nem queira saber

do que eu não sou capaz

eu já pago caro

pelo que tanto faz

20.05.09, não me lembro onde

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que mania essa

a de sempre ir fundo

de mergulhar por inteiro

 

aqui na superfície

não tem o que eu respiro

05.04.09, fechando a conta

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minha causa mortis

é meu epitáfio

eu juro que tentei

mas não coube em mim

05.04.09, sem parar

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queria ter o talento

de deixar por aí

o que mais cedo ou mais tarde

eu levo comigo

deixe pro legista

adivinhar quando já for tarde

a história que explique

meu coração chamuscado

por tantos incêndios

minhas palmas com linhas

que andam em círculos

e esse peito capaz

de guardar mil tesouros.

05.04.09, na seqüência

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não, eu não mordo

eu sorvo apenas

o que jorra sozinho

eu bebo aquilo

que me encha a boca

05.04.09, no balcão

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desenhei pouco a pouco

e com muito capricho

esse labirinto barroco

sem que nenhum minotauro

me desse o ar

da sua desgraça

05.04.09, no N’O Café

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as variações sobre o tema

não esgotaram o tema

esgotaram meu público

esgotaram o quanto

eu pensava ser capaz

de fugir de mim mesmo

04.04.09 em casa

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dexter gordon

e o asfalto é rio fundo

correndo tranqüilo

sob os pneus

sob o cinza do céu

soprado por um fumante

cujos dedos sentem

correr sedosa

a lembrança

de cabelos distantes

31.03.09, encerrando

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minha sina em quatro tempos
viver em combustão interna
cercado de impulsos elétricos

31.03.09, non-stop

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maldita idade do bronze
tudo o que eu toco
badala como sinos

31.03.09, na seqüência

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por favor traga à tona
o que ainda não é naufrágio
por favor afunde logo
as minhas bóias fajutas

31.03.09, minutos depois

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anos de prática
e meus erros primários
se aprimoraram muitíssimo

31.03.09, no N'O Café

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sim, falo mais que a boca

só falta eu me dar ouvidos

15.03.09, logo depois

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a cama me acolhe

sem olhar torto

sem fazer drama

15.03.09, oito e tanto

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mania de quebrar cabeça

procurando a peça que falta

a curva que encaixe

mania de acreditar

que eu sou um cara-metade

13.03.09, imediatamente após

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nasci numa época esplêndida

ainda não me abateram a tiros

13.03.09, na seqüência

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devo estar ficando surdo

sexo ouço de tudo

amor, porra nenhuma

13.03.09, minutos depois

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eu devia ter levado

meus abismos pra passear

é difícil dormir

com eles uivando assim

13.03.09, meia-noite e pouco

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respeitável público

uma salva de palmas

nada nessa mão

nada na outra

os dois seios sumiram!

e agora serremos

esse belo coração ao meio

11.03.09, em casa bem cedo

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bluenotes_detalhe

bluenotes_detalhe2

10.03.09, no carro, voltando

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fantasmas meus

rezem para que eu

não os encontre

e vocês sigam eternos

e poupados do vexame do tempo.

10.03.09, quase indo

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os sinais de perigo são gritantes.

tomara que loucos escutem.

10.03.09, logo após

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não perca seu tempo.

sou anacrônico.

10.09.03, non-stop

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muito natural: dinossauros se encontram

em lugares em extinção.

10.09.03, na seqüência

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vozes. risos.

e eu procurando nos sons

o rugido do mar

escondido nas conchas.

10.09.03, logo depois

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onde eu quero chegar

quando me perco

com tanto gosto?

10.09.03, chegando no balcão

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ainda não sei se as redes que lanço

me servem de berço

ou de mil cordas-bambas

10.03.09, fim do dia

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lobos se vêem no escuro, é claro.

esse é o gozo de um homem verbal: ficar sem palavras.

esse é o gozo de um homem que fala: o mundo se cala.

10.03.09, imediatamente depois

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difícil de engolir uma ausência que me enche a boca.

bach por avenidas à noite

já amei assim, iluminando

nervos em fugas.

solo é mais difícil

09.03.09, imediatamente depois

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e saio eu e meu arco em chamas

em busca de violoncelos

que não existem

09.03.09, bem tarde

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um dia ainda aprendo

que raios nao caem

de novo no mesmo lugar

alguém me explique, então,

porque velhos coups-de-foudre

continuam elétricos

dai-me vento, muito vento

tenho sede daquele cheiro

09.03.09, ainda no almoço

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há sinais de fumaça

eu lanço chamas

09.03.09, almoçando sozinho

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que a floresta me salve

de ouvir o que ruge

08.09.03, pouco depois

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preciso de brechas, esquinas

preciso de curvas e cantos

se essa cidade não existisse

eu a inventava

com ainda mais dobras

08.09.03, non-stop

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que essa noite acabe logo

e não me espreite amanhã

em plena luz do dia

08.09.03, na seqüência

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fome de lobo é assim

piora no escuro

e dança na ponta da língua

08.03.09, logo depois

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esse meu corpo

é uma república de memórias

há partes lembrando incêndios

há partes com lembranças doces.

08.03.09, de noite

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conheço meus lobos.

nem vou olhar no espelho.

08.03.09, logo depois

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não se engane.
escrevo miúdo
o que quero escrito
com tinta nos muros.

08.03.09

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não tem cabimento
o que me cabe no peito
basta um silêncio
e amores ecoam.

07.03.09, à noite

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voilà.  c'est ça.
nos filmes tudo termina
quando o mistério acaba.
a vida continua.

07.03.09, um pouco mais tarde

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eu toco, toco mas eu não atendo.
acho que não estou.
quem sabe eu não me tranquei do lado de fora?

07.03.09

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a gravidade não era tão grave quando eu era menino.     era só correr muito e me lançar num salto e pairar suspenso num tempo infinito para me esborrachar feliz no sofá.   e de novo e de novo.
hoje, não tão novo, ainda corro, ainda salto, mas o tempo das quedas tem outro gosto.   e céus, como demora

este é um não-blog de rené de paula jr, transcrição incerta do que foi escrito em linhas tortas num caderninho azul impublicável.

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