
Há alguns anos todo projeto mirabolante pressupunha que nosso futuro era a atrofia completa, uma humanidade sentada, com nariz colado em monitores e sorrindo por emoticons. Felizmente alguém teve a saudável percepção de que somos bípedes, gregários, afetivos, e que celulares com câmera poderiam ser mais libertadores e revolucionários do que um hipercomputador no meio do living.</p>

<p>Alguns softwares, porém, te ajudam a pensar, a organizar melhor as idéias. Eu sou um dependente terminal do MindManager (http://www.mindmanager.com), que me permite primeiro organizar pensamentos soltos e depois agrupá-los, conectá-los e enfim exportá-los em vários formatos diferentes. Há também o The Brain (http://www.thebrain.com) ou o Inspiration (http://www.inspiration.com), ou mesmo os outliners do Word ou Powerpoint.</p>

<p>O mais importante, seja qual for a ferramenta, é que você conceba algo abrangente, consistente, bem costurado, e que só então você decida qual a melhor maneira de realizar a o que você imaginou.</p>

<p>Namore muito sua idéia, muito. Só assim vamos fazer nascer projetos que fecundem pessoas, que nos tornem mais férteis.</p>

<p><br />
</p>]]>
</content>
</entry>
<entry>
<title>Teste da Anta</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.usina.com/tete-a-tete/2005/04/teste_da_anta.html" />
<modified>2006-07-31T01:12:16Z</modified>
<issued>2005-04-06T16:09:48Z</issued>
<id>tag:www.usina.com,2005:/tete-a-tete//14.1134</id>
<created>2005-04-06T16:09:48Z</created>
<summary type="text/plain">artigo para a revista Webdesign O site era bárbaro, ficamos todos boquiabertos. Nos idos de 98 não havia muitos sites como aquele. Hoje hot-sites de produto em flash e tal são carne de vaca, mas na época nem se falava...</summary>
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<name>renedepaula</name>
<url>http://www.usina.com</url>
<email>rene@usina.com</email>
</author>
<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em>artigo para a revista Webdesign</em></p>

<p>O site era bárbaro, ficamos todos boquiabertos. Nos idos de 98 não havia muitos sites como aquele. Hoje hot-sites de produto em flash e tal são carne de vaca, mas na época nem se falava em hot-site e as coisas eram feitas em shockwave mesmo.</p>

<p>Bacana mesmo é que o site era a cara do produto, um carro originalíssimo, bem-humorado, cool. Site legal, carro legal, tudo super promissor não fosse por um... alce.</p>]]>
<![CDATA[<p>Alce é um bicho descomunal, enorme, que faz vaca parecer pônei. Parece que tem muito nos países nórdicos, tem tantos que um dos testes de segurança para um carro é o "teste do alce".</p>

<p>O teste é mais ou menos assim: você está numa estrada dirigindo feliz e contente em alta velocidade. E se um alce surge do nada?</p>

<p>Well, frente a essa pergunta o carrinho deu a resposta errada: capotou feio. Nem sei se o motorista se machucou, mas o acidente foi fatal pra carreira do modelo. Acho que agora relançaram e tal, vi um outro dia. Mas o alce deixou sua pegada na história automobilística.</p>

<p>"E se...?" não é uma pergunta que brasileiros gostam de fazer. Deus é brasileiro, não é? Por que se preocupar?</p>

<p>Os crentes que me perdoem, mas internet é diabólica. Devia se chamar inFernet. Não há anjos da guarda, não adianta rezar, e nenhuma vela de sete dias espanta hacker.</p>

<p>Em suma: algo vai dar errado. Sempre. E é nessas horas que você distingue o bom profissional da anta: diante de um desastre, ele capota ou reage a tempo?</p>

<p>Por que erros acontecem tanto? Por conta da inelutável Lei de Murphy, "se algo pode dar errado, dará"? Sim, mas por outra razão mais positiva: a cada dia que passa, projetos interativos envolvem mais e mais "frentes": email, call center, negócios, conteúdo, CRM... Cada frente dessas tem mil "alces" na tocaia.</p>

