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internet tête-à-tête artigos de rené de paula jr. |
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A cronologia da História é injusta. Algum lobby de metalúrgicos ou engenheiros acabou por dividir a aurora da nossa espécie em Idade do Ferro, do Bronze e nem sei que outros metais. Imagino que os arqueólogos tivessem poucos argumentos palpáveis a contrapor, ainda mais que depois de tanto tempo nada continua palpável, só ferro e bronze, mesmo. Não tarda o dia, porém, em que se descobrirá a língua original da poeira, e o pó arqueológico contará, altissonante, a saga heróica das dores de barriga primordiais. Virão à luz, finalmente, milênios de cólicas, piriris e envenenamentos. A transição da Idade da Fruta à Idade do Assado será questão de vestibulares Brasil afora. Homens de fígados corajosos e bravos intestinos, nossos ancestrais. Hoje, qualquer dona-de-casa do mundo traz dentro de si a herança mais preciosa da Humanidade: a culinária. A mandioca, por exemplo, é um verdadeiro monumento a mártires desconhecidos. Quantas intoxicações foram necessárias para que chegássemos ao aipim frito? (Não responda "the answer, my friend, is blowing in the wind". A piada é vulgar. Aliás, mistério é alguém ter desencavado esse tubérculo medonho e ainda imaginar usos alimentícios para ele. Beira a perversão.) O que engrandece ainda mais a arte gastronômica é não ter nenhum respaldo do instinto. Entre um belo caldo verde e um sundae de chocolate, a criança passa ao largo da saúde e cai de boca na delícia. Reverter essa tendência ao besteirol alimentar é missão e cruz de mães, babás e spas caríssimos. O longo e penoso percurso entre o macaco e o cidadão francês, descobridor de virtudes alimentícias em quase todo o reino animal, vegetal e mineral, foi revertido em uma geração apenas, e eis-nos lambuzados de ketchup e coca-cola. Curioso. Tão difícil quanto distinguir cogumelos venenosos dos comestíveis é reconhecer o que realmente presta na Internet, e esse drama se estende da escolha de softwares à de fornecedores, produtoras e mesmo das soluções ditas "interativas". Mesmo que o serviço em questão seja idêntico (criar um website, por exemplo), as propostas que se ouvem variam do óleo de rícino ao chapéu da Carmen Miranda. Como avaliar "homens que falam javanês" se não falamos javanês? Que paradigmas usar para julgar novos paradigmas? A que revolucionário você deve confiar o seu futuro? Se pelo menos tanta abobrinha fosse a preço de banana, o problema não seria sério. Os custos aumentaram, e o custo do prejuízo mais ainda. (Há cem anos Nietzsche propôs o martelo como instrumento de avaliação. Você martela: se quebrar é porque era ruim. Esse método é interessante, a menos que você vá testar a vitrine da sua loja em pleno horário comercial. ) Eu sugiro que você encare novos fornecedores ou soluções como candidatos a cozinheiro da sua casa. Essa singela acrobacia mental gera as seguintes questões: Fator 171 Compatibilidade soft Compatibilidade hard Interface Versatilidade Custo operacional Pensando a longo prazo Bandwidth Referências Relações exteriores Essas modestas considerações dietéticas
podem evitar muita dor-de-cabeça, indigestões e extrações
cirúrgicas - afinal, em casos extremos, cabeças podem
rolar. E se alguém lhe oferecer uma deglutição
de batráquios (ou batrachian swallowing), cuidado. Você
está prestes a engolir um sapo. |
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