<p>Quer um exemplo? Você tem dois fornecedores "de internet" pra escolher. Cada um traz um projeto mais bacaninha que o outro. Como escolher? Joga um alce na pista:</p>

<p>- e se o projeto der super certo e tivermos milhares de usuários entrando ao mesmo tempo?</p>

<p>ou</p>

<p>- e se todos os visitantes ficarem tão impressionados que vão mandar zilhões de emails?</p>

<p>ou</p>

<p>- e se não dermos conta dos pedidos?</p>

<p>ou</p>

<p>- e se o seu designer ganhar um prêmio e mudar pra Londres?</p>

<p>ou</p>

<p>- e se eu quiser atualizar o site de meia em meia hora?</p>

<p>Como você pode ver, sucesso em excesso também dá encrenca. E por mais que os fornecedores prometam maravilhas, nem todos estão preparados para o tranco do "dar certo demais"</p>

<p>Se problemas vão acontecer quer a gente se previna ou não, porque a gente não relaxa de uma vez? Sim, você pode relaxar e gozar, mas de preferência bem longe de mim.</p>

<p>Problemas "conhecidos" a gente previne de saída. Experiências anteriores (e cicatrizes e calos) ajudam muito, mas um bom exercício de "e se..." pode prevenir muita coisa.</p>

<p>Por exemplo: você recebe um layout todo diagramadinho, alinhadinho e tal. Com um pouco de imaginação, você se pergunta: e se esse texto for muito maior? E se a foto vier num tamanho maior? E se eu precisar tirar esse conteúdo no ar rapidamente? E se eu tiver que alterar alguma coisa no meio da madrugada? E se o usuário digitar errado o endereço? E se o usuário apertar o BACK? E se o usuário adicionar essa página ao bookmark? E se o usuário preferir telefonar?</p>

<p>Alces não faltam.</p>

<p>Há perguntas mais dramáticas: e se o fornecedor falir? E se tivermos problemas depois do projeto estar entregue? E se o fornecedor não cumprir o prometido? E se forem necessárias alterações? E se for preciso migrar de hospedagem?</p>

<p>Antes de se encantar com discursos "legais", "cool" e "criativos", veja se o airbag funciona. Ou então torça para criarem recall de profissionais com defeito de fábrica.</p>

<p>Paranóia? Não. Ter algo online é ter uma vitrine permanente, mas vitrines são de vidro. E atire a primeira pedra quem nunca capotou.</p>]]>
</content>
</entry>
<entry>
<title>verdade nua e crua</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.usina.com/tete-a-tete/2005/04/verdade_nua_e_c.html" />
<modified>2006-07-31T01:12:16Z</modified>
<issued>2005-04-06T16:08:49Z</issued>
<id>tag:www.usina.com,2005:/tete-a-tete//14.1133</id>
<created>2005-04-06T16:08:49Z</created>
<summary type="text/plain">artigo para revista webdesign Não se deixe enganar. A revista está linda, o papel é muito bom, a impressão ficou ótima... mas o articulista está nu....</summary>
<author>
<name>renedepaula</name>
<url>http://www.usina.com</url>
<email>rene@usina.com</email>
</author>
<dc:subject>artigos recentes</dc:subject>
<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://www.usina.com/tete-a-tete/">
<![CDATA[<p><em>artigo para revista webdesign</em></p>

<p>Não se deixe enganar. A revista está linda, o papel é muito bom, a impressão ficou ótima... mas o articulista está nu.</p>]]>
<![CDATA[<p>Eu poderia disfarçar, te distrair, mas prefiro ser franco: você me pegou no pulo.</p>

<p>Eu sei, eu sei... você comprou a revista porque procura respostas, quer certezas, quer algo que te ilumine o caminho. Se você quisesse colunistas desprevenidos, teria pedido algo diferente na banca. Mas essa minha posição desconfortável pode ser instrutiva, acredite, a menos que você seja daqueles que acredita que aquele corpão pelado na capa daquela revista realmente exista, que ali não tem silicone nem photoshop, que aquela top model está realmente sorrindo pra você.</p>

<p>Claro que você não cai nesse truque. Você é do ramo. Eu, ao contrário das modeletes de plantão, tenho muito orgulho das minhas marquinhas, dos meus cabelos brancos. Estar assim exposto pode nem ser um belo espetáculo, mas nem por isso eu perco o rebolado.</p>

<p>Não espere de mim postura de professor: trabalhar com internet é aprender sempre. Por isso eu desconfio sempre de quem fala empolado, de quem tem certezas demais, de quem mais aparenta do que apresenta. Não é possível manter tanta pose quando se anda em gelo fino. Por essas e outras eu, que caí sentado aqui, te convido a tomar assento e dar uma olhada na paisagem digital.</p>

<p>Dispa-se por um momento das suas crenças e diga pra mim: o que é webdesign? Antes que você me responda com argumentos de decorador ou de engenheiro, eu te pergunto: nesse digimundo enorme, o que é realmente importante para você? Quais são as coisas digitais que, sem elas, você se sente nu?</p>

<p>Eu me exponho primeiro: as coisas digitais mais vitais para mim, hoje, não são páginas ou aparelhos. Mais vital do que tudo é como essas coisas se comunicam. Se meu palm não sincronizar com minha agenda, estou frito. Se aqui no trabalho me cortarem o yahoo messenger, nem sei o que faço. Se aquilo que eu publico nos meus blogs não for importado automaticamente para meu site por RSS, a casa cai.</p>

<p>Mais exemplos? Tem um site em que eu nunca mais vou comprar. O site é lindo, mas na última compra (última nos dois sentidos) eu não recebi confirmação de compra, nem estimativa de entrega e, quando liguei para cancelar o pedido, não me deram código nenhum. Fiquei no mato sem cachorro. De nada me adiantou o design clean e os produtos cool: ali eu não piso mais. A amazon não é tão linda, mas é tudo tão bem costurado e redondo que eu nem me importo se é mais caro ou não.</p>

<p>Webdesign não é só layout, nem se esgota na arquitetura de informação. Webdesign que funciona vai além da web. O mesmo vale para design em geral: não adianta ter algo lindo que não se integra com nada.</p>

<p>Cada vez mais o charme das coisas digitais não está na fachada, não está numa carinha bonita. A graça está nas teias que você constrói com elas: seu celular importa a agenda do palm e manda fotos para o teu blog, e cada vez que alguém publica um comentário você recebe um email que vai ficar para sempre armazenado no Gmail, facinho de achar.</p>

<p>Eu compro algo na web e recebo por SMS a confirmação do meu banco, e logo chega por email uma estimativa da entrega.</p>

<p>Na hora de comprar um palm novo, minha dúvida vai ser se ele conversa com minha rede sem fio, e se eu consigo conectá-lo pelo celular também. Se ele não servir na minha teia, de nada adianta ser lindo. Não quero carregar peso morto.</p>

<p>E aí entra a questão: alguém desenhou isso, alguém planejou e especificou isso. No Orkut, houve um momento em que alguém definiu: só se entra com convite. Em algum momento alguém especificou: o yahoo messenger tem que avisar se tem email novo.</p>

<p>Isso é webdesign? Que tipo de profissional mapeia essas conexões todas, quem planeja essas possibilidades todas? Que software você usa para delinear cenários de uso?</p>

<p>Por isso eu perco o pé, por isso às vezes fico de calça curta: à medida em que as coisas conversam entre si, fica cada vez mais complexo mapear, desenhar, planejar, administrar coisas no digimundo. Um player de mp3 pode virar a indústria da música do avesso ou não, dependendo do quanto ele conversa com a internet.</p>

<p>Um fórunzinho no teu site pode ser sua ruína ou o novo Orkut, dependendo de como você restringe a entrada.</p>

<p>Como lidar com isso? Minha dica: lápis, papel e muita atenção a tudo o que é humano. E nada é mais humano do que se relacionar, e nada é mais intrincado e fascinante do que os relacionamentos humanos.</p>

<p>Claro que você pode fechar os olhos e achar que design se resume ao que os olhos vêem. O que conta, meu caro, é o que o coração sente.</p>

<p>Sem isso, teu design vai criar teias de aranha.</p>

<p><br />
</p>]]>
</content>
</entry>

